Quanto mais o ano avança, mais os economistas e empresários demonstram optimistas quanto ao crescimento da economia angolana, uma vez que Angola passará a sentir os efeitos das reformas. Os especialistas na matéria afirmam que o ano de 2020 será desafiante, uma vez que, pela primeira vez, a economia angolana poderá registar um crescimento do PIB, depois das recessões verificadas nos últimos anos.
A diversificação da economia é um tema bastante actual, mas deve merecer do Estado angolano uma atenção mais redobrada. Os mais extremistas defendem que se deve delinear timings, e “até à criação de um banco totalmente voltado à agricultura, para que se possam sentir os resultados de forma mais palpáveis”, conforme defendeu o economista José Serqueira numa das suas intervenções públicas.
Para o economista Carlos Gomes, a situação real da economia angolana é altamente sensível, pois considera que a dependência do preço do petróleo, ao mínimo sinal de instabilidade dos mercados, altera as projecções de crescimento avançadas.
“Quando o FMI por um lado, e o nosso Executivo por outro, projectaram ou estimaram o crescimento em 1,2 e 1,8 por cento, nada fazia crer o surgimento da “pandemia” de apreensão planetária do “Coronavíros”, um receio à escala planetária”, afirmou. Por força desse sinal de instabilidade, informou que o FMI já está a rever em baixa as perspectivas de crescimento da economia global e Angola também pode ser afectada.
Para o economista, contrariamente à expectativa positiva que alimentou a aprovação do OGE para 2020, deve-se admitir que o exercício económico do ano corrente será bastante desafiante, a julgar pela queda progressiva do preço do barril do petróleo nos mercados internacionais em consequência da redução drástica para níveis mínimos das exportações do referido produto para a China, principal comprador de Angola.

Estabilização
Quanto à estabilização dos preços no mercado, o economista é de opinião que deve manter-se em alerta e faz votos de que quanto mais rápido for contornada a “ameaça” do coronávirus, melhor, para que não se transforme em “grande desgraça”, como previu o governador do Banco Central, José Massano.
Esclareceu que a estabilização dos preços é uma consequência da lei da oferta e da procura de bens e serviços nos mercados, inclusive do mercado cambial.
“A título de exemplo, a “relativa” estabilização do preços das principais moedas estrangeiras, e a redução do gap entre o mercado primário e o informal, de 150 por cento para cerca de 26 por cento, resulta do aumento da oferta de divisas pelo Banco
Central à economia.
Questionado sobre a credibilidade das privatizações das empresas do Estado, Carlos Gomes é de opinião que a melhor filosofia a ser adoptada para uma privatização com equidade deve ser aquela que corresponda à realidade socioeconómica, sem estereótipos de outros quadrantes que nada têm a ver com o país, o que contraria a lógica do Executivo liderado pelo Presidente João Lourenço.
Quanto às reformas do Estado, Carlos Gomes é de opinião que os resultados levam algum tempo para que possam surtir os efeitos, pois elas não se circunscrevam apenas a nível de alterações administrativas, mas sobretudo no âmbito da consciência dos operadores públicos. “Mas eu penso que se há uma coisa que está patente cujos efeitos já se sentem, tanto a nível interno, tanto a nível internacional, são as reformas no sector da Justiça e dos Tribunais, com a observância ainda que tímida da probidade pública, e que a impunidade é algo que aos poucos vai fazendo parte do passado recente”, afirmou.

O lado empresarial
Para o empresário Gentil Viana, 2020 será um ano melhor porque a envolvente empresarial está a progredir de uma nova atitude, na qual a paciência estratégica se substitui ao imediatismo, a ganância desmedida que perde a favor do lucro justo e o investimento colectivo a tomar a dianteira face ao secretismo egoísta da “micha”.
“E estes são os ingredientes empresariais necessários para que a nossa economia dê passos seguros em direcção à estabilidade, ao equilíbrio económico e à paz social que todo o angolano almeja”, afirmou.
Salientou que a diversificação da economia é uma necessidade da Nação no seu conjunto, razão pela qual é desejo dos líderes políticos que ela possa vingar em prazo curto.
Ele argumenta que essa diversificação só pode ser materializada pelos agentes privados, o que remete para a mentalidade e a postura nos negócios de cada um dos empresários.
“As economias são sempre e nada mais do que o somatório das mais-valias dos negócios nelas desenvolvidos, tanto pelo sector público tanto do privado. Até aqui vivíamos das receitas públicas petrolíferas e éramos o último link das cadeias produtivas de outros países”, disse.
Para o homem de negócios, as reformas administrativas, a contenção das importações e outras inovações da gestão pública nos últimos dois anos, com menor ou maior impacto, ajudam a solidificar a resiliência dos empresários angolanos, compensando aos esforços privados que têm sido enormes.
“Como era de se esperar, mudanças estruturais são sempre mais penosas, mas a cada ano que passa, estamos mais próximos da meta”, sentenciou