O Governo angolano vai continuar a concertar posições com outros países no plano diplomático com vista a garantir a paz e segurança na região dos Grandes Lagos e na África Central para o desenvolvimento económico e social dos países da região.


O Presidente da República, José Eduardo dos Santos, que falava quarta-feira, na cerimónia de abertura da III sessão legislativa da II Legislatura da Assembleia Nacional, disse que este ano fica marcado pelo reaparecimento e propagação do vírus do Ébola que já causou milhares de mortes no continente africano e noutras partes do mundo.

Para o Chefe de Estado angolano, a nível interno, foram tomadas medidas de prevenção e combate dessa epidemia, exigindo um esforço conjugado de todos os governos do mundo.

José Eduardo dos Santos afirmou ainda que, nos últimos anos, se têm multiplicado focos de tensão e de rupturas em várias zonas do mundo, tendo surgido novos conflitos armados com forte impacto na nossa região. “O alastrar desses conflitos está a dar origem a confrontos militares com processos de diálogo e negociação complicados”, disse o Presidente da República.

O Estadista angolano afirmou ainda que o Executivo, que detém a presidência da comissão internacional da região dos Grandes Lagos, se tem empenhado na procura de soluções, tanto no quadro bilateral como no multilateral, bem como no âmbito do Conselho de Segurança da ONU e no Conselho de Paz e Segurança da União Africana.

Por essa razão, afirma que Angola tem reafirmado a sua disponibilidade em participar nesses processos, apoiando e promovendo o diálogo e a paz, particularmente na África Central e na região dos Grandes Lagos.

Estabilidade em África
Num outro capítulo, José Eduardo dos Santos fez referência à questão da paz fora do continente africano.

Para o Chefe de Estado angolano, as acções que o Executivo angolano tem feito nesses domínio “inscrevem-se no esforço da manutenção da paz, da disponibilidade manifestada pelo nosso Governo, para integrar as forças da paz das Nações Unidas previstas no quadro da MINUSCA (Missão das Nações Unidas para a República Centro Africana), satisfazendo assim a solicitação feita pelo Presidente da República desse país irmão”, sustentou, o titular do Executivo angolano.

Para o Presidente da República, esta postura de promoção da paz e da segurança tem conduzido a um reconhecimento a nível internacional do papel de Angola como um parceiro estratégico para a construção da paz e da estabilidade em África.

“Por essa razão, a maioria dos países da comunidade internacional está a acolher, como sendo natural, e a apoiar a candidatura de Angola para membro não permanente do Conselho de Segurança para o biénio 2015/2016”, disse José Eduardo dos Santos.

No entanto, ao candidatar-se a membro não-permanente do Conselho de Segurança da ONU, Angola pretende a esse nível transmitir os seus pontos de vista e contribuir para a paz e a segurança internacionais, sempre ciente de que essa premissa é fundamental para o funcionamento normal do actual sistema das relações internacionais.

No próximo ano, Angola deve dar continuidade aos dossiers, sobretudo nas questões relacionadas com a defesa e segurança em África que têm servido de bandeira para a diplomacia angolana.

A diplomacia económica não tem os efeitos estruturantes que o país necessita, em função da baixa do preço de petróleo no mercado mundial, segundo ainda o Presidente José Eduardo dos Santos.

Por isso, a economia angolana continua a ser de enclave, ou seja, as grandes empresas globais, com presença em Angola, vão continuar no ramo da exploração de recursos naturais.

Política externa
O continente africano continua a ser um problema, sobretudo devido à fragilidade das fronteiras nacionais. A estabilidade na RDC e a necessidade de tornar mais equilibrados os benefícios da coordenação entre as políticas externas de Angola e da África do Sul são factos notáveis.

A política externa para a paz no Sudão Sul, na República Centro-Africana e os contributos para a estabilidade na região da África Austral continuarão a ser necessários para manter a imagem de Angola no centro da diplomacia africana.

O melhoramento e a adequação da imagem do país no exterior, a sensibilização, informação e formação dos cidadãos nacionais sobre a forma mais cabal contribuem para que Angola se torne num país cada vez mais respeitado no exterior.