A instalação de cabos de fibra óptica submarinos da África para América e o resto do mundo vai permitir atrair investimentos para o país, tendo em conta a velocidade e melhoria da qualidade dos serviços que esta infra-estrutura pode proporcionar ao sector das telecomunicações, segundo revelou nesta quarta-feira, em Luanda, o ministro do sector, José Carvalho da Rocha.
O titular da pasta das Telecomunicações e Tecnologias de Informação, que falava à imprensa após o acto de lançamento do primeiro cabo submarino de fibra óptica denominado South Atlantic Cable System (SACS), que em 2018 vai ligar Luanda (Angola)/Estado de Ceará (Brasil), considerou o surgimento desta plataforma como um elemento fundamental para alavancar o crescimento e desenvolvimento socioeconómico do país.
“Vamos continuar a trabalhar para termos infra-estruturas que possam suportar e acompanhar o ritmo de crescimento económico do país, criando novas oportunidades de negócio e emprego”, afirmou.

Penetração de internet
O governante disse igualmente que a concretização do Sacs vai aumentar a velocidade e melhorar os serviços das telecomunicações no país, reduzindo gradualmente os custos de acesso à internet e a
efectuação de chamadas de voz.
Referiu ainda que a instalação do Sacs constitui um acontecimento histórico na região austral por ser o primeiro cabo que vai ligar a África/América do Sul, tornando o país num epicentro das telecomunicações
no continente africano.
A concretização deste projecto, enquadrado na estratégia de acesso aos cabos submarinos, aprovada em Abril de 2009 pelo Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos, está avaliada em mais de 200 milhões
de dólares norte-americanos.
Questionado sobre as últimas informações do lançamento do Angosat 1, José Carvalho da Rocha garantiu que o satélite angolano já está apto e testado para entrar em funcionamento brevemente, restando apenas a preparação
de condições para o arranque.
Já o presidente da Comissão Executiva da Angola Cables, António Nunes, disse que quando toda a rede estiver concluída, juntamente com as infra-estruturas envolventes, haverá uma mudança de paradigma no sector, sobretudo porque as comunicações serão muito mais rápidas, menos cinco vezes do tempo necessário para aceder aos conteúdos disponíveis na América, uma região que se posiciona como um dos maiores centros de produção e agregação de
conteúdos e serviços digitais.
“Angola está cada vez mais próxima de se tornar num dos centros das telecomunicações na região subsahariana. Os investimentos nos sistemas de cabos submarinos, nomeadamente o Wacs, já operacional, o Sacs e o Monet e os datacenters estão a criar, não só auto-estradas da informação que vão nos aproximar dos grandes centros de produção de conteúdos e serviços digitais, mas também partes importantes dos grandes circuitos internacionais de telecomunicações”,
considera António Nunes.
Os conteúdos produzidos nestas regiões e a conectividade internacional, disponibilizada pelos cabos submarinos, de acordo com António Nunes, poderá gerar grandes benefícios económicos principalmente para Angola, com grande potencial de atracção de empresas tecnológicas da região que precisem de elevada conectividade.
“A instalação do Sacs representa a concretização de um sonho, um desenvolvimento que traduz a nossa capacidade de encontrar soluções e ultrapassar desafios, tendo sempre em vista o objectivo
final” disse António Nunes.

Centro das atenções
Entretanto, além de unir os dois continentes, via marítima, o Sacs tornará igualmente Angola no epicentro das telecomunicações a nível do continente africano, garantindo uma rota de tráfego África/Estados Unidos de América/Europa, através do cabo de fibra óptica West Africa Cable System (WACS), que liga 11 países do continente africano e três da Europa, segundo o gestor do projecto
Sacs, Clementino Fernando.
O gestor referiu que este sistema terá uma latência (tempo de reacção) de cerca de 60 mil segundos, permitindo maior velocidade das comunicações no país e no mundo.
Clementino Fernando garantiu que todo equipamento (cabos e navios) já está disponível no Japão, por ser o país fabricante e detentor da empresa que está a executar a obra, permitindo com que até Fevereiro de 2018 se conclua a instalação do cabo.
“A finalização da instalação do Sacs está prevista para o I trimestre de 2018 e em Julho do mesmo ano a empresa japonesa vai passar a infra-estrutura concluída à gestora do projecto, Angola Cables”, afirmou.
Segundo Clementino Fernando, o Sacs será instalado numa profundidade de 1,5 metros nas águas rasas e sete quilómetros no alto mar, evitando a danificação do cabo submarino na circulação constante de navios e dos recursos marinhos.
O Sacs, constituído por 72 repetidores, prevê ter uma capacidade de 40 terabits/segundo, 10 terabits/cada par de fibra e 80 gigabits, na fase inicial.
Na ocasião, o governador do Estado do Ceará (Brasil), Camilo Santana, afirmou que a instalação do primeiro cabo que vai unir África e América do Sul possibilitará ter uma conexão mais rápida que anteriormente quando a ligação era feita Europa/Estados Unidos de América/Brasil, assim como reforçar cada vez mais as relações bilaterais entre os países.
“Vamos continuar a estreitar as nossas relações entre os povos dos dois países e do mundo através das telecomunicações, reforçando a amizade e união entre as nações”, referiu.