Na terra onde o chão tem tudo, tal como cantou Dom Caetano, há em montra um espaço mediático e bastante requisitado. A Marginal da Baixa de Luanda que dá corpo à Baía é símbolo de modernidade e dos novos tempos que Angola abraçou desde 2002 com a chegada da paz.
Quem para Luanda venha do exterior ou mesmo do interior, só pode dar-se por satisfeito após visitar este que é, nos dias de hoje, o mais belo espaço de lazer e diversão da capital. Dir-se-ia que a Baía é para Luanda tal como o Rossio para os visitantes de Lisboa (Portugal), da Torre Eiffel em Paris (França), da Ponte de Londres “London Bridge” em Inglaterra ou dos Jardins de Retiro em Madrid, Espanha.
O projecto “Baía de Luanda” é de milhares de dólares, mas em Fevereiro deste ano, o seu resgate para a esfera do Estado obrigou um desembolso de 379 milhões de dólares. Sair do controlo privado para o do Estado visou garantir a salvaguarda do interesse público sem desprimor ao lucro. Afinal para se sentar na Baía de Luanda o visitante não precisa desembolsar nenhum só kwanza. Foi sim em defesa do cidadão, apesar de tamanho desembolso.

Serviços

Na Baía estão 13 parques de estacionamento automóvel, que totalizam 2.740 lugares organizados. Lá ocorrem cerca de quatro mil visitas diárias e uma estimativa de mais de 40 espectáculos musico-culturais.
A Baía de Luanda divide os grandes espectáculos musicais com o mítico Estádio dos Coqueiros, também à baixa da cidade, e agora encena um novo pólo empresarial, após decisão do Ministério da Economia que, na primeiro vez que assume a organização da Feira Internacional de Luanda (FILDA), escolheu este prazeroso local para acomodar os que têm intenções de investir e aqueles que buscam por novas oportunidades.
Do farol da ilha a vista é única. Mas, a medida que chegamos à zona da Restinga, a beleza da Baía de Luanda encanta qualquer mortal, até mesmo nas noites frias ou quentes onde as estrelinhas dividem-se entre os novos arranha-céus e o emblemático edifício do Banco Nacional de Angola (BNA), e mais aionda agora com a chegada do caçula Museu da Moeda, espaço que recebe todos os dias inúmeras visitas de estudantes e pais ávidos em dar aos filhotes o melhor da informação sobre o património histórico e cultural da cidade capital.

Novos edifícios

As previsões da Baía são de que mais de 20 novos edifícios surgem nos próximos anos. O investimento de 150 mil milhões de kwanzas é uma iniciativa de 12 empresas nacionais e estrangeiras, e vai-se erguer numa área de 494 mil metros quadrados.
Mas tal projecto imobiliário cobrirá apenas 30 por cento do total do loteamento urbano do Projecto Baía de Luanda, que inclui hotéis, habitação e escritórios, os quais se propõe gerar mais de 15 mil empregos.
A Baía que já liga o centro com a parte noroeste (Cacuaco, Funda e Caxito), passando pela recuperada via da Boavista, em breve também vai ligar-se ao sudoeste (Kilamba, Zango, Catete), pela marginal da Praia do Bispo e desta à da Corimba, que no Plano Metropolitano de Luanda segue até ao Cabo Ledo.
Na passagem pela Marginal, contamos na outra margem do asfalto com a presença de velhos escritórios, supermercados e as faculdades de Economia e de Ciência da Universidade Agostinho Neto. Lá o casamento entre o velho e o novo faz mudanças sem revolução.

Lembrar as tradições

No palco onde já se dançou o Carnaval, o da vitória, com kazukutas, varinas e semba à mistura do ritmo das tradições, o mar serve para acalmar tudo.
Há um movimento sem igual, mas os moradores, que apreciam das janelas dos altos prédios à distância de palmos, descontam, pois os lançamentos de foguetes às noites dão um barulho de festa e já nem assustam, pois a paz conquistada afasta quaisquer temores.
O machimbombo circula e o largo do baleizão não perdeu de todo a sua história.
O que também voltou à Baía são os práticas de exercícios físicos. Saúde em primeiro e nada melhor do que num espaço que proporciona caminhada tranquila e ao som do turbilhar das ondas do mar da ilha.