Pelo menos 27 furos de água, dos  171 que estão a ser intervencionados pelo governo do Cunene desde o mês de Agosto, no quadro do programa de emergência contra os efeitos da seca que afecta a província estão completamente concluídos e reinaugurados em vários pontos da província.
Segundo garantiu o vice-governador para o sector Técnico e Infra-estruturas, Édio Gentil Sambwako, os restantes aguardam por apetrechos, como por exemplo, bombas submersivas, instalação de painéis fotovoltaicos, lavandarias, bebedouros para o gado, vedação, bombas manuais e tanques reservatórios.

Estratégia
No quadro do programa, o governo da província tem projectada a recuperação de 171 furos, com uma média de 28 furos por município, alguns deles
construídos na era colonial.
O vice-governador assegurou que o município do Curoca já tem recuperados sete furos, de um total de 22 a serem intervencionados e que já beneficiam as populações de diferentes localidades da circunscrição.
O município da Cahama, outro território bastante atingido pela seca, tem 23 furos reabilitados, dos 34 previstos.
Já o município do Cuanhama conta com 12 furos recuperados, dos 34 contemplados para a intervenção. Os últimos cinco reabilitados foram reinaugurados na semana passada pelo administrador municipal, Sérgio Ndamenaposi, nas comunidades das aldeias de Hefimalimwe, Outokelo, Onaghema, Ombudu-Mutwima e Ehafo, nas comunas de Môngua, Ondjiva, Nehone e Evale.
No município do Cuvelai, o administrador local, José Kanivete, assegurou que até ao momento a circunscrição conta já com 19 furos de água recuperados, dos 28 que o governo da província se propôs a reabilitar no quadro do programa emergencial
de apoio às vítimas da seca.
Disse que o território que dirige alberga 58 furos, boa parte deles há muito inoperantes e desactivados.

Construção de barragens
O problema de falta de água para as populações e para o gado a nível da província do Cunene pode conhecer fim nos próximos quatro anos, quando estiver concluído o projecto de construção de duas grandes barragens hídricas que vão levar o líquido a vários pontos da região.
Trata-se de um programa de iniciativa presidencial estimado em mais de 200 milhões de dólares, cuja execução pode ter início ainda este ano, com
duração de cerca de três anos.
Já foram seleccionadas as quatro empresas que vão executar os projectos, após o concurso público onde fizeram parte 40 empresas.
Explicou que algumas empresas que ganharam o concurso já estão a fazer contactos com o governo da província para a criação dos seus estaleiros, mobilização dos meios e recursos humanos.
Tratam-se da construção de uma barragem em Calucuve, Norte do município do Cuvelai e seu canal adutor associado que vai ter uma retenção de cerca de 100 milhões de metros cúbicos de água, bem como a de Ndue, mais abaixo, que vai ter uma retenção de 145 milhões
de metros cúbicos de água.
O outro projecto é a construção de um sistema de transferência de água do rio Cunene, na localidade de Kafu que vai ter dois mil litros por segundo a extrair do rio, e vai contar com 170 quilómetros de canal fechado e aberto nalguns pontos e 89 chimpacas, passando pela região
de Cuamato até Namacunde.

Plano de Emergência
Os cerca de 3,9 mil milhões de kwanzas disponibilizados este ano, pelo Executivo para o Plano de Emergência de Apoio às Vítimas da Seca foram empregues na totalidade, em benefício das comunidades, cujo impacto é assinalável.
Segundo o vice-governador da província, Édio Gentil Sambwako disse que com a verba emergêncial foram 26 camiões cisterna, 20 tractores com cisternas acopladas, quatro camiões de carga sólida, 450 reservatórios de água com capacidade de 10 e de cinco mil litros espalhados nas zonas críticas, assim como várias quantidades de bidões
de vinte litros para as famílias.
O governante revelou que os meios existentes são os possíveis e não conforme o desejado, sobretudo no que toca aos meios de transporte, dadas as condições agrestes das vias, as grandes distâncias e o volume da população afectada que ronda as 880 mil pessoas.
Pelo menos 30 mil cabeças de gado bovino já morreram na província do Cunene desde a eclosão da seca severa que atinge
a região desde finais de 2018.
De acordo com o vice-governador Édio Gentil Sambwako, os números de perdas sobem todos os dias porque muitos animais já não resistem a grandes caminhadas por estarem bastante debilitados.

Uff... já há chuva

Quase um ano depois de uma seca severa, que provocou a morte de dezenas de milhares de cabeças de gado, abandono escolar e de algumas zonas habitacionais devido à escassez de água, a chuva voltou a cair na noite de domingo (13) para a madrugada de segunda-feira (14), no Cunene, para gáudio da população.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inamet), a província do Cunene poderá registar, entre Outubro e Dezembro deste ano, chuvas acima do normal.
O volume de água poderá estar acima dos 800 milímetros, 200 a mais em relação ao normal (600 milímetros) para aquela região do país. Caso se concretize a previsão, advertiu o Inamet, poderá haver transbordo do rio Cuvelai e causar inundações no Cunene, que registou chuva moderada, na noite de domingo, com 13.5 milímetros de volume de água.
A chuva caiu sobre os municípios do Cuanhama, Namacunde, Ombadja e Cuvelai.
Segundo dados do Inamet, somente nos meses de Janeiro a Março de 2020 a intensidade da chuva irá diminuir, atingindo o nível normal de 600 milímetros de água.
O responsável do Inamet no Cunene, António Pereira, citado pela Angop, afirmou que o retorno da chuva e as previsões são animadoras, pelo facto de a população afectada pela seca e os animais poderem ter água e pasto. Devido a escassez de chuva no Cunene, a campanha agrícola 2018/2019 ficou comprometida, sem colheita nos 205 mil hectares onde estiveram envolvidos 99 mil camponeses.
Na cidade de Ondjiva e arredores, a chuva, embora fraca, começou a cair no início da noite de domingo e só terminou na manhã de segunda-feira, tendo deixado várias ruas alagadas e pequenas lagoas na zona periférica.
Muitos habitantes de Ondjiva sem água canalizada ou fontenários aproveitaram a água que caía das chapas de cobertura das moradias para encherem os recipientes, num sentimento de algum alívio, já que têm que percorrer longas distâncias à procura do líquido.