Dados da Associação de Produtores e Exportadores de Rochas Ornamentais revelam que 75 por cento dos milhares de metros cúbicos explorados pelos 18 operadores é exportado de forma bruta para os mercados da Europa, Ásia(China e Índia), e Estados Unidos da América. O Presidente da Associação de Produtores e Exportadores de Rochas Ornamentais, a Marcelo Siku, disse que o mercado internacional está animado e muito bom neste momento, com feiras e exposições que põem as rochas nacionais aos olhos do mundo. Feiras e exposições como as realizadas anualmente em Espanha, Índia e Estados Unidos da América transforma as rochas ornamentais da região Sul de Angola no centro das atenções, com pedidos de clientes interessados em granito negro e mármore. Marcelo Siku disse, que o valor no mercado mantém nos últimos cinco anos com tendência a aumentar. Por esta razão os operadores associados intensificam estratégias para aumentar o investimento. “Queremos explorar o potencial que existe. Por isso solicitamos sempre que se façam mais trabalhos geológicos que permitam requerermos mais áreas e novos materiais e aumentarmos a capacidade”, disse. Marcelo Siku disse que os 18 operadores filiados nas associações asseguram uma produção acima de 30 mil metros cúbicos de granito com volumes de negócio estimados em 30 milhões de dólares, com impacto nas receitas fiscais. O presidente da associação empresarial disse que as medidas do Estado para o apoio aos empresários “ainda não estão a surtir os efeitos desejados junto dos operadores de rochas ornamentais”. Marcelo Siku disse que os empresários do sector ainda enfrentam problemas relacionados com a falta de energia eléctrica, água e “sérios” problemas de transporte, o que torna as empresas nacionais menos competitivas. A cadeia de distribuição de granito negro abrange o uso de estradas até ao Porto do Namibe, onde são transaccionados para clientes internacionais. Lamentou a falta de capacidade dos caminhos de ferro de Moçâmedes para o transporte de blocos de granito por falta de vagões. O escoamento por camiões eleva os custos, sendo a única alternativa possível neste momento. “Infelizmente os caminho de ferro de Moçâmedes está sem vagões para o transporte de mercadoria dos operadores do mercado de rochas ornamentais da Região Sul. Por isso, somos obrigados a usar o transporte rodoviário”, disse. As dificuldades de acesso ao financiamento, agravado pelas altas taxas de juro aplicadas pelos bancos comerciais, condicionam a realização de investimentos nas indústrias de transformação, lapidação e polimento das rochas. O presidente da associação empresarial disse que muitos dos membros já remeteram projectos de investimento nos bancos comerciais mas as respostas tardam a chegar. Referiu que o investimento na indústria transformadora, além de ajudar a moldar novos produtos vai também proporcionar condições para a recuperação de material terciário, como os “blocos de segunda B” possível de vender no exterior.

Empresas apostam no incremento
da produção e geração de empregos

As empresas do subsector das rochas ornamentais concentradas na Região Sul estão apostadas no incremento de investimentos para o reforço da capacidade de produção, criação de riqueza e geração de mais postos de trabalho.
A empresa Rodang, que explora sete pedreiras na província da Huíla, pretende realizar nos próximo tempos investimento de cerca de dois milhões de euros para a instalação de uma  indústria de transformação de granito.
O responsável do projecto empresarial, Marcelo Siku, disse que o novo investimento neste sector complementa outro de 10 milhões de dólares realizado nos últimos anos e que permite à empresa, produzir no momento aproximadamente sete mil metros cúbicos.
Marcelo Siku disse que o objectivo da realização de mais investimentos visa agregar valor aos materiais explorados e melhorar a qualidade para atender o seguimento de clientes do mercado nacional com novos produtos para a construção civil.
A Rodang tem como meta produzir cerca 10 mil metros cúbicos para criar uma almofada financeira que possibilite a empresa a explorar outras oportunidades e aumentar o número de trabalhadores actuais, 108, dos quais cem nacionais.
As empresas referiram que as principais dificuldades do sector estão relacionadas com a energia, visto que as sete pedreiras são suportadas por 08 grupos geradores que consomem por mês mais de 200 mil litros de combustível.
Frisou que apesar deste constrangimento, a Rodang continua a ter retornos embora reconhece que os custos relacionados com o combustível encarecem os produtos e tornam as empresas locais menos competitivas no mercado nacional.
“Os mercados internacionais continuam animados. Apenas não conseguimos vender no mercado interno porque enfrentam muitas dificuldades no poder de compra”,afirmou.

País ocupa lugar “modesto” no Ranking

Angola ocupa um lugar muito modesto no ranking de países produtores e transformadores de rochas ornamentais a nível de África e do mundo, mas tem a possibilidade de ser grande neste subsector, afirmou o secretário de Estado para a Geologia e Minas.
Jânio Correia Victor disse, no encerramento da Conferência Internacional e Exposição sobre as Rochas Ornamentais, que o Ministério dos Recursos Minerais e Petróleos leva a cabo, nos últimos tempos, várias acções a nível nacional, regional e internacional para a promoção da rochas ornamentais e, sobretudo, para atracção de investimento privado nacional e estrangeiro.
Sem precisar a posição que Angola ocupa no ranking africano e mundial, o país trabalha de forma intensa na divulgação do potencial existente no solo e subsolo angolano para constar na lista de classificação, numa altura em que o país tem a possibilidade de crescer no subsector das rochas ornamentais.
O secretário de Estado para a Geologia e Minas disse que o Ministério de tutela conta com a ajuda prestimosa do associativismo empresarial nacional e estrangeira sobretudo da Eurorock que congrega a nível mundial o maior conglomerado de empresas do cluster de rochas ornamentais, formado por países europeus, Austrália, Estados unidos da América e Índia.
O governante afirmou que o potencial mineiro existe, alinhado às boas práticas de exploração mineira e a vontade de desenvolvimento latente pelos actores que agem neste subsector, vai contribuir para estabelecer o país neste seguimento de negócio que movimenta em média cinco milhões de euros por ano.
 “Se quisermos crescer e jogar na lista dos grandes não podemos desperdiçar esta oportunidade ímpar que se nos oferece. Conhecemos os problemas.