A guerra comercial travada entre as duas maiores potências económicas do mundo, os Estados Unidos da América (EUA) e a China, pode constituir um entrave ao crescimento mundial durante este ano.

Quer o Banco Mundial como o Fundo Monetário Internacional (FMI), não têm dúvidas que apesar de não ter um fim à vista, as consequências deste conflito vão prejudicar mais a China, cujas implicações deverão gerar oscilações para o resto do mundo.
Este conflito teve início em Março de 2018 quando o presidente norte-americano, Donald Trump, impôs tarifas sobre a importação de aço e alumínio chinês.
Já aquele país asiático respondeu com tarifas sobre produtos americanos, principalmente alimentares e, desde então, afectou, desta forma milhares de produtos comercializados pelos dois países, que passaram a pagar mais impostos dos dois lados.
A administração Trump proibiu igualmente as empresas americanas de comercializarem produtos para a China e exerceu forte pressão sobre outros países contra a Huawei, que é neste momento a maior empresa chinesa de fabricação de telemóveis, concorrente directa da Apple e da Samsung.
Como resultado ainda desta proibição, empresa como a Google baniu o suporte técnico, serviço e aplicativo nos novos aparelhos da Huawei, que tenciona implementar a tecnologia 5G nos seus dispositivos.
O governo chinês impôs, assim, tarifas em mais de 128 produtos norte-americanos, contra 97 dos EUA, incluindo principalmente a soja, um importante produto da exportação dos EUA para a China. A lista de tarifas totaliza um montante de 50 biliões de dólares sobre as importações provenientes da China.
Todas as organizações financeiras internacionais, com destaque para o Banco Mundial e o FMI, dizem que o prolongamento da guerra comercial vai afectar, sobretudo, os países em desenvolvimento de África, Sudeste da Ásia e América Latina, que têm, actualmente, o maior risco de serem economicamente fragilizados.
Nesse contexto, não serão os EUA e a China os afectados, conforme afirma o professor de política comparada da Universidade Chinesa de Hong Kong, James F. Downes, “Se a guerra comercial se prolongar, com alta de tarifas sobre bens e serviços, é possível que tenhamos uma recessão em escala global, com retração do PIB em vários países, principalmente dos mais alinhados com a China e os EUA”.

Primeiro acordo
No ano passado, os dois Estados anunciaram terem chegado ao primeiro acordo comercial, onde suspendem a aplicação de novas tarifas sobre importações que estavam prestes a entrar em vigor. Agora, precisam que este ano esse acordo crie trâmites legais antes de ser assinado um outro, algo que ainda não foi feito e está longe de acontecer.

Futuro de Donald trump
Em Novembro deste ano, Donald Trump vai procurar a reeleição para Presidente dos EUA no sentido que garantir mais um mandato de quatro anos, evento que vai virar todas as atenções voltadas para quem será o novo inquilino da Casa Branca.
O presidente dos EUA sofre um impeachment neste momento algo que poderá ser decisivo para a sua permanência ou não no poder. A decisão final depende de uma votação no Senado, que tem maioria do seu partido, o Republicano.
O comércio entre os dois países também passa e vai continuar a viver um grande desequilíbrio. Em 2017, as exportações dos EUA para China atingiram apenas 130,37 biliões de dólares, enquanto as importações de produtos chineses somavam 505,6 biliões, causando um déficit de 375,23 biliões para os EUA, o que desagradou as espectativas esperadas. E este indicador vem baixando significativamente.
No relatório da investigação, baseado na secção 301 do Acto de Comércio, os EUA alegam que a China utiliza quatro tácticas não competitivas para adquirir a tecnologia, que é preciso contrapor:
1. Impõe restrições para empresas estrangeiras de países rivais em benefício dos seus parceiros e aumenta a burocracia na licença administrativa. A China também implementou uma estratégia que exigia que investidores estrangeiros fornecessem tecnologia de ponta e em troca da entrada no mercado chinês;
2. Exige processos burocráticos para emissão de licença para empresas estabelecerem operações no país, desobedecendo as regras da OMC;
3. Retiram investimentos estrangeiros no sector de alta tecnologia dirigida pela intervenção directa do Estado;
4. Invade as redes comerciais de computadores americanos, bem como roubam propriedade intelectual dos EUA.

O ataque aéreo ao aeroporto de Bagdá, no Iraque, levado a cabo pelo Exército norte-americano, recentemente, que teve como alvo o major-general Qassem Soleimani, arquitecto da crescente influência militar do Irão na região do Médio Oriente e considerado um herói entre iranianos, provocou um subida abrupta no preço do petróleo no mercado internacional.
O ataque aconteceu exactamente no Iraque, o segundo maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), responsável por uma produção diária de 3,4 milhões de barris, colocando o preço nos 70,0 dólares, até ontem.
Apesar de a Arábia Saudita como os EUA já se mostraram disponíveis para libertar as reservas estratégias de modo a conter a subida dos preços, a verdade é que enquanto durar essas tensões, a tendência é os preços continuarem em sentido ascendente no
mercado internaciona.
Além dos ataques mútuos entre os EUA e o Irão, a Arábia Saudita tinha emitido algumas medidas para contenção no fornecimento de petróleo ao mercado, esta que o maior exportador mundial do crude, por ter sofrido temporariamente um corte para metade da sua produção de cerca de 5,7 milhões de barris dia, depois de duas refinarias do gigante saudita Aramco em Abqaiq e Khurais terem sido alvo de um ataque no fim do ano passado.
Os ataques tinham sido reivindicados pelos rebeldes iemenitas Huthis, apoiados politicamente pelo Irão, grande rival regional da Arábia Saudita, que é parceiro fundamental dos EUA.
Medidas de contenção
Por exemplo, o presidente do Conselho Europeu, que falou ontem ao telefone com o presidente iraniano, Hassan Rohani, apelou Teerão a evitar actos irreversíveis, na sequência do aumento de tensão com os Estados Unidos.
No que conta as tensões na região do Médio Oriente, o presidente do Conselho Europeu reiterou que a União Europeia (UE) está pronta a reforçar o seu empenho com todas as partes a fim de diminuir a conflitualidade na região e no mundo.
Por outro lado, o Presidente iraniano declarou que a UE sempre desempenhou um papel estabilizador e responsável na região e que o Irão está pronto a continuar a sua colaboração com as instituições europeias.
O belga Charles Michel declarou ainda que o Plano de Acção Conjunto Global (JCPOA) - o acordo internacional nuclear com o Irão,- foi um feito importante após 10 anos de intensas negociações, permanecendo uma ferramenta importante para a estabilidade regional.
Já para a Agência Internacional de Energia (AIE), essa subida abrupta era esperada depois dessa escalada de violência, em parte devido a diminuição feita recentemente no consumo de petróleo global, estimada este ano para 102,1 milhões de barris por dia.
Reconhecendo a actual subida, a agência informou que nos próximos meses os preços vão continuar sob forte pressão ascendente à medida que as reservas globais de petróleo vão diminuindo durante o primeiro semestre de 2020, por conta destas tensões.

Novas sanções ao Irão
Depois dos ataques às bases dos EUA no Iraque, o Presidente Donald Trump anunciou novas sanções económicas contra Teerão, mas descartou retaliações militares. A economia do país vai continuar sob pressão máxima do governo Trump, causando estragos de toda ordem no Irão, enquanto enquanto o regime iraniano não abandonar o seu comportamento desestabilizador.
As sanções são sobretudo contra as exportações de petróleo daquele país, que retiram do regime bilhões de dólares em receita que, caso contrário, a sua Guarda Revolucionária Islâmica-Força Quds despenderia para apoiar o Hezbollah, o Hamas e outros grupos terroristas.
Segundo dados avançados, o povo iraniano sofre com o aumento dos preços e um regime focado na exportação de terror, em vez de aliviar as dificuldades no âmbito nacional. O Irão regista uma inflação de 48 por cento, embora os preços de verduras, legumes e carnes tenham subido mais de 100 por cento no ano passado. IB