O Governo angolano gastou 12 milhões de dólares entre Janeiro e Junho deste ano, com a importação de arroz, para satisfazer às necessidades de consumo. Segundo o secretário de Estado da Economia, Sérgio Santos, em declarações recentes à Angop, o Governo angolano gastou uma média mensal de dois milhões de dólares, com a compra de quatro mil toneladas desse cereal. Apesar de ser uma cultura de ciclo curto, o secretário de Estado destacou que o país tem um volume de consumo considerável de arroz, tendo apontado como problema fundamental a questão da baixa produção e a transformação desse cereal no país.

Auto-suficiência
Quanto a possibilidade de atingir a auto-suficiência, Sérgio Santos sublinhou que no país já existe alguma produção de arroz, mas precisa-se sempre de uma máquina para o descasque. “Creio que é possível produzir arroz em quatro meses no país, com duas a três safras por ano, mas infelizmente não existe esses níveis de produtividade”, informou o governante. Para ele, as unidades de descasque de arroz que temos hoje, algumas estão inoperantes, porque estão numa localização muito diferente das unidades de produção. “Temos de fazer investimentos em unidades de descasques de arroz nas zonas onde temos grande produção, fundamentalmente no Bié, em Malanje e nas Lundas”, afirmou. De acordo com dados, actualmente, Angola possui uma produção de arroz de 25 mil toneladas, representando aproximadamente 6 por cento das 400 mil toneladas, consumidas anualmente.

Avultados investimentos
Em Janeiro deste ano, o ministro do Comércio, Joffre Van-Dúnem, afirmou que o arroz faz parte dos produtos agrícolas que deixarão de ser importados nos próximos tempos, tendo em conta os investimentos que estão a ser realizados pelo sector privado. Ao falar à imprensa, após uma visita à fazenda “Vinevala”, Joffre Van-Dúnem, salientou que o investimento do sector privado permitirá que o país deixe de importar definitivamente o milho, feijão, batata-rena, arroz e trigo. “Apelo aos investidores privados que apostem no cultivo destes e de outros produtos agrícolas, enquanto o Governo trabalha para melhorar as estradas e facilitar o escoamento dos produtos para os principais centros de consumo”, disse.