O crescimento nas onze economias responsáveis por 60 por cento do PIB africano, nomeadamente, os exportadores de petróleo do continente e os três países árabes como o Egipto, a Líbia e Tunísia, que abrandou, no ano passado, não vai travar a subida que se espera para este ano, que terá um desempenho melhor em relação a 2019.

O relatório avança quatro direcções possíveis para sustentar este crescimento.
Segundo o estudo, esta região do Globo tem a taxa de urbanização mais rápida do mundo. A perspectiva é de que, nos próximos dez anos, mais de 187 milhões de africanos venham ocupar as cidades, com um número equivalente a metade da população actual dos Estados Unidos, aumentando assim o número de consumidores emergentes.
Outro factor, presente no estudo, está relacionado ao facto de o continente ter a maior população activa no mundo, com previsões de até 2034 atingir os 1.100 milhões de pessoas activas, superando a população activa da China e da Índia.
O continente africano possui ainda as maiores reservas mundiais de recursos naturais essenciais para o crescimento mundial, como são os casos do vanádio, manganês, entre outros minerais.
Por outro lado, um dos pontos fortes de África continua a ser o facto de possuir a maior percentagem do mundo de terras de cultivo não utilizadas, estimadas em 60 por cento e podem ser aproveitadas durante todo ano para maior exploração, acreditam os especialistas internacionais.
Além destes factores, ainda há a possibilidade de crescimento tecnológico, com o digital a superar a tecnologia móvel, uma vez que o continente é a região do planeta com maiores necessidades de investimento neste sector, onde a utilização dos smartphones vai atingir os 50 por cento este ano, contra os 18 por cento alcançados em 2015.
O continente terá igualmente grandes oportunidades com a continuação do crescimento do consumo de particulares e empresas. Actualmente, diz o estudo, o consumo em África ascende a usd 4 biliões, valor que pode atingir os 5,6 biliões em 2025.
Todos esses factores são indicadores positivos que ajudarão a elevar o rápido crescimento nos mercados internos e as cadeias de abastecimento comerciais, oferecendo oportunidades para construção de empresas e de serviços altamente lucrativos.

Consumo intercontinental
Espera-se ainda que o consumo interno cresça cerca de 3,8 por cento ao ano em 2025, para alcançar um valor de usd 2,1 biliões. As despesas em bens de consumo não essenciais é provável que cresçam rapidamente, reflectindo uma classe consumidora africana em expansão. A previsão é de que cerca de metade de todo o crescimento de consumo no período de 2025 irá concentrar-se em 75 cidades. Só o consumo das empresas deverá crescer de usd 2,6 biliões em 2015 para 3,5 em 2025.

Duplicação da produção
África tem ainda, de acordo com o estudo, a oportunidade de quase duplicar a produção do sector transformador, dos actuais usd 500 mil milhões para 930 mil milhões em 2025, uma vez que as economias africanas já não estão baseadas só na exportação de matérias-primas, mas também na exploração da grande procura interna.
Na verdade, três quartos deste potencial poderá este ano advir de empresas sediadas em África, que acompanham esta procura a nível global. Hoje, o continente importa um terço dos bens alimentares, desde bebidas e outros bens processados para o seu consumo e essa tendência prevalece este ano.
Há também um outro quarto do crescimento poderá advir de mais exportações, atesta o relatório, que destaca a industrialização acelerada deste ano como factor relevante para uma mudança decisiva na produtividade e na criação de seis a 14 milhões de empregos estáveis, nos próximos dez anos, se for uma decisão prioritária dos governos.
O continente possui actualmente 700 empresas com receitas de mais de usd 500 milhões, das quais 400 têm receitas superiores a usd 1.000 milhões. Para os investigadores deste organismo, as grandes empresas africanas estão a crescer rapidamente e são, em geral, mais lucrativas que as homólogas globais, sendo que este ano vão registar um crescimento superior ao do ano anterior.
De acordo com dados recentemente publicados, a média da receita anual dessas empresas é de USD 2000 milhões este ano este valor pode atingir, em função dos factores avançados, USD 3000 milhões, o que corresponde a metade do equivalente das grandes empresas no Brasil, Índia, México e Rússia.

África subsaariana cresce
de forma moderada este ano

O Fundo Monetário Internacional (FMI) mantém as suas previsões de crescimento económico positivo para África subsaariana, que este ano poderá registar um crescimento moderado de 3,6 por cento, considerado estável.
De acordo com os dados avançados, embora sendo uma ligeira aceleração no crescimento, a África será a segunda região com maior crescimento em 2020.
Para aquela organização financeira internacional, esta retoma do crescimento será mais lenta do que o anteriormente previsto devido, por causa do ambiente externo ao continente mais difícil, previsto nas ‘Perspetivas Económicas Regionais para a África Subsaariana, divulgadas recentemente em Washington.
Nas suas previsões, o FMI informa que as perspectivas anuais variam muito de país para país, principalmente entre os países ricos em recursos naturais. Nestes, o crescimento pode ser de 2,5 por cento em média, e nos outros, os registos apontam para um valor que atinge os seis por cento.

Riscos eminentes
A verdade é que, à semelhança das perspetivas mundiais, esta região do continente onde Angola se insere, enfrentará riscos em sentido descendente muito elevados, a começar pelas perturbações externas que intensificaram-se com o abrandamento do crescimento das exportações. A nível interno, as incertezas de política dos países continuam a conter o investimento nas maiores economias da região.
O FMI salienta ainda, que embora o peso da dívida média tende a estabilizar, as elevadas vulnerabilidades da dívida pública dos países, as baixas reservas externas vão continuar a limitar o espaço de política em vários países durante todo ano, daí que a organização de Breton Woods, recomenda, por isso, três eixos de actuação fundamentais para os governos, no sentido de reduzirem os riscos e promover o crescimento sustentado e inclusivo, a começar pela política monetária, caminho já iniciado por alguns países, incluindo Angola.
Com um Produto Interno Bruto (PIB) de um trilião, 879 bilhões e 446 milhões de dólares norte-americanos e uma população actual estimada em um bilião, 233 milhões e 883 mil pessoas, o McKinsey Global Institute diz que, apesar da desaceleração das economias africanas, a perspectiva ainda será positiva.

Criação de resiliência
Depois, estes países devem “continuar a criar resiliência, tanto aos choques económicos como aos desastres cada vez mais frequentes relacionados com o clima e aos desafios acrescidos em matéria de segurança, o que requer a melhoria dos quadros de política macroeconómica, a promoção da diversificação económica e o reforço dos setores financeiros”.
Por último, recomenda o FMI, é preciso aumentar o crescimento no médio prazo para criar emprego para a força de trabalho em expansão”, o que se faz através da implementação de “reformas estruturais para fomentar o investimento e a competitividade, abordando de forma abrangente as barreiras tarifárias e não tarifárias no contexto da zona de livre comércio africana”.
O relatório ‘World Economic Outlook’, no original em inglês, não se debruça em pormenor sobre as economias africanas, oferecendo antes uma visão mais global da economia mundial.
Para o conjunto da região da África subsaariana, o Fundo prevê um crescimento de 3,2 por cento neste ano e de 3,6 por cento em 2020, “o que é ligeiramente mais baixo, em ambos os anos, do que o previsto no relatório de Abril”.
Nas previsões, o Fundo antecipa que a inflação por cento este ano para 15 por cento em 2020 e que a balança corrente fique negativa em 2020, em 0,7 por cento do PIB, depois de registar um valor positivo de 0,9 por cento este ano.