A taxa  de pobreza emAngola está estimada em41 por cento, o que se significa que 12 milhões de pessoas estão na linha da pobreza monetariamente, de acordo com o Inquérito de Despesa e Receitas (IDR 2018-2019), divulgado ontem, em Luanda, pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE).  O relatório aponta que o número de pobres nas zonas urbanas está acima de cinco milhões de pessoas e cerca de seis milhões nas zonas rurais. Por seu turno, o director-geral do INE, Camilo Ceita, sublinhou que o inquérito trata da quantidade de dinheiro necessário para acudir as necessidades de alimentação e não alimentares.

Linha da pobreza
“Dos 30 milhões de habitantes, mais de 12 milhões de pessoas estão abaixo da linha de pobreza e não têm 12.500 Kwanzas por mês, para ter o essencial e garantir a sua sobrevivência”, disse. Camilo Ceita referiu que as razões para estes dados são várias destacando a inexistência de infra-estruturas e a falta de empregos.  Entre as regiões rurais mais pobres destacam-se a Huíla, Cunene, Cuando Cubango e Namibe. Em relação às zonas uubanas, estão o Cuanza Sul, Bié e Benguela, sendo que Luanda há menos pobre com cerca de 20 por cento das pessoas. O responsável defende que os países para garantirem as suas políticas públicas e programas têm de saber o que é o pobre. Por isso, acrescentou que o país tem de definir bem a sua linha de pobreza para permitir uma melhor condução das reformas públicas e fazer com que as pesoas possam sair desta “linha vermelha”
em que se encontram. O INE indica que a ocorrência da pobreza é calculada com a linha da pobreza de 1,90 dólares por pessoa por dia, tendo em conta a Paridade de Poder de Compra (PPC) de Angola no ano 2011, ano de referência do cálculo da linha da pobreza internacional que é de 45,7 por cento.

Receitas
De acordo com o director-geral adjunto para a área económica do INE, Paulo Fonseca, a receita mediana total em Angola corresponde a 15.454 Kwanzas por mês, sendo que a fonte de receita mais frequente são as receitas laborais fixado em 9.735 Kwanzas. O IDR 2018-2019 indica igualmente uma gritante desigualidade na distribuição de receitas, sendo que 20 por cento da população com maiores receitas detêm mais de 48 Kwanzas (63 por cento de todas as receitas. O documento revela que o consumo médio mensal por pessoa em Angola é
estimado em 17.569 Kz.