A República da Itália desempenhou, na altura da proclamação da Independência Nacional angolana, um importante papel na afirmação do país como nação soberana, ao ter sido o primeiro a nível da Europa a reconhecer, sem hesitação, o surgimento de um novo Estado em África.
Este facto, incapaz de passar despercebido, foi citado pelo Presidente da República de Angola, João Lourenço, no seu discurso de boas vindas ao homólogo italiano Sergio Mattarella, como de elavada importância.
“A visita de Vossa Excelência a Angola permite-nos rememorar a importância da história e da cultura do vosso país, apreciadas e admiradas pela contribuição que deu à construção do mundo moderno em que todos nós vivemos nos tempos actuais”, disse o estadista angolano.
Por tamanho gesto, o Presidente da República de Angola agradeceu a Sergio Mattarella pelo apoio do governo e do povo italiano, num dos momentos mais difíceis da sua história. Por outra, reconheceu e exaltou a demonstração de amizade e de solidariedade, que segundo disse, se pretende cada vez mais sólida, tal como tem sido possível observar com as sucessivas visitas nos dois sentidos realizadas pelos Chefes de Governo de Angola e da Itália.
Consta que dessa intensa actividade diplomática resultou já na assinatura de vários instrumentos jurídicos que reflectem a vontade dos dois governos em promover o relançamento e a dinamização da cooperação económica, e o intercâmbio empresarial com base no respeito mútuo, na igualdade e na reciprocidade de vantagens.

Vigilância marítima e petróleos
Embora o enfoque das relações seja na cooperação económica que garante o desenvolvimento económico e social dos países, o Presidente de Angola serviu-se da ocasião para destacar a cooperação na área da Defesa, com o fornecimento a tempo, pelos italianos, dos helicópteros AGUSTA, por via de uma empresa sua contratada, e o equipamento dos Centros de Coordenação Marítima, embora ainda por executar, os quais são parte do mais amplo Projecto Kalunga de vigilância marítima e protecção da nossa costa e águas terri,toriais.
João Lourenço não deixou de fazer menção à participação significativa da empresa italiana ENI no sector petrolífero, e com boas perspectivas para a exploração do gás natural, tendo encorajado outras empresas daquele país a investirem em diversos domínios, onde ainda não é expressiva a presença dos seus investidores.

Sessão parlamentar em honra
Em honra à presença do Presidente da Itália em Luanda, o parlamento angolano dedicou-lhe uma sessão solene.
Quanto às trocas comerciais, Angola-Itália chegam a usd 1.341 milhões, dos quais 1.1 mil milhões correspondem às exportações de Angola para a Itália, maioritariamente em produtos petrolíferos, e 341 milhões às importações de Angola, baseadas em máquinas e equipamentos da Itália.

Economia domina cooperação bilateral

O memorando de entendimento entre o Ministério das Finanças da República de Angola e a Caixa de Depósito e Empréstimos da República italiana, assinado esta semana, em Luanda, constitui um instrumento que vai promover e apoiar as empresas italianas na realização de negócios e investimentos em Angola, e de angolanas na Itália. O mesmo abre ainda novas perspectivas para o estabelecimento de parcerias em sectores de interesse comum.
De acordo com o Presidente da República de Angola, João Lourenço, quando dirigiu palavras de honra ao seu homólogo da Itália, é importante que actualmente se olhe para Angola numa óptica positiva, visto que foram tomadas um conjunto de medidas que tornam mais atractivo o investimento externo e os negócios em geral, no país.
“Neste contexto, destaco a colaboração que tem vindo a ser reforçada entre o Governo angolano e o Fundo Monetário Internacional, no âmbito da qual está a ser implementado um programa de reformas económicas, que tem permitido melhorar gradualmente os principais indicadores macroeconómicos e tornar mais sólidas as bases da economia nacional”, disse.
Para o estadista angolano, na arena internacional, Angola acompanha com atenção o desenrolar do conflito israelo-palestino, cuja solução de dois Estados vizinhos a viver pacificamente é conhecida, e recomendada pela esmagadora maioria da comunidade internacional como sendo a mais sábia, aquela que melhor garante uma paz duradoura porque assente na justiça, para aquela região conturbada do planeta.
João Lourenço pediu ao Presidente italiano “que usasse o seu prestígio e influência para sensibilizar os investidores italianos no sentido de encararem sem hesitação as inúmeras oportunidades que o mercado angolano oferece, e das quais podem colher benefícios”.