Os jornais económicos devem seguir, em via de regra, a construção e evolução das economias. No caso angolano, o momento actual é desafiante para o país devido ao novo ciclo político, caracterizado pela abertura económica e que se traduz também na aprovação de leis “mais arejadas” e facilitadoras do investimento privado nacional e estrangeiro. Os mesmos visam propiciar uma concorrência sã, pondo fim aos monopólios em áreas sensíveis. Em entrevista ao Jornal de Económia & Finanças, o consultor e contabilista, Inocêncio das Neves defende, de uma forma geral, que os jornais económicos reflectem aquilo que é o entendimento geral da sociedade angolana em relação à economia. Sem distinção entre público e privado, todos focam-se muito em matérias macroeconómicas ao invés das microeconómicas e de negócios, muito genéricas e trazem uma panorâmica muito prospectiva em detrimento do que é retrospectivo. Por exemplo, os jornais focam-se muito mais na aprovação do OGE do que na Conta Geral do Estado quando deveria ser o oposto. “É necessário que os jornalistas e os jornais estejam melhor preparados para os desafios económicos que se avizinham”, disse. Com os processos de privatização de muitas empresas e participações públicas e advento do mercado de acções em bolsa, será necessária uma nova abordagem informativa. Dumilde Bunga, estudante universitário, considera que os jornais económicos em Angola têm um papel importante na sociedade e em particular para o sector. Ajudam na divulgação de matérias actualizadas do fórum económico, pois são meios que alcançam qualquer tipo de público. Por seu turno, o jurista Belmiro dos Santos é de opinião ser necessário dizer que, graças aos jornais económicos, públicos e privados, o cidadão tem uma melhor interpretação dos vários conteúdos neles escritos; consegue perceber e interpretar o que vai bem ou mal no país. “Lógico que vieram pôr cobro do défice de informações sobre as várias reformas económicas que o Estado tem levado a cabo. Daí que os cidadãos leitores se sentem esclarecidos, quando entram em contacto com estes jornais, porque o que a TV não divulga eles surgem para tal, e com um elevado número de entrevistados e opiniões diferenciadas, o que ajuda a esclarecer melhor os factos. Samuel Paulo, antropólogo, defende a mais-valia dos jornais económicos e diz mesmo que têm grande impacto na sociedade, sejam eles públicos ou privados. “Na verdade, têm jogado um papel preponderante no que diz respeito aos negócios, porque temos visto muitas empresas a ganharem notoriedade nos seus negócios e a conseguirem publicitar melhor os seus serviços. A tiragem dos jornais é que não responde à demanda dos consumidores e quase não chega ao interior. Quando chega, é já com um atraso de dias, às vezes, de meses. Isto não é bom. Agora precisamos é adequar estes jornais à nossa realidade de mercado económico”, manifesta. O técnico de importação, Júlio Vovadiaku, salientou que os jornais económicos em Angola têm um contexto de promoção e rendas, precisam fortificar as suas áreas de Markting, comerciais e de expansão. Isto dará vazão ao seu poder de compra e de aceitação. Embora entre o público e o privado, acredito que o segundo tenha maior impacto no nosso dia-a-dia, porque não tem limite em informar sobre a economia formal ou real.