O metro de superfície de Luanda vai custar três mil milhões de dólares norte-americanos e as obras terão uma duração máxima de três anos, com término previsto para o ano de 2022. Esta garantia foi dada, recentemente, pelo ministro dos Transportes, Ricardo D’Abreu, que em declarações à imprensa, disse que Angola terá uma participação de apenas 30 por cento, cabendo os 70 por cento aos agentes privados nacionais e internacionais interessados em participar no projecto. Ricardo D’Abreu explicou também que uma vez assinado o acordo, o trabalho nas diferentes etapas do projecto, começam, tanto do ponto de vista nacional, como internacional, sendo a intenção permitir que o projecto arranque o mais rápido possível dentro deste ano, para “facilitar a vida dos cidadãos”, garantiu.

Empresa construtura
A obra de construção do metro de superfície de Luanda está a cargo da empresa alemã Siemens Mobility, que começa a erguer as linhas e os terminais de passageiros a partir do II semestre deste ano, no âmbito de uma Parceria Público-Privada.
A Siemens é um conglomerado industrial alemão, sendo o maior da Europa e um dos maiores do mundo. Mundialmente, a multinacional emprega mais de 360 mil pessoas em 190 países e a sua receita foi de aproximadamente 76 bilhões de euros no ano fiscal de 2013. O memorando que prevê dar corpo a uma das infra-estruturas mais importantes do país em matéria de mobilidade urbana, foi assinado recentemente, em Luanda, pelo director executivo da empresa germânica, Michael Peter, e o ministro angolano dos Transportes, Ricardo D’Abreu, no quadro da visita da Chanceler alemã, Angela Merkel, ao país. Sobre as linhas de crédito, Ricardo D’Abreu sublinhou que estão bem definidas, a nível macro, e que a primeira fase já está bastante desenvolvida.

Cacuaco e Kilamba
A linha vai ter uma extensão de 149 quilómetros, para cobrir os eixos principais de Luanda, isto é, do Porto de Luanda a Cacuaco, Avenida Fidel Castro Ruz-Benfica, Porto de Luanda-Largo da Independência e Centralidade do Kilamba-Largo da Independência.
O Plano Director de Luanda já aprovado pelo Executivo prevê, além do metro de superfície, dois sistemas, nomeadamente o Bus Rapid Transit (BRT) e o Veículo Rápido sobre Trilhos (carris), o conhecido VLT.
Um projecto antigo
A história da construção do metro de superfície tem mais de 10 anos e nunca saiu do papel. O projecto começou com o então ministro dos transportes, Jose Luís Brandão e depois atingiu uma outra fase com o antigo ministro do mesmo sector, Augusto da Silva Tomás. O mesmo previa a conclusão em 2017. De lá para cá já passaram dois anos, mas este ganha agora um novo fôlego. A obra que teria suporte financeiro chinês, passa agora
a ter apoio alemão.
A iniciativa do Estado é boa, mas os cidadãos estão preocupados que o projecto não saia do papel como aconteceu há anos atrás, quando o Executivo anunciou projectos semelhantes e não chegaram a ser concretizados. Mas os tempos agora são outros e parece que desta vez as coisas serão diferentes.
Na altura, o sistema de transportes para a província de Luanda, que contava com mais de 6,5 milhões de habitantes, precisava de um transporte que retire a pressão ao transporte rodoviário da capital, razão pela qual o Governo angolano decidiu apostar forte na criação também de corredores específicos para autocarros e reforçar a oferta de transporte público através de linhas de catamarãs até ao centro da capital, mas essa solução mostrou-se pouco funcional.

Fim dos problemas?
O metro de superfície pode ser a solução para o problema dos transportes de Luanda, uma vez que os transportes públicos na capital e no país ainda são precários e noutras cidades angolanas é igualmente um verdadeiro problema. Os taxistas, vulgo kandongueiros, têm sido a solução mais viável para conter a falta de alternativas.
A este respeito, o Executivo tem uma visão para o transporte sustentável em Angola, onde Governo e as autoridades dos Transportes estão empenhadas no futuro do sistema de mobilidade nacional. Para tal, é fundamental ter uma estratégia clara, que visa resolver e dar soluções claras a um dos maiores problemas nas cidades do mundo inteiro, com repercussões económicas, sociais e ambientais para os seus cidadãos.

Vantagens imediatas
O metro de superfície tem inúmeras vantagens, a começar pela poupança de tempo e maior produtividade devido a um menor congestionamento do trânsito nas cidades, a melhoria da qualidade do ar e protecção ambiental devido à redução de emissão de CO2, uma maior segurança nas estradas, resultando na redução de causalidades e acidentes e a também um melhor aproveitamento do espaço urbano.