O governo da província do Namibe aplicou dois mil milhões de kwanzas para a compra de meios alimentares e não alimentares, investimento que atendeu um universo de 159 mil pessoas afectadas pelo fenómeno cíclico da estiagem.
A afirmação é do comandante provincial da Gestão de Protecção Civil do Namibe, inspector-chefe bombeiro, Ernesto Chalêngua, que em declarações ao JE disse que o actual quadro da seca na região ainda é preocupante e inspira cuidados, na medida em que, a população continua a pedir mais socorro tanto em termos de alimentos como em água.
Referiu o prolongamento da época seca que está causar constrangimentos em termos de pasto, uma vez que a chuva tarda em cair e deste facto proporcionar mais água para acudir 810 mil cabeças de gado bovino, 1,2 milhões de caprino e ovino que estão afectadas. Das cabeças de gado assoladas pela seca, já morreram 1.727 bovinos, 561 caprinos e 627 ovinos. Regista-se ainda 236 currais que se movimentaram à procura de zonas pastorais para garantir a segurança alimentar desses animais e seus criadores.

Distribuição
Foram distribuídas mais 400 toneladas de produtos diversos, entre alimentares e não alimentares, para além do feno que foi distribuído
para a recuperação do gado.
O gestor pela Protecção Civil revelou que as empresas Hidroplanalto, Sela Group, CSN, Conseas e ENG-Com trabalharam na abertura de vários furos de água, sendo que dos 43 previstos inicialmente, a maior parte já está concluída.
“Naquilo que tem a ver com apoio em água, nós estamos razoavelmente bem servidos, mas o maior problema prende-se com as zonas de pasto, o que implica haver maior transumância de gado e seus criadores, evitando que a população se mantenha nos seus locais”, indica.

Stocks
Quanto à existência de stocks disse ter recebido orientações para não haver mais reservas alimentares, uma vez considerar a situação “bastante preocupante”.
Para as zonas de difícil acesso, o comandante Chalêngua assegura ter havido uma empresa designada “ITI”, contratada para o efeito, que está incumbida a fazer chegar os produtos a estas localidades.
O comandante para Gestão de Protecção Civil solicita o contributo dos órgãos de comunicação social públicos e privados no sentido de continuarem a disseminar a informação para a mobilização de mais apoios, até ao aproximar da época chuvosa, que poderá permitir que haja mais pastos e as pessoas voltarem às suas zonas de origem “porque senão de outro jeito, vamos continuar a ter os mesmos problemas de sempre”.