A maior feira da província da Huíla, também denominada “Expo-Huíla”, que decorre sob o lema central “Uma aposta na produção nacional”, está a proporcionar inúmeras oportunidades à classe empresarial local bem como garantir empregos temporários a várias pessoas, principalmente jovens.

Com uma área de exposição de aproximadamente 3.500 metros quadrados e 180 stands, perto de 230 empresas de diversos sectores económicos, com realce para o da hotelaria e turismo, tecnologia de informação, indústria transformadora, banca, prestação de serviços, transporte, cultura e arte, estão presentes para promover as potencialidades da região, apesar da exiguidade do recinto para albergar o crescente número de homens de negócios.

Ganhos
Eventos deste género servem de barómetro para, por um lado, encetar parcerias e, por outro, garantir emprego a várias pessoas. Umas já vão na sua segunda participação como trabalhadoras “ocasionais” e outras pela primeira vez. Exemplo disso, é do jovem Afonso Dias, 18 anos, natural do município do Lubango, estudante da nona (9ª) classe, na escola 1º de Dezembro.

Rigorosamente trajado com a indumentária (camisola e chapéu) da empresa Atlas Group (Comércio e Indústria), Afonso disse à reportagem do JE, que o evento é muito benéfico. “Com os cinco mil kwanzas que vou ganhar por dia, neste contrato de seis dias, irei comprar algumas coisas que me faça muita falta”. No stand da Atlas Group, Afonso Dias tem a tarefa de servir refrigerantes aos visitantes.

Priscila Mateus, 22, está presente na 21ª edição da Expo-Huíla como expositora no stand da operadora de telefonia móvel, Movicel. A jovem concluiu no Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED), no ano passado, na cidade do Lubango, o curso superior de história. Priscila tem um sonho: “quero ingressar nos quadros da Educação”. Ainda assim Priscila Mateus não baixou os braços e por altura do recrutamento que as empresas participantes à feira relizaram para o pessoal de apoio, a jovem licenciada concorreu e foi aceite.

“Uma mais-valia, estes empregos temporários, uma vez que, normalmente, as feiras são realizadas em fases de pausa pedagógica, o que contribui para a presença e participação de muitas empresas e pessoas (visitantes) oriundas de vários cantos do país”, revelou, depois de ter acrescentado que a Expo-Huíla “é uma forma de as pessoas tomarem contacto com vários produtos, num mesmo espaço, com várias opções e possibilidades de adquiri-los a preço baixo”.

Por sua vez, Alice Neto, 20, estudante do curso de gestão e marketing, no ISPI, instituição localizada na cidade do Lubango, está a expor os produtos da empresa Ngola, que na Huíla conta com uma unidade industrial que produz vários refrigerantes, com realce para as marcas Coca-Cola, Fanta, Sprite e Youk. Alice encontrou na feira o seu primeiro emprego, onde do contrato assinado para os seis dias de exposição receberá um montante a rondar os cerca de 8.500 kwanzas/dia. A jovem estudante sublinhou que eventos desta natureza fortalecem a economia nacional, já que, segundo avançou, “possibilita aos empresários de outras províncias encetar parcerias e conhecerem as potencialidades do Lubango de forma particular e da Huíla no geral”.

Apesar de ainda não ter experiência no sector comercial, a sua tarefa no stand da Ngola é promover a marca aos potenciais clientes e parceiros. “A Ngola é uma empresa de grande gabarito a nível regional, até porque existem muitas pessoas a viver em Benguela, que fazem as suas compras na nossa fábrica”, revelou.

Depois de ter participado na Expo-Huíla 2010, pela segunda vez, Madalena Faria, 21, estudante da 11ª classe, frequenta o curso de Ciências Jurídicas, no Lubango, no colégio MFL, participa numa feira idêntica. Em 2010, representou a mesma empresa. A Tandavala (água de nascente natural, firma que no Lubango conta com uma fabrica de produção de água mineral. “Sempre tive o privilégio de expor os produtos desta empresa, principalmente a água Tandavala e o vinho, este último produzido em Portugal”, disse.

Como nem tudo é ouro, Madalena Faria revelou que este ano, os lucros do contrato temporário não serão os mesmos que na edição passada, uma vez que a empresa contratante baixou o preço do contrato. “Em 2010, pagaram-me 30.000 kwanzas em seis dias, mas este ano, no mesmo período receberei 15.000 kwanzas. É metade do valor do ano anterior mas que fazer!”.

Transporte
Gilson Castro, 22, está na maior bolsa de negócios da região a representar a empresa Indagro, que, na província da Huíla, comercializa os produtos da multinacional japonesa Toyota. Há três anos como funcionário desta firma, o jovem destacou que o balanço é bastante positivo, na medida em que muitos clientes, apesar de conhecerem a marca, ainda assim procuram o stand.

Hotelaria
Dilma da Silva, 18, natural do Lubango, a frequentar o curso de ciências económicas e jurídicas, no colégio 1, 2 e 3 também está na feira a expor os produtos da empresa Vihua Lodge (hotelaria e turismo). A firma tem a sua sede no município dos Gambos, numa área que dista 175 quilómetros (sendo 95 km de estrada asfaltada e 80 de picada) da cidade do Lubango. Dilma participa pela segunda vez consecutiva e na mesma empresa. Apesar de ser um trabalho de curto prazo, a jovem confessou que está a adquirir uma boa experiência, principalmente no contacto com as pessoas.