Angola vem se tornando, nos últimos meses, num país mais aberto ao mundo e, por isso, mais amigo do investimento, e mais aberto ao turismo.
Foi desta forma que o Presidente João Lourenço, na sua intervenção, quarta-feira última, no Parlamento Europeu, chamou à si a atenção dos eurodeputados sobre a abertura a chegada de investidores para os desafios de Angola.
Disse ainda que “Angola está aberta ao investimento privado estrangeiro, praticamente em todos os ramos da economia, da agricultura e pecuária, das pescas, da hotelaria e do turismo, da indústria transformadora e dos materiais de construção, da refinação e distribuição dos derivados do petróleo e gás natural, da construção e operacionalização de infraestruturas rodoviárias, ferroviárias e portuárias, assim como da produção distribuição e gestão de energia eléctrica e águas”.

Cruzada contra corrupção
No quadro da moralização da sociedade, da criação de um melhor ambiente de negócios e de maior atenção ao investimento privado estrangeiro, João Lourenço disse que se está a levar a cabo uma verdadeira cruzada contra a corrupção e a impunidade em toda a sociedade, com destaque para os chamados crimes de colarinho branco, cujo os resultados positivos, asseguramos, que em breve começaremos todos a sentir e a beneficiar.
Paralelamente, disse, um conjunto de outras medidas vêm sendo adoptadas como a recente aprovação pelo Parlamento angolano da nova Lei da Concorrência que tem como objectivo prevenir e sancionar as acções dos agentes económicos que não cumpram as regras da concorrência, a aprovação da Lei do Investimento Privado, que se tornou mais atractiva para o investidor no geral, e em particular para o investidor estrangeiro.
“No mesmo quadro de moralização da sociedade, combate à corrupção e à impunidade, decorrem nos competentes órgãos de Justiça processos crimes contra aqueles cidadãos que presumivelmente terão lesado o Estado em centenas de milhões de dólares americanos, aguardemos pelo seu desfecho”, reiterou o chefe de estado angolano.
No seu duscurso, o Presidente João Lourenço não deixou de frisar que com vista a resolução dos principais problemas sociais do cidadão, como o acesso à água potável, energia eléctrica, recolha e tratamento dos resíduos sólidos, transporte público, escola, cuidados primários de saúde e outros, só possível no quadro de uma governação cada vez mais próxima do cidadão através de órgãos por si eleitos, estão a ser preparadas para 2020 as primeiras Eleições Autárquica. Disse que elas vão ser realizadas de forma gradual, de modo a dotar progressivamente os diversos municípios de autonomia financeira, patrimonial e administrativa.

Ana Gomes felicita
Muito crítica à Angola e ao Governo, a eurodeputada Ana Gomes usou a sua conta no twittwe e parabenizou a intervenção do presidente angolano.
A portuguesa Ana Gomes, que nem sempre toma a posição equidistantes devido a determinados interesses em Angola, admitiu que o discurso sobre o combate à corrupção e o da recuperação dos capitais ilícitos sedeados em contas no estrangeiro que o presidente angolano e o seu governo encentam é para levar a sério pela forma reiterada e pública como têm sido manifestadas.

Contributo de África é inegável

O presidente da República de Angola, João Lourenço, na sua intervenção no parlamento europeu, lembrou aos americanos, num dia em que os EUA celebrava a sua independência, e aos próprios europeus, que África contribui grandemente para os actuais níveis de prosperidade que estes continentes revelam.
João Lourenço admitiu que África vive hoje um clima de conflitos internos, de insegurança, de crise económico-financeira, de terrorismo, de fome e pobreza e como consequência vem conhecendo sucessivas vagas de imigração em direcção à Europa.
“Acreditamos que isso será no interesse de todos, que a África e a Europa só têm a ganhar, com uma África capaz de reter os seus filhos no continente, através de uma maior oferta de emprego de melhores condições de vida no geral. Não se trata de mero sonho mas de algo que pode vir a ser uma realidade se discutirmos sempre de igual para igual, sem complexos de tipo algum, com realismo e pragmatismo”, disse.

“uma situação que
a todos nos envergonha”

A emigração massiva de africanos para zonas seguras mais próximas do continente, com destaque para a Europa, é uma situação que envergonha as lideranças do continente sem excepção.
No entender do Presidente João Lourenço, diz-se que os emigrantes o fazem por vontade própria, mas a verade está no facto destes partirem em busca de segurança e emprego, por exemplo.
“Os filhos de África vão, hoje, para a Europa na condição de emigrantes, dirão alguns que de forma voluntária o que é discutível. Para sermos francos, fogem dos conflitos armados, da fome e da miséria que assolam alguns dos nossos países. Fogem do desemprego e da falta de perspectivas por um futuro melhor. Todos somos responsáveis por este quadro com que muitos países africanos se confrontam”, disse no discurso.
Mas João Lourenço entende que a melhor forma de combater a emigração é mesmo o de a Europa apoiar a produção interna, no continente, de bens e serviços, actualmente feitos no exterior.
É nesta conformidade, que apelamos a União Europeia, a estabelecer com o nosso continente, um modelo de cooperação que a médio, longo prazo possa contribuir para reverter o actual quadro, que ajude nossos países a passar de meros exportadores de matérias- primas, para produtores de produtos manufacturados, industrializados, como garantia de uma maior oferta de emprego e de oportunidades de negócios para os nossos cidadãos.
Dados colectados sobre a emigração africana à Europa dão conta que número de pedidos de asilo em 2017 foi o triplo do registrado no primeiro ano da década. Dados mais recentes inciam que em 2017 totalizaram-se mais de quatro (4) milhões de migrantes africanos a residir no velho continente. Maioritariamente oriundos da África Subsaariana, as indicações de ornaismos internacionais avançam que uma das preocupações está no facto de o crescimento previsto para 2018, por exemplo, da região ser de 3,2 por cento, mas o desemprego estar em 7,4.