Por outro lado, de acordo com o relatório sobre as Perspectivas Económicas Mundiais divulgado no fim de 2019, em Washington, os peritos do FMI afirmam que a economia angolana, por causa do declínio na produção petrolífera no ano passado, começa a recuperar, mas de forma moderada este ano.
Numa outra previsão, a Fitch, por exemplo, afirma que o país, que evitou uma nova recessão em 2019, crescendo somente 0,4 por cento, regista uma aceleração de dois por cento este ano, mantendo, no entanto, uma perspectiva de evolução negativa.
Já o Governo angolano perspectiva que a economia nacional venha apresentar resultados positivos em 2020, caso se mantenham, ao longo do ano, as previsões internacionais do preço médio do barril do petróleo, que estava a ser vendido a 61,50 dólares norte-americanos e com as tensões no Médio Oriente passou a ser comercializado a 70,0 dólares o barril. O remanescente dá sempre uma maior folga ao OGE do ano em curso.
Para o ano em curso prevê-se, igualmente, taxas positivas e a retoma do crescimento económico no país, alimentada pelo aumento da taxa de crescimento do sector não petrolífero, apesar do abrandamento da redução da produção petrolífera registada no passado.

Indicadores animadores
O sucesso do Programa de Estabilização Macroeconómica iniciado em Janeiro de 2018, com sinais positivos em 2019, começam a ter os seus principais ganhos ao longo deste ano, registando assim um saldo orçamental positivo superior ao do ano passado, que assinalou saldo a marca dos 1,3 por cento do PIB.
Angola saiu da situação orçamental deficitária que se encontrava desde 2015 para um estágio superavitária de grande importância, o que significa que o país terá menores necessidades de endividamento e pode escapar de uma autêntica armadilha da dívida nos próximos três anos.
De acordo com dados avançados pelo Executivo angolano, houve com isso uma diminuição das taxas de juro praticadas no mercado nacional em 2019, tendo as despesas com o serviço da dívida representado cerca de 51 por cento do total da despesa do Orçamento Geral do Estado, o que é uma cifra relativamente alta, que conforta o ano todo de 2020.
O Executivo realizou o ano passado um trabalho acérrimo para reduzir a dívida pública, que ronda actualmente os 90 por cento do PIB e para este ano, o Executivo garantiu trabalhar para colocar a dívida abaixo dos 60 por cento do PIB com prazos que se estendem ao ano de 2022.

Situação monetária
No domínio monetário, registou uma ligeira descida na inflação, que de lá para cá, continua a percorrer uma trajectória descendente. Nos últimos 12 meses, esta situou-se em 17,24 por cento, um nível inferior em 1,36 pontos percentuais ao observado em igual período de 2018, que foi de 18,6. As previsões apontam para uma descida de dois pontos percentuais este ano.
Até 2022, de acordo com o Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN), os grandes esforços do Executivo vão continuar a ser direccionados à política fiscal, monetária e cambial de modo que, neste período, o país possa voltar a ter taxas de inflação anuais de um só dígito.

Contas externas
Quanto às contas externas, notou-se que, a conta corrente da Balança de Pagamentos saiu de um défice de 0,5 por cento do PIB em 2017, para um superávit de 7,0 por cento do PIB em 2018, e o saldo desta melhorou ao sair de um défice de 4,0 por cento do PIB em 2017 para um défice de apenas 0,5 por cento em 2018. Este é um sinal positivo que vai animar a economia ao longo do ano.
No domínio das Reservas Internacionais Líquidas, que situavam-se em 10 mil e 290 milhões de dólares, contraindo os 354 milhões e 80 mil em relação ao saldo no final de 2018, teve uma melhoria considerável em 2019, voltará a crescer em 2020.

Legislação de apoio
Há igualmente um conjunto de factores que vão permitir que o desempenho da economia seja positivo, que tem a ver com o recente processo de revisão das leis do Sistema Financeiro angolano, no caso a Lei de Bases das Instituições Financeiras, do Combate ao Branqueamento de Capitais e do Financiamento ao Terrorismo, do Sistema de Pagamentos de Angola e a Lei do Banco Nacional de Angola, realidade legislativa que vai conferir maior credibilidade ao sistema financeiro angolano e a economia nacional.

Apoios aos empresários
A continuação do apoio aos empresários nacionais pelo Estado, com vista a tornarem-se cada vez mais competitivos e fortes, via PRODESI, para que estes possam ajudar a produção nacional, visando a diminuição ou eliminação das importação destes produtos, pode constituir uma alavanca ao desenvolvimento do país.
O Programa de Apoio ao Crédito, principal suporte do PRODESI, que já está em implementação, com intervenção de 8 bancos comerciais, conta com uma linha de crédito com juros bonificados no valor de 141 mil milhões de kwanzas com efeitos imediatos este ano, além do ajustamento recentemente feito à pauta aduaneira, vão estabelecer o necessário alinhamento entre a importação dos produtos da cesta básica e de outros produtos prioritários para a produção nacional destes produtos a nível interno.
O Orçamento Geral do Estado deste ano conta com receitas estimadas em 15,9 biliões de kwanzas e despesas em igual montante. No que diz respeito à taxa de inflação mensal, o Banco Nacional de Angola mantém esta, por enquanto, nos 1,5 por cento e prevê menos oscilações.