A imagem fala por si. Um cenário do qual parece estarmos “irremediavelmente” agarrados. Cada um engendra o que pode para fazer face à vida. O informal continua a ser um imperativo. Uma gama incalculável de pessoas teve e continua presa ao negócio feito nas ruas para o sustento familiar.
Não o fazem porque assim o querem, fazem-no porquanto a realidade decidiu empurrá-las para tal estado de coisa. Tudo passou a valer desde que o desafio passasse por arranjar “alternativas” ao emprego, mas é preciso encontrar soluções capazes de criar empregabilidade e dar uma vida melhor às pessoas que, no fundo, e na condição de contribuintes, velam e sustentam também as receitas públicas, debitando do pouco que ganham para o “milheiro público”.
Satisfaz a informação de que para o Orçamento Geral do Estado (OGE) a prioridade recai para as actividades económicas, ou seja, o “relançamento da economia”, como publica o Jornal de Angola, na sua edição de ontem. Diz ainda que o OGE tem despesas e receitas estimadas em 15.875.610.485.070,00.
Na ocasião da entrega à Assembleia Nacional da proposta do OGE, o ministro de Estado da Coordenação Económica, Manuel Nunes Júnior, deixou claro de que se pretende que o “país saía do campo negativo de crescimento e entre para uma retoma económica”. Tal pressupõe dar mais apoio financeiro aos sectores como o da Agricultura, Pescas e Indústria transformadora, entendidos por Manuel Nunes Júnior como os que “deverão garantir os recursos necessários para que o país saía do campo negativo em que se encontra do ponto de vista do crescimento“.
Como se pode aferir neste “Destaque” do JE sobre a “Empregabilidade e as suas alternativas”, há urgência de se encontrar já alguma solução para o problema que afecta grandemente a economia e que tem levado a um insustentável quadro de miséria. Para algumas pessoas entrevistadas pelo JE, não basta a boa vontade e a intenção de querer servir, é o momento de se tornar prática e reais os desafios a que nos propusemos. Entretanto, fica mais difícil se nos atermos ao resumo às informações da reunião do dia 25/10 sobre a Liberalização Cambial realizada no Museu da Moeda, promovida pelo BNA que, entre outras observações, retivemos algumas: “Recomendou-se a aposta na diversificação económica, menos dependente do exterior e que potencie às exportações e traga valor acrescentado à circulação mercantil. E pediu-se ainda maior controlo das linhas Estado a Estado onde, mais uma vez, chineses não incorporam valor acrescentado porque deixam ficar todos os recursos cambiais no exterior e pagam os custos locais em Kwanzas, obtidos através de negócios diversos praticados internamente, “sob o olhar silencioso das autoridades, ficando mais competitivo recrutar um técnico chinês do que um angolano, mesmo que seja trabalhador braçal”, escreveu o empresário Carlos Cunha.
Entretanto, Manuel Nunes Júnior também falou da necessidade de não se entrar naquilo que caracterizou como uma eventual “armadilha da dívida”, que existe quando um país tem défices sucessivos e tem de contrair dívidas para pagar outra dívida anterior. “O Executivo está a fazer de tudo para que não caiamos numa situação desse tipo”, assegurou. Que assim seja, para o bem de uma economia que se quer próspera. Sairemos todos a ganhar, obviamente.