Só com paz o continente pode atrair o investimento privado estrangeiro, industrializar-se e passar a acrescentar valor aos seus principais produtos de exportação, de acordo com o Presidente da República, João Lourenço, que discursava esta semana, na abertura da Bienal de Luanda-Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz. João Lourenço referiu igualmente, que África deve encontrar soluções sustentáveis para muitos problemas que ainda vive, com realce para a fome, miséria, doenças, analfabetismo, as desigualdades sociais, o desemprego galopante, terrorismo, o fomento do tribalismo e a xenofobia. No seu entender todos estes problemas atrasam o desenvolvimento dos países africanos e o bem-estar das populações, acrescentando que um evento desta envergadura implica o intercâmbio de ideias das cabeças pensantes e criativas do continente, responsáveis por acções de empreendedorismo e informação.

Aposta
Destacou ainda a necessidade de se explorar em tempos de profunda globalização, o que de melhor se produz e se pratica no campo da Cultura, Educação, Ciência, das Tecnologias e da Investigação. Acrescentou ser importante “preservar e ter a capacidade de fazer coabitar as nossas formas, nossas culturas e tradições africanas com aquilo que todos os dias recebemos da cultura de outros continentes e povos por intermédio dos diferentes médias”. Para o estadista angolano, a Bienal de Luanda-Fórum Pan-africano da Cultura da Paz representa um passo importante para aprofundar o conhecimento das diferentes realidades africanas e reafirmar a identidade no campo político, cultural e artístico e para uma troca fecunda de ideias. Sublinhou que estas ideias concorrem para o progresso e desenvolvimento de África, acrescentando que a Bienal sirva igualmente para atrair parceiros, designadamente empresas do sector público e privado, organizações filantrópicas e fundações, governos e bancos de desenvolvimento, organizações internacionais de natureza económicas regionais dispostos a contribuir com fundos e recursos para a cultura de paz em África e em várias diásporas.

África próspera
Neste sentido, o presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki Mahamat, considerou que “a ambição é, agora, alcançar uma África íntegra, próspera e em paz, e que o calar das armas deve ser um projecto que a todos nos toque”. Para Moussa Faki Mahamat, o evento que Luanda acolhe é uma oportunidade para se cultivar a paz em África, destacando o papel da media na promoção da mesma. Na sua opinião, sem a paz não haverá desenvolvimento, razão pela qual deve haver o comprometimento dos africanos com um mesmo objectivo, caminhando sempre juntos e unidos. Durante cinco dias de actividades serão abordados temas como a “Confirmação de promessas de financiamento para África”, “Acordos e depoimentos de parceiros institucionais”, “Compromissos e testemunhas de parceiros do sector privado”, “Projectos e iniciativas para financiar em África”, “Prevenção da violência, resolução de conflitos” e outros.