O Presidente da República, João Lourenço, defendeu ontem a implementação de uma estratégia que permite refinar internamente os produtos derivados do petróleo.  A estratégia visa evitar que Angola dependa consideravelmente da importação de produtos refinados derivados do petróleo.
“Não tem lógica que Angola, como produtor de petróleo, e com altos níveis de produção, continue a viver quase que exclusivamente da importação de produtos refinados”, afirmou João Lourenço.
 O Chefe de Estado considerou fundamental que a par da Refinaria de Luanda, cuja capacidade de refinação diária ronda os 44 mil barris, o país deve apostar na construção de outra, independentemente do investimento ser público ou privado.
As duas possibilidades devem ficar em aberto. O que pretendemos é que o país tenha mais refinarias, sublinhou o Estadista durante a cerimónia de empossamento do secretário de Estado dos Petróleos e do Conselho de Administração da Sonangol.
Em relação à concessionária nacional de combustíveis, Sonangol, reconheceu que continua a ser a “galinha dos ovos de ouro” da economia do país, daí que a sua administração vai exigir maior responsabilidade dos novos gestores. “Devem cuidar bem dela”, afirmou o Presidente aos membros do Conselho de Administração da petrolífera nacional empossados esta quinta-feira.
Entretanto, a nova administração da Sonangol toma posse depois de, na quarta-feira, o Presidente da República ter exonerado Isabel dos Santos, do cargo de presidente do Conselho de Administração, e outros membros da petrolífera angolana.
Numa nota de imprensa, a Casa Civil do Presidente da República informa que foi nomeado secretário de Estado dos Petróleos Paulino Fernando de Carvalho Jerónimo.
Além de Carlos Saturnino, o Presidente da República nomeou outras entidades para integrarem o Conselho de Administração da petrolífera estatal; nomeadamente, Sebastião Pai Querido Gaspar Martins, administrador executivo; Luís Ferreira do Nascimento José Maria , administrador executivo;  Carlos Eduardo Ferraz de Carvalho Pinto, administrador executivo; Rosário Fernando Isaac, administrador executivo; Baltazar Agostinho Gonçalves Miguel, administrador executivo; Alice Marisa Leão Sopas Pinto da Cruz, administradora executiva; José Gime, administrador não executivo; e André Lelo,  administrador não executivo.
O novo Presidente exonerou, em 50 dias de governação, as administrações do Banco Nacional de Angola e de empresas estatais nomeadas pelo anterior Chefe de Estado.
Nas comemorações do 42.º aniversário da independência angolana, João Lourenço alertou para os “inúmeros obstáculos no caminho” deste mandato, mas garantiu que as metas que assumiu, desde logo no combate à corrupção, são para encarar “com a devida seriedade e responsabilidade”.

Orçamento Geral
Executivo prevê, no Orçamento Geral do Estado para o próximo ano,  uma  produção de petróleo de 1.649.910 barris por dia a um preço de 45 dólares o barril.
Contudo, uma quase paralisia da indústria petrolífera, em resultado de processos de gestão extremamente burocratizados e ineficientes, por parte da Sonangol, é a principal constatação que resultou do diagnóstico mandado fazer ao sector pelo Presidente da República, João Lourenço.
Ao JE fontes do sector garantiram que o grupo de trabalho já finalizou a sua missão, que estava fixada para um período de trinta dias, no despacho presidencial que determinou a sua constituição.   
Soube-se ainda que o relatório descreve um conjunto de constrangimentos e práticas que prejudicaram, de modo assinalável, as operações do sector petrolífero, o mais penoso de todos eles o facto de a extrema burocracia imputada à gestão da Sonangol ter elevado à cifra de cinco mil milhões de dólares os processos que esperam aprovação na concessionária nacional.
Foi no início de Outubro último que o Chefe de Estado, João Lourenço, recebeu, em audiência, representantes das empresas petrolíferas, a pedido destas. Na sequência do encontro, o Presidente da República, em despacho datado de 13 de Outubro, deu um prazo de 30 dias, para que o grupo liderado pelo ministro dos Recursos Minerais e dos Petróleos, Diamantino Azevedo, apresentasse um plano para o sector, em resposta à “necessidade de melhorar as actuais condições de investimento na indústria de petróleo e gás, como condição relevante para o desenvolvimento futuro do país”.  
Além do ministro dos Petróleos, constituíram o grupo de trabalho o ministros das Finanças, Archer Mangueira, e representantes da Sonangol, BP Angola, Cabinda Gulf Oil Company (Chevron) Eni Angola, Esso Angola, Statoil Angola e Total E&P.

Perfil de Saturnino
Carlos Saturnino está de regresso à Sonangol. Depois de ter sido afastado da presidência da comissão executiva por Isabel dos Santos, o até agora secretário de Estado dos Petróleos vai liderar a petrolífera, em pouco mais de um mês.
Economista de profissão, já trabalhou em empresas do sector petrolífero como a Sonils e Sonamet. E foi afastado da petrolífera angolana Sonangol em dezembro de 2016, quando Isabel dos Santos decidiu exonerar a comissão executiva da empresa responsável pela pesquisa e produção de petróleo.
Além da entrada de Carlos Saturnino, entre os novos administradores da Sonangol está Sebastião Pai Querido Gaspar Martins, que já tinha estado no Conselho de Administração da Sonangol. Já Luís Ferreira do Nascimento José Maria foi administrador executivo da Sonair, a transportadora aérea detida pela Sonangol.