Em termos reais, o aumento da oferta petrolífera poderá fazer com que cerca de dois milhões de dólares/dia sejam contabilizados à receita bruta ao preço referência de 55 dólares. Considerando-se a diferença positiva acima dos 10 dólares que se regista entre o preço estimado e o real, há em vista uma receita diária acrescida de usd 2,27 milhões. Na recente reunião da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP), Angola, através do ministro Diamantino Azevedo, vincou a intenção de subir mais 35 mil barris/dia à sua produção de 1.390.000, de 2019, para 1.436.000 de barris/dia, em 2020. O Governo de Angola pretende vender, este ano, a sua produção petrolífera a um preço médio de 55 dólares por barril (recipiente de cerca de 122 litros), conforme estimou no Orçamento Geral do Estado (OGE) que já está em execução há três dias. As previsões de organismos internacionais situam o preço de negociação da commodity (bens negociáveis em bolsa) nos 65 e 70 dólares. Ontem mesmo, as encomendas para Fevereiro estavam a ser feitas a um preço referência de 68,38 dólares, uma queda de 0,06 dólares se comparado aos 68,47 dólares com que fechou a sessão anterior. Fora o mês de Dezembro (cuja informação ainda não está disponível na página de internet do Ministério das Finanças), nos 11 meses de 2019 a venda consolidada de 418.561.651 barris/ano a um preço médio de usd 62,72 gerou uma receita bruta em kwanzas de 3,20 biliões, que representam os cerca de 27 por cento em impostos recebidos pelo Estado aos produtores.Em termos brutos, fruto da venda dos 418 milhões de barris ao preço médio de 62 dólares, a receita petrolífera, em 2019, aproximou-se aos kz 13 biliões equivalentes a usd 26,2 mil milhões. O Imposto sobre o Rendimento de Petróleo (IRP) gerou uma receita, em 2019, de kz 878,2 mil milhões; o Imposto sobre a Produção de Petróleo (IPP) notou 188 mil milhões; o Imposto sobre a Transacção de Petróleo (ITP) ficou com 42,1 mil milhões e a receita da Concessionária foi de 2,05 biliões, respectivamente.

Desempenho de sobe e desce
No recente relatório sobre o desempenho da economia no IIIº trimestre, que publicou a área de estudos do banco Atlântico, a contracção do sector petrolífero registou moderação em igual período de 2019, o que reflecte o impacto da reestruturação em curso no sector. A contribuição da Actividade de Extracção e Refino de Petróleo no PIB fixou-se em 33,8 por cento, o maior nível desde o IIº trimestre de 2018, quando se fixou em 35,2 por cento. No IIIº trimestre, a oferta de crude referente ao IIIº trimestre fixou-se em 1,388 milhões barris/dia, uma redução trimestral de 32 mil barris/dia. O registo trimestral divulgado pela OPEP, com base em fontes secundárias, reflecte as restrições na produção em consequência da moderação dos investimentos no sector.
O sector petrolífero contraiu em termos homólogos 4,1 por cento no IIº trimestre de 2019. Em relação ao IIIº trimestre de 2018, a redução intensifica-se para 82 mil barris/dia. O número de plataformas de exploração petrolífera activas reduziu para 4 unidades no IIIº trimestre de 2019. Tal registo representa a redução de uma unidade em relação ao trimestre anterior. Destaca-se que o número de plataformas activas tem registado trajectória decrescente desde 2014, quando se registaram 15 unidades, número que supera o total de 11 unidades referentes a 2013, período que antecede a crise no sector petrolífero. O preço do petróleo do tipo Brent reduziu 9,0 por cento, na comparação trimestral, ao fixar-se em usd 60,78/barril. A cotação do crude de referência às exportações de Angola, representa uma diminuição de 27 por cento, em termos homólogos.