O relatório sobre Pobreza Multidimensional, apresentado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), nesta quinta-feira, em Luanda, indica que a incidência da pobreza e a sua intensidade nos 164 municípios do país está acima de 90 por cento.
De acordo com o documento, 65 dos 164 municípios do país apresentam este indicador, ou seja, pelo menos 9 em cada 10 pessoas nestes municípios são pobres multidimensionalmente.
O município do Curoca, situado a 333 quilómetros da cidade de Ondjiva, lidera os indicadores de pobreza no país. Já os municípios do Cuvelai e Ombanja a incidência é de 94 por cento de pobreza, o que significa que quase a totalidade das pessoas nestes três municípios do país são multidimensionalmente vulneráveis.
O município do Cuanhama tem uma incidência de 78 por cento, o que implica dizer que quase 8 em cada 10 pessoas estão nas condições deploráveis.
Em todos os municípios, os indicadores sobre água, saneamento e electricidade da rede pública contribuem com mais de 40 por cento para a pobreza destes municípios.
Os indicadores mostram ainda que há zonas que têm apenas 12 por cento da população com acesso à água canalizada, o saneamento básico cobre apenas 16 por cento da população, o registo civil 9 por cento e a rede escolar 9 por cento dos municípios.
Em termos de frequência escolar, apenas 8 por cento da população frequenta o sistema de ensino e a electricidade cobre 11 por cento. Os níveis de acesso a combustível para cozinhar ronda igualmente aos 11 por cento. Já o acesso à habitação condigna ronda os 9 por cento.
Quanto à taxa de empregabilidade e prática desportiva juvenil o relatório mostra que cobre apenas 5 por cento da população. O desemprego dos adultos constitui igualmente uma preocupação e a taxa de dependência é de 8 por cento. Em representação do secretário de Estado para Economia e Planeamento, Sérgio Santos, o director para Estatística e Planeamento do Ministério do Plano, Rui Morais disse que o relatório constitui um importante instrumento para apoiar o Governo na formulação e implementação das políticas publicas, o que vai contribuir para a redução das assimetrias regionais e erradicação da pobreza extrema.
Por outro, permitirá que se proceda a uma melhor alocação dos recursos financeiros por via do conhecimento da incidência dos níveis de pobreza da população por cada município. Além disso, vai ajudar a orientar as prioridades dos programas, potenciando o seu impacto na vida das populações. Os resultados dão conta que cerca de 40 por cento dos municípios apresentam indicadores preocupantes.
Para Ricardo Nogueira, da Oxford University, as estatísticas jogam um papel importante no conhecimento dos indicadores estatísticos para uma melhor definição das políticas públicas para o desenvolvimento do país.
A partir destes indicadores, o Governo saberá gizar as políticas públicas para o desenvolvimento. Comparando o seu país a Angola, disse ter indicadores de pobreza mais significativos em relação a angolanos e que se socorre as estatísticas para melhor caminhar na definição das estratégias para a distribuição da renda nacional.
Já a técnica do Instituto Nacional de Estatística, Eliana Quintas, o índice de pobreza multidimensional apresentado neste relatório abarca o sectores como saúde, educação, qualidade de habitação e emprego.