A Estrada Nacional nº 100, mais conhecida pelo seu prefixo EN-100, é uma via do tipo longitudinal, que atravessa o nosso país de norte a sul. Segundo as disposições do plano nacional rodoviário, liga a comuna de Massabi, na província de Cabinda, ao posto administrativo sul do Parque Nacional do Iona, na província do Namibe.
É a maior e mais importante estrada nacional, com 1858 km de extensão, atravessando as mais ricas e povoadas áreas do território nacional, sendo pelo menos cinco capitais provinciais: Cabinda, Luanda, Sumbe, Benguela e Moçâmedes. Dá acesso a todos os grandes portos comerciais (Luanda, Lobito, Namibe, Soyo e Cabinda), ainda serve de conexão aos caminhos de ferro de Benguela, Luanda e Moçâmedes.
Uma das mais antigas estradas do país, o seu primeiro trecho aberto, ainda no século XV, foi possivelmente entre Luanda, Ambriz e Soyo. Servia como caminho de passagem de animais. Depois o império português preocupou-se em ligá-la a Benguela, a partir do século XVI. Por fim, chegando ao Namibe e ao deserto da Namíbia, no século XIX.

Posicionamento
Pela narrativa, fica claro o seu posicionamento na nossa economia. Praticamente é a estrada que cruza o país e faz ligação com as outras nacionais. Acaba por ter uma grande influência nas rotas comerciais. Na circulação de pessoas e bens. Mas o grande handicap está no seu estado asfáltico. Embora em reabilitação, a degradação em alguns troços ao longo da estrada, sobretudo nesta fase de chuva, tem criado muitos transtornos.
Por exemplo, dada à situação rodoviária degradante, operadoras de transportes colectivos foram obrigadas a suspender as viagens em alguns pontos das nossas estradas nacionais. E lá está, isto cria dificuldade à condição de vida das pessoas afectadas pelo débil movimento de mercadorias, agravando ainda mais o quadro carente de vida que enfrentam. Para não falar das pontes deterioradas e falta de sinalização.
Um dos casos recentes foi a circulação interrompida em tempos entre Lubango e Benguela, deixando camiões com mercadorias, algumas provinientes da África do Sul e da Namibia e a aguardarem por melhor sorte para chegar aos seus destinos. Situação esta, grosso modo, repetitiva em outras regiões, como as das Lundas, cujo pavimento asfáltico reclama por reabilitação ou mesmo de novo tapete.
Há queixas constantes sobre o estado das estradas nacionais. Há dias, a TPA passou uma reportagem de uma via reabilitada entre a cidade do Uíge e Puri. Segundo os automobilistas, era uma via que se fazia em duas horas, mas hoje se preenche em 45 minutos. Para o comércio é muito vantajoso. Ganha-se tempo. E o que se quer é exactamente isto: racionalização. Pois como avançou um economista atento ao crescimento económico, é impossível alcançar o pleno se não se (re)construírem estradas e pontes para servir o comércio, para que se escoe o que se produz no campo, mas também para facilitar o intercâmbio com a cidade e combater às assimetrias.
Apesar do estado não ser tão confortável (das estradas nacionais), em quase toda a sua extensão, estas continuam a ter um fluxo intenso veicular e de volume de carga transportada, sobretudo por camiões que saem dos mercados sul-africanos e namibianos, essencialmente, com produtos da cesta básica que apetrecham as prateleiras das grandes superfícies comerciais, pontificando-se as de Luanda.
Sem dúvida, para o desenvolvimento, as estradas jogam um papel crucial e de grande influência para a estabilidade, empregabilidade e necessárias ao desafio de se criar e manter viva uma economia que sustente a diversificação e gere rendimento às famílias e as empresas. Como falar de aposta empresarial se as estradas mal abrem alas para que os investidores se galvanizem e apostem?

PIIM e estabilidade
O Programa Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM) pode funcionar como um “ópio” aos investimentos locais. Mas as estradas devem melhorar significativamente e permitir que os empresários, à guisa de exemplo, atinjam Camela Amões e outras mais recônditas e de difícil acesso, tudo por conta das limitações de mobilidade a julgar pelo estado precário de alguns troços e, noutros mesmo, por falta de ligação com os grandes centros urbanos.
Investimento
Recuando um pouco, reportámos um dos grandes acontecimentos registados em Benguela, e de impacto nacional, que foi a inauguração do Complexo Industrial Carrinho que prevê produzir mil toneladas
de alimentos por mês.
Com certeza, boa safra, já que não somos um país de tal matriz e, pelo facto, tem de colmatar as suas necessidades em bens essenciais por via da importação. E pela estrada EN-100, que rasga Benguela, passa alimento, e não só, para suportar o nosso mercado de consumo e adquiridos em divisas que serviriam para outros fins e não estes, caso produzíssemos em grande escala.
Uma aposta deste empreendimento privado, localizado nas terras das Acácias Rubras, cujo investimento rondou os cerca de USD 600 milhões e integra 17 fábricas, 15 das quais voltadas à produção de bens alimentares e duas de bens não alimentares.
O mesmo, visa alavancar o sector agro-industrial com estímulo para o aumento da produção nacional de milho, trigo, cana-de-açúcar, soja, feijão, arroz e carnes. A iniciativa, do sector privado, lê-se, tem igualmente como propósito a redução, em até 60 por cento, da importação de produtos acabados nessa cadeia.
Estas e outras acções do género são oportunas. Aliás, esta iniciativa do grupo vai se estender para o norte de Angola. Espera-se por muitas e boas repetições de desafios semelhantes, pois é preciso tornar a nossa economia auto-sustentável em domínios prioritários da vida. Mas, a existência de boas estradas constitui a espinha dorsal para um razoável crescimento económico e que se traduza numa melhor dsitribuição.
Investir em infraestruras rodoviárias (até secundárias e terciárias) atrai empresas para os confins do recôndito, para muito p’ra lá das cidades, gera empregos regionais, garante segurança aos camionistas e outros motoristas e proporciona aos moradores das aideias, quimbos e pequenas vilas diversos benefícios e melhor condições sociais. Diz um ditado chinês: “Para acabar com a pobreza construa uma estrada”.