A rotina do consumidor angolano começa a alterar-se por força dos preços especulativos que são praticados nos estabelecimentos comerciais em boa maioria e na economia no seu todo.
Nos últimos meses, assiste-se a uma acesa discussão sobre como recuperar o poder de compra das famílias que caiu “estrondosamente” com os produtos básicos e outros serviços tidos como indispensáveis a fazerem ajustes motivados, segundo alegam, pelos ajustes na taxa de câmbio que de 170 kwanzas por cada dólar, em referência, passou para os actuais 450.
É nesta base que o frango de 1,2 kilogramas, por exemplo, que comprou-se por 750 kwanzas e em promoções caia para até 650 kwanzas, hoje precisa-se de 1.200 kwanzas no mínimo e um máximo de 1.800kwanzas para a sua aquisição.
Em termos reais, os aludidos “ajustes” de preços taxaram-se em mais de 100 por cento em muitos casos.
As televisões por assinatura, designadamente Zap, Dstv, Tv Cabo, só para citar, abriram o debate dos ajustes e num braço de ferro com o licenciador Inacom acabaram por ganhar uma guerra que já lhes parecia perdida no início, após anúncio de sanções e obrigatoriedades de reembolsos e compensações anunciadas.
No fim, tudo acabou em sintonia, pois os preços foram alterados e os consumidores também não foram compensados nem restituidos de nada. Nos últimos dias, algumas operadores anunciaram novo ajuste de preço para os primeiros dias de Janeiro de 2020.
Na sua habitual rubrica “Hora das Compras”, a equipa do JE certificou-se de uma variação mínima, onde para comprar cerca de 24 produtos básicos que a publicação elegeu eram precisos entre 25 a 37 mil kwanzas, nos diferentes operadores que fazem parte do levantamento oficial.

Promessas falhadas

O ministro do Comércio anunciou, em certa altura do ano, que a instituição que dirige trabalhava junto dos operadores para que baixassem os preços dos bens de consumo, depois de ter-se verificado uma tendência altista no mercado.
Joffre Van-Dúnem atribuiu a evolução significativa dos preços registada naquelas semanas a dificuldades logísticas de alguns operadores, entre as quais figura o mau estado das estradas.
Referiu que não se verifica escassez de produtos da cesta básica no mercado neste momento, pelo que está assegurado o IV trimestre do ano.
O facto é que todas as previsões e o optimismo que passou o ministro ao mercado falharam, pois, até antes do fecho desta edição, os preços no mercado continuaram a subir com realce para os bens mais procurados em época festiva, como ovos, farinha de trigo,carne, gasosa e outros.