O Presidente da República, José Eduardo dos Santos, inaugura hoje a barragem de Laúca, na província de Malanje, considerada a maior obra pública de Angola.
Fonte do Ministério da Energia e Águas confirmou a inauguração do Aproveitamento Hidroeléctrico de Laúca, no rio Kwanza, que desde o mês de Julho produz, em fase de testes, 334 MegaWatts (MW) de electricidade, com a primeira de seis turbinas.
Trata-se de uma obra a cargo da construtora brasileira Obebrecht, que ainda subcontratou várias empresas de origem portuguesa, casos da Somague Angola, Teixeira Duarte, Epos, Tecnasol e Ibergru, com mais de 250 trabalhadores.
Localizada entre as províncias do Cuanza Norte e Malanje, aquela barragem foi encomendada pelo Estado angolano por 4,3 mil milhões de dólares, envolvendo financiamento da linha de crédito do Brasil, movimentando cerca de nove mil trabalhadores.
Em quatro meses está previsto que a barragem de Laúca atinja a quota 830, equivalente a uma albufeira com um volume de água de mais de 2.500 milhões de metros cúbicos, sendo por isso a maior em Angola.
O enchimento da barragem de Laúca só terminará em 2018, com a elevação até à quota 850, completando o reservatório na sua totalidade e permitindo a entrada em funcionamento das seis turbinas que estão instaladas e uma produção de cerca de 2.070 MW de electricidade, mais do dobro da capacidade das duas barragens - Cambambe (960 MW) e Capanda (520 MW) - já em funcionamento no rio Kwanza.
Só em betão, esta obra envolve o equivalente à edificação de 40 estádios de futebol, 2.800 casas ou 465 edifícios de oito pisos, explicou anteriormente à Lusa fonte da Odebrecht.
A implementação dos seis geradores que vão produzir eletricidade implicou a construção de outros tantos túneis subterrâneos numa extensão total de 12 quilómetros, além de um desvio do rio Kwanza.
Esta construção envolverá 30 mil toneladas de aço nas montagens electromecânicas, o equivalente à construção de cinco torres Eiffel, além de 22 mil toneladas de cimento por mês.
Um acordo de financiamento avaliado em 265 milhões 800 mil dólares norte-americanos foi aprovado, em despacho presidencial, para a cobertura do projecto do sistema de transporte de energia associado ao aproveitamento hidroeléctrico de Laúca.
O acordo financeiro será celebrado entre a República de Angola, representada pelo Ministério das Finanças e o Banco Standard Chatered, de acordo com o diploma a que a Angop teve acesso, publicado em Diário da República, de 12 de Julho.
Este acordo a celebrar está enquadrado na estratégia do Governo no que concerne a diversificação das fontes de financiamento para a cobertura de projectos de investimento públicos.
O diploma já em vigor justifica a aprovação deste acordo, no quadro da necessidade de se implementar os projectos integrados no programa de investimento público, tendo em conta a política de investimento para o desenvolvimento económico e social do país.
Assim sendo, o ministro das Finanças é autorizado a proceder à assinatura do referido acordo de financiamento e toda a documentação relacionada ao mesmo.