O Produto Interno Bruto (PIB) asiático vai ter este ano mais folga em relação ao ano passado, com um crescimento de 5,5 por cento em 2020, embora abaixo da previsão divulgada em Setembro de 2019, que avançava um valor de 5,4 por cento.

Estes dados foram avançados pelo o Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD) que actualizou esta semana a Perspectiva de Desenvolvimento Asiático no período 2019-2020. Embora as taxas de crescimento ainda sejam sólidas nas economias daquele continente, as tensões comerciais persistentes vão afectar a região e com um maior risco para as perspectivas económicas de longo prazo.

Investimento interno
De acorco com os dados avançados pelo BAB, o investimento doméstico vai enfraquecer em muitos países, com a queda do sentimento empresarial”, disse Yasuyuki Sawada, economista-chefe do BAD, que admitiu que “A inflação, por outro lado, está a aumentar devido aos preços mais altos dos alimentos, já que a peste suína africana aumentou significativamente os preços da carne suína”, acrescentou Sawada.

Inflação estimada
O relatório do BAD para este período prevê uma inflação de 2,8 em 2019 e 3,1 por cento em 2020, acima da previsão de Setembro passado que era de 2,7 por cento para ambos os anos.
Por sua vez, para o Leste Asiático, o Banco estima que o crescimento da China, revisto em 2019 em 6,1 por cento, este ano desce para 5,8 por cento, ante a previsão em Setembro de 6,2 por cento em 2019 e 6,0 em 2020. Para Hong Kong, já em recessão técnica, possivelmente continue a vivenciar fortes pressões para baixo durante o ano, em parte devido à agitação política. Naquele país a economia, que contraiu 1,2 por cento em 2019, vai crescer 0,3 por cento este ano.

Sul do continente
No sul da Ásia, o banco asiático afirma que o crescimento da Índia, que cresceu para baixo, em 5,1 por cento no ano fiscal de 2019, o crescimento do país será de 6,5 por cento neste ano fiscal, com políticas de apoio. Em Setembro, o BAD previu que o PIB da Índia cresceria 6,5 por cento em 2019 e 7,2 por cento em 2020.
Já no Sudeste Asiático, o BAD diz que muitos países vão declinar nas exportações e os investimentos serão mais fracos este ano, na qual as previsões de crescimento esperado para a Cingapura e a Tailândia serão baixas.
No Pacífico espera-se também que o crescimento do PIB desacelere, com a actividade em Fiji, a segunda maior economia da sub-região depois da Papua-Nova Guiné, passa a ser este ano (2020) a mais moderada que a previsão feita no fim do ano passado pelo BAD.

Gigante” sofre abalo

O gigante asiático vai mesmo sofrer fortes abalos na sua economia este ano dividido a factores como a desaceleração contínua, a continuidade do programa Belt and Road e a disputa comercial com os EUA, que apresentam cinco tendências para  a segunda maior economia do mundo:
1. A disputa comercial com os EUA e a agitação social em Hong Kong, vai tornar tornar mais desafiadora a economia;
2. Este ano, a economia pode superar a dos EUA, embora a um passo mais lento do que nos anos anteriores;
3. No ano passado, o compromisso da Refinitiv em fornecer os dados completos e robustos sobre o mercado chinês impulsionou o lançamento dos aplicativos China, no caso o Price Discovery e BRI Connect, que criou vantagens;
4. O principal desafio para os investidores será os dados confiáveis, para oferecer um suporte a análises sólidas e correctas das informações abrangentes e seguras dos mercados;
5. O dramático crescimento da última década foi seguido por uma forte desaceleração, que precisa de ser contornada este ano.

Mercados ameaçados por tensões
Os mercados de acções asiáticos fecharam ontem em queda na sequência do aumento das tensões entre o Irão e os Estados Unidos da América, que levou a OPEP a assegurar que a produção do petróleo no Iraque não vai ser ser afectada por este conflito cujas consequências já são sentidas em várias economias do mundo.
Em Tóquio a bolsa abriu a semana a cair 2,18 por cento. Nas primeiras transações do dia, o principal índice, o Nikkei, perdeu 2,18 para 23.060,97 pontos. Na mesma direcção, o segundo indicador, o Topix, perdeu 1,91 por cento para 1.692,12 pontos.
Já na China continental, o índice de Xangai caiu 1,22 por cento, para 3.066,89 pontos, e o índice Shenzhen desceu 1,24 por cento, para 1.769,58 pontos. Em Hong Kong, o índice Hang Seng também estava em forte declínio no final da sessão.
Os mercados ficaram assustados com os dados de indústria dos EUA há alguns dias, e é por isso que estão agora a negociar com o relatório de emprego com dados negativos.  
A situação crítica que se vive actualmente a Ásia levou já a Tailândia, a fazer esta semana, um comunicado sobre o compromisso dos países do sudeste do continente, que se comprometem em assinar um pacto até o próximo mês de Fevereiro deste ano, para forjar o que poderia se tornar o maior bloco comercial do mundo, mesmo depois que novas demandas da Índia afectaram o processo
apoiado pela China.
A verdade é que todo projecto de consolidação do pacto naquela região do globo foi fortemente condicionada pela escalada de um clima de guerra na região do Médio Oriente em função dos conflitos procados pelos Estados Unidos da América e o Irão, divergências que num curto espaço de tempo, não tem solução à vista.