No regresso à Benguela, propriamente no município do Lobito, quando faltavam dias para o termo da campanha eleitoral, o candidato à presidência da República pelo MPLA, João Manuel Gonçalves Lourenço, disse que o coração da “menina-donzela Benguela”, era do seu partido.
E não foi apenas o coração de Benguela (que deu ate agora 61,5 por cento dos votos) que João Lourenço e o seu MPLA conquistaram. O coração da “menina Angola” é do apelidado JLo (djeiló) do povo, sem deixar equívocos sobre a aceitação popular de serem eles os escolhidos para guiar a Nação nos próximos
cinco anos (2017-2022).
De acordo com os dados preliminares que a Comissão Nacional Eleitoral (CNE) avançou, ontem, no final da tarde, em Luanda, João Lourenço e o MPLA levam já 2,8 milhões
de votos (64,57 por cento).
Contabilizados perto de cinco milhões de votos, os virtuais vencedores acumulam mais de metade e seguem, assim, com as projecções que já os posicionavam na linha da frente em relação aos demais cinco concorrentes, sendo quatro
partidos e uma coligação.
A Unita segue com 24,04 por cento em segundo lugar, a coligação Casa-CE, em terceiro, com 8,56 por cento, formando assim o “big three” destas Eleições
Gerais 2017, de 23 de Agosto.
No segundo escalão, se assim quisermos, o PRS de Benedito Daniel com 1,37 por cento superou a FNLA (0,95%) e a APN (0,52%) dos concorrentes Lucas Ngonda e Quintino
Moreira, respectivamente.
Os dados da Comissão Nacional Eleitoral (CNE) dão ainda conta de que faltam por apurar 8.782 Assembleias de votos e que o grau de abstenção, até ao momento, situa-se nos 23,17 por cento. Estes números estão abaixo da cifra de 2012, quando a abstenção se situara em 37,23 por cento. Ao todo, os nove milhões de angolanos inscritos nas Eleições foram às urnas para eleger o Presidente e o Vice-Presidente, enquanto cabeças-de lista de uma lista de 130 deputados pelo círculo nacional e 90 pelo provincial, que resulta de um somatório de cinco em cada um dos 18 circulos eleitorais provinciais.

Apelo à calma
A porta voz da Comissão Nacional Eleitoral (CNE), Júlia Ferreira, que fez o primeiro anúncio dos resultados provisórios no final da tarde de ontem, por volta das 23 horas voltou a fazer uma nova comunicação à Nação para acalmar os ânimos e reforçar sobre a lisura que se observa na condução do processo de contagem e apuramento.
Júlia Ferreira lembrou que no Centro Nacional de Escrutínio estão mandatários dos partidos concorrentes e observadores nacionais e internacionais, facto que serve de amostra da abertura com que se está a orientar o acto de contagem dos votos.
Os dados provisórios até ontem avançados dão um parlamento com 154 deputados do MPLA, 48 da Unita, 15 da Casa-CE, 2 do PRS e 1 da FNLA. Apenas a APN não atingiu votos suficientes para obter mandato, mas também está salvaguardado de uma eventual extinção, pois já superou a cifra dos 0,4 por cento prevista pelo legislador como insuficientes para se manter uma força partidária no pós-eleição.