O governo russo do Presidente Vladimir Putin demonstrou, na semana de 21 a 25 de Outubro último, força, inovação, visão e compromisso para traçar sobre como desbloquear os programas entravados em «dossiers» complexos e alguns esquecidos sobre África.
Ao chamado do “Fórum Rússia – África 2019” apresentaram-se 50 chefes de Estado e de Governos africanos, mais de mil empresários e outros tantos delegados aos fóruns e às exposições de marcas diversificadas.
O contingente das delegações e de jornalistas estatais, privados e freelancers puseram a capital marítima da Rússia – Sochi – sob um teste de maturidade.
O que a Rússia tem para dar a África? Era a pergunta que não se quis calar e que seguiu até que o Presidente Vladimir Putin subiu ao palco acompanhado com o homólogo egípcio Abdel Fattah Al-Sisi, na sua qualidade de presidente da União Africana.

Mercados e oportunidades
Sem chave francesa, nem inglesa, foi em russo, na Arena de Sochi, com mais de 500 jornalistas em directo que o PUK procurou destravar o PIN africano ainda bloqueado.
Putin fez questão de referenciar o facto de África representar um Produto Interno Bruto (PIB) de mais de 29 triliões de dólares. Com a abertura da Zona de Livre Comércio, prevê-se também uma subida exponencial em mais de 40 por cento das oportunidades de trocas ao que os russos querem tirar o máximo de proveito.
Com elevadas dívidas nos seus Relatório & Contas internos, os governantes africanos foram a Sochi para alternar a oferta chinesa (60 mil milhões de dólares) e as promessas americanas dos últimos tempos para o seu desenvolvimento (vários milhares de milhões), num exercício diplomático que terá valido a um número de países já, incluindo Angola, cerca de cinco mil milhões de euros prometidos pelo Afreximbank no apoio à odisseia russa.
De acordo com dados, Rússia e África trocaram em comércio, no ano passado, mais de 20 mil milhões de dólares, dos quais mais de 17 mil milhões são exportações de mercadorias destes para o continente que Sochi centrou-se na missão: atrair apoio russo para os desafios de integração, crescimento económico e desenvolvimento tecnológico.
A prioridade angolana no ensino está na valorização do ensino profissional de modo a que a escolas deem um contributo eficaz a geração de empregos.
Para a ministra angolana do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, Maria do Rosário Bragança Sambo, no painel que abordou sobre o papel deste segmento no desenvolvimento da economia, são estes os factores-chaves aos quais o continente africano deverá ter em conta caso queira acelerar o seu desenvolvimento económico e tecnológico e afectar a vida das pessoas.
Neste tema que suscitou debates e atenção da plateia de empresários e representantes de governos admitiu-se estar o desenvolvimento acelerado do potencial económico da Rússia e da África indissociavelmente ligado à produção científica e à melhoria da educação geral e do treinamento profissional.

Diamantes entram como moeda

Os diamantes e outros minerais angolanos fazem parte da “joia” que os russos querem primazia na sua exploração em África, dentro de uma estratégia de cooperação vantajosa que tem o foco nos planos de desenvolvimento do continente até 2050.
A Rússia não pretende perder de vista o facto de África ser detentora de 47 por cento das reservas mundiais de diamantes.
Um dos acordos fechados a sete chaves tem a ver com o reforço das operações da Alrosa, parceria russa através da qual Angola, por via da Endiama, quer ver a produção diamantífera, até 2022, nos 14 milhões de quilates/ano, contra os actuais 9,5 milhões.
No recente Fórum Económico “Rússia – Africa 2019”, que a cidade de Sochi acolheu, o ministro dos Recursos Minerais e Petróleo de Angola foi dos integrantes da comitiva presidencial que mais interveio nos diferentes painéis e com quem os russos (Governo e empresários) em muito quiseram abordar sobre parcerias e oportunidades de investimento.
Diamantino Pedro Azevedo aproveitou numa das três ocasiões que subiu ao palco com outros representantes de governos russos, africanos e empresários para mostrar a visão de Angola no quadro do Planageo.
“Este ano, os nossos serviços geológicos assinaram um memorando para criar continuidade no trabalho até aqui realizado. Além disso, estamos a trabalhar com outros institutos e organizações geológicas. Estamos abertos à cooperação com qualquer pessoa que esteja envolvida neste campo e invista nesse trabalho”, afirmou.
O ministro deixou uma garantia clara aos russos de que é preciso criar-se o ambiente certo para que o desenvolvi