O Presidente da República, José Eduardo dos Santos, foi homenageado durante a 37ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), que decorreu na cidade de Pretória, África do Sul.
O chefe de Estado angolano foi um dos subscritores do tratado que cria a SADCC, em 1980, ao lado de outros líderes como Julius Nyerere, Keneth Kaunda, Samora Machel e Robert Mugabe, que também assinou o documento no dia 1 de Abril de 1980, 17 dias antes do Zimbabwe se tornar independente.
Nas suas intervenções, os Presidentes da África do Sul, Jacob Zuma, e da Namíbia, H. Geingob, destacaram o papel que o líder angolano desempenhou para a fundação, dinamização e prestígio da SADC, herdeira da SADCC. Zuma e Geingob sublinharam que José Eduardo dos Santos esteve em todas as etapas decisivas da organização e deu valiosa contribuição para as mudanças geopolíticas ocorridas na África Austral.
“Durante as nossas discussões, despedimo-nos do Presidente Eduardo dos Santos, de Angola, que se retira. O Presidente Eduardo dos Santos foi um dos principais pilares da SADC. Aproveitamos, assim, esta oportunidade para agradecer profundamente o seu contributo para a luta de libertação na região e a sua contribuição excepcional para a SADC “, disse Zuma.
O responsável desejou ainda “boa saúde” ao presidente angolano e umas “eleições pacíficas em Angola”.
Na mesma declaração, Jacob Zuma prestou também homenagem a Ian Khama, que abandonará o cargo em Abril de 2018.
“A este respeito, agradecemos ao Presidente Khama pelo envolvimento e liderança activa na SADC. Recordaremos para sempre a sua liderança da SADC em 2015/2016. Esperamos que, mesmo durante o seu afastamento, continue a contribuir para o trabalho da SADC”, disse.
No comunicado final da 37ª Cimeira da SADC, lido pela secretária executiva, os líderes da África Austral renderam homenagem ao Chefe de Estado angolano pelo “trabalho que desenvolveu para o sucesso da organização e à causa da liberdade dos povos da região antes e depois da derrota das forças do Apartheid”.
Em declarações à imprensa, após a sessão, o ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, disse que o Presidente José Eduardo dos Santos é “digno da homenagem pelo excelente trabalho que fez para o desenvolvimento e pelo prestígio da região SADC”.
A 37ª Cimeira da SADC, que se realizou no passado fim-de-semana, foi subordinada ao tema “Parceria com o sector privado no desenvolvimento de cadeias de valor industrial na região”.
Neste contexto, os chefes de Estado e de Governo da região austral passaram em revista o estágio de integração regional e debateram as oportunidades que o processo de industrialização oferece aos actores económicos nacionais e da região, no contexto do desenvolvimento da Estratégia de Industrialização da SADC 2015-2063 e respetivo roteiro, adoptados durante a cimeira de Harare, em 2015.
A situação de paz e segurança na região e o possível acolhimento de novos membros na SADC foi outro dos temas na agenda dos líderes políticos africanos.
O processo de isenção de vistos nos Estados da SADC, a instituição do feriado regional, criação de uma fundação para homenagear os países fundadores da SADC, cooperação entre a SADC e a Federação da Rússia, admissão de novos membros (pedidos do Burundi e das Ilhas Comores) estiveram em discussão. Foi ainda analisada a questão de realização de uma conferência da SADC em solidariedade com a República Árabe Sarawi Democrática (Sahara Ocidental) estiveram igualmente em análise na reunião dos Chefes
das Diplomacias da SADC.
O Governo da África do Sul assumiu a presidência da SADC, por um ano.
A SADC foi fundada há 25 anos e entre os objectivos mais ambiciosos da organização constam a estabilidade política e a boa governação, na base do progresso económico e do comércio. Em 2008, os países da SADC assinaram um acordo de comércio livre, mas alguns estados não aderiram. Até agora, segundo Talitha Bertelsmann-Scott, não houve progressos na integração económica desses países. E a especialista em política comercial considera que a situação não mudará sob a presidência da África do Sul.
“Pretória recusou sempre uma união aduaneira. Existe apenas uma mini união aduaneira entre a Suazilândia, Botswana, Lesotho e Namíbia”, explica.

A integração possível
Os Estados-membros da SADC são unânimes em considerar que a prioridade deve ser dada à industrialização e à construção de infra-estruturas, defende Bertelsmann-Scott. Esta é a intenção do Governo do Presidente sul-africano Jacob Zuma, que planeia angariar fundos para fomentar áreas transnacionais, como as indústrias mineira, de medicamentos e de serviços. Já existe um mercado energético comum, foram eliminadas as fronteiras entre as enormes reservas naturais e introduzido um visto único para turistas.
Há, no entanto, um problema que requer solução rápida: A maioria dos países da SADC tem relações comerciais mais importantes com a China, a Índia, o Brasil ou as antigas potências coloniais do que com os seus parceiros na comunidade.

Objectivos ambiciosos
Matthias Boddenberg, director da Câmara de Comércio alemã para a África Austral, afirma que os objectivos da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral são “muito ambiciosos”. Apesar de já não existir o entusiasmo inicial, “os estados da SADC continuam a dar pequenos mas importantes passos para a unificação do seu espaço político e económico”.
Segundo Boddenberg, a integração económica é significativa. O especialista constata uma vontade política para um aprofundamento da integração e o reforço das relações comerciais com a União Europeia. “Mas ainda há muita resistência no que toca à renúncia da soberania política para avançar com a
causa comum”, diz Boddenberg.