Para esquivar a crescente subida dos preços e manter o “fogão aceso” muitas famílias recorrem com alguma frequência ao famoso método “sócia” nos vários armazéns dominados maioritariamente por “mamadus”. A “sócia” consiste em duas ou mais pessoas juntarem dinheiro para a compra, por exemplo, de uma caixa de frango, coxa ou peixe e, posteriormente, repartirem de forma igual. “É uma solução que está a aliviar a nossa vida nos últimos tempos”, atira sem rodeios Susana Costa, acrescentando que faz este processo com alguma frequência sempre que recebe o seu salário de doméstica. Revela que normalmente junta-se às demais colegas para a aquisição de frango, fígado, coxa e peixe, refeição que serve para o mês todo. Domingas Carlos e Marta Feliciano são duas funcionárias públicas que optam sempre pela “sociedade” todo o fim do mês e asseguram que o método é pouco dispendioso e tem permitido diversificar os produtos tendo em conta os seus rendimentos. “Compramos uma caixa de peixe, um saco de arroz de 25 quilogramas, caixa de galinha rija, caixa de frango”, revelam. Nos armazéns maioritariamente dominados pelos “mamadus” o saco da farinha de trigo está a ser comercializado a preço de kz 17 mil, caixa de óleo vegetal está 10 mil, caixa de frango de 1400 gramas está no valor de kz 18.500, galinha rija de 900 gramas custa 13 mil, saco de arroz de 25 kg custa kz 13 mil e a caixa de peixe carapau está fixada em 25 mil.

Executivo tem culpa
Na visão do economista, Augusto Fernandes, o IVA e o alargamento da base tributária do Imposto sobre o Rendimento de Trabalho (IRT) e a taxa de câmbio diminuiu o poder de compra das famílias, uma vez que os salários continuam os mesmos. “A culpa é do Ministério das Finanças e do Banco Nacional de Angola (BNA) que estão a impor às famílias uma política económica restritiva e a diminuição da procura agregada”, atira. Para o economista tendo em conta que os principais produtos da quadra natalícia não apodrecem com facilidades, as famílias devem começar a fazer as compras antes de Dezembro, de modo a contornar a alta de preços. “As famílias têm disponível no mês de Dezembro dois salários e meio. Deve-se gastar durante o mês de Dezembro o Salário do mês de Novembro mais o subsídio de natal”, disse. Acrescentou igualmente que o salário do mês de Dezembro deve ser poupado afim de cobrir as despesas do mês de
Janeiro do ano seguinte.

Cabazes à venda

Para muitos, é um prazer ter um cabaz de Natal, mas para outros nem tanto. Muitos são os que preferem subsídios em dinheiro ao invés de compras. Com a crise, muitas empresas abdicaram deste incentivo para os trabalhadores. Ainda assim, os cabazes estão à disposição nas principais redes comerciais de Luanda reportadas pelo JE. No Kero, Shoprite e Candando, os clientes podem encontrar um leque de cabazes com os mais variados gostos e preços. A Maxi, como é habitual, dispõe este ano de “cartões presente”, em que os particulares ou empresas podem aderir mediante valores que vão dos kz 15 aos 250 mil.


Origem da celebração do natal

O Natal transformou-se numa festa que mistura tradições de muitas origens com um consumismo desenfreado que, apesar do comércio electrónico, continua a mobilizar as cidades. As luzes, as árvores, as compras, as feiras e o jantar da empresa talvez não nos deixem ver o principal: o Natal é uma festa religiosa, em que os cristãos celebram o nascimento de Jesus.
Mas, se pesquisarmos um pouco mais, vemos que a sua origem perde-se na antiguidade, nas primeiras e remotas crenças humanas, às quais, ao longo dos séculos, foram se incorporando novas tradições. Desde o Império Romano, o Natal tem sido uma luta entre elementos religiosos e pagãos, entre a festa e a liturgia, que se prolonga até aos shopping centers.

Celebração em Dezembro
O solstício de inverno (no Hemisfério Norte) é à noite mais longa do ano, o momento em que os dias começam de novo a crescer, uma vitória simbólica do sol contra a escuridão. Acontece entre 21 e 22 de Dezembro e é comemorado desde tempos imemoriais. O historiador Richard Cohen relata, no seu livro “Persiguiendo el Sol”: La historia épica del astro que nos da la vida (perseguindo o sol: a história épica do astro que nos dá a vida) que “praticamente todas as culturas têm uma forma de celebrar esse momento”. “O aparente poder sobrenatural para governar as estações, que se manifestam nos solstícios, inspirou reacções de todos os tipos: ritos de fertilidade, festivais relacionados com o fogo, oferendas aos deuses”, afirma Cohen. Acrescenta que a data do natal foi fixada a 25 de Dezembro pelo imperador Constantino, porque nesse dia era celebrada a grande festa solar em Roma.