O agravamento da pobreza em Angola tem a ver com a elevada taxa de desemprego nos jovens e adultos, bem como a dependência e a qualidade habitacional, assim mostra um estudo apresentado, esta semana, no Cunene, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
De acordo com a referida publicação, um total de 65 dos 164 municípios que compõem as 18 províncias de Angola apresentam uma incidência de pobreza multidimensional na ordem dos 90 por cento.
Durante o acto de apresentação do relatório, em Ondjiva, a representante do Instituto Nacional de Estatística (INE), Eliana Quintas, disse que o estudo identificou 65 municípios do país, mais pobre no domínio dos serviços de saúde, saneamento básico, registo civil, acesso à educação e água potável.
Na sua óptica, o relatório que inclui quatro dimensões chave da pobreza na perspectiva multidimensional com 11 indicadores, baseados em resultados definitivos do Recenseamento Geral da População e Habitação (RGPH) realizado em 2014, indica que nove em cada 10 pessoas nestes municípios são pobres.
O representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Lourenço Massidi, disse que a criação de um Índice de Pobreza Multidimensional (IPM) nacional, com indicadores específicos para Angola, pode ser um complemento ao IPM global já existente, que permitirá a comparabilidade entre os países.
A vice-governadora para o sector político, Social e Económico, Soraya Mateus Kalongela, afirmou que o relatório permitirá ao governo direccionar as suas políticas para melhoria da vida e bem-estar da população.
O estudo teve início a 19 de Março de 2019, numa parceria entre o PNUD, INE e a Oxford Poverty and Human Development Initiative (OPHI) da Universidade de Oxford.
Teve como objectivo identificar o nível de pobreza por cada município e agrupá-los dentro de classificações tecnicamente robustas e úteis para facilitar o Executivo na distribuição do Orçamento Geral do Estado (OGE), para a promoção do desenvolvimento do país.
Segundo resultados do Índice de Pobreza Multidimensional global, um de cada dois angolanos vive na pobreza multidimensional, com uma taxa de pobreza de 88,2% nas áreas rurais e 29,9% nas
áreas urbanas.
A ministra de Estado para a Área Social, Carolina Cerqueira, fez, este mês, em Paris (França), uma abordagem sobre os programas do Governo em curso, para mitigar os efeitos da pobreza, carência de água e apoio social às comunidades, nos domínios da saúde, educação e agricultura familiar.