A taxa de inflação até ao primeiro semestre deste ano ficou fixada em 6,9 por cento, contra os 7,7 com que se terminou o ano de 2013. Esta estabilidade dos preços no mercado é indicativo de uma melhor previsão orçamental às famílias.


Conforme o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, que falava à Nação, na abertura do Ano Parlamentar, a estabilidade da taxa de câmbio e de outros indicadores reflectem, desde já, a atenção com que tem sido conduzida a gestão macroecnómica em Angola.

Nesta ocasião, o Chefe do Executivo admitiu que a conjuntura internacional, dominada com as sucessivas quedas dos preços do petróleo, vai afectar alguns programas nacionais, mas tais ajustamentos deverão manter-se em linha com o orçamento de 2015 que o Parlamento angolano recebe em finais deste mês.

O Presidente José Eduardo dos Santos disse mesmo que os actuais 81 ou 85 dólares (cerca de oito mil e quinhentos kwanzas) em que se apresentam as cotações por barril do crude estão abaixo dos 98 (pouco mais de nove mil kwanzas) que se previu no Orçamento Geral de Estado (OGE) deste ano. Assim, o cenário previsível é de uma queda em 3,5 por cento no PIB petrolífero. Deverá, igualmente, registar-se uma redução ligeira nas receitas fiscais em 2014.

Indicadores agregados
Na sua última reunião, o Comité de Políticas Monetárias do Banco Nacional de Angola, apoiado nos dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) referentes ao mês de Agosto, adiantou que a taxa de inflação neste período foi de 0,60 por cento, após uma variação superior de 0,61 em Julho. A inflação homóloga acelerou para 7,05. A classe “alimentação e bebidas não-alcoólicas” foi determinante no comportamento da inflação no mês em análise e contribuiu com 0,25 pp (41,78 por cento) para a inflação mensal observada, um valor superior em 0,05 quando comparado com a contribuição do mês anterior.

A inflação acumulada, até ao mês de Agosto de 2014, situou-se em 4,75 por cento, uma diminuição quando comparada com os 5,38 observados no mesmo período de 2013.

Contas monetárias
No sector monetário, os dados relativos a Agosto de 2014 mostram que a base monetária em moeda nacional registou um saldo de 843.947,13 milhões de kwanzas, que corresponderam a uma diminuição mensal de 9.602,14 (1,12 por cento), reflectida na diminuição das notas e moedas em circulação em 1.612,30 (0,41) e dos depósitos dos bancos comerciais em moeda nacional em 7.989,84 (1,73). Em 2014 (Janeiro – Agosto), a base monetária em moeda nacional contraiu em 6.461,34 milhões de kwanzas (0,76 por cento). As contas monetárias de Agosto indicam uma expansão mensal dos depósitos totais do sistema bancário em cerca de 109.014,59 (2,47), uma expansão do crédito à economia em 9.550,28 (0,29), do crédito do sector privado em 73.585,03 (2,34) e contracção do crédito às empresas públicas em 64.034,75 (43,21). Enquanto isso, o agregado monetário mais amplo (M3), composto pelas notas e moedas em circulação, pelos depósitos à ordem e a prazo e pelos outros instrumentos financeiros, aumentou, no mês de Agosto, em 103.442,79 milhões (2,17), para 4.866.382,45 milhões.

Banca em análise
No mais recente estudo “Banca em análise” da consultora Deloitte, o crédito à economia que se estabeleceu em 14 por cento, assim como os 11 do crescimento dos depósitos foram bons indicadores da intensa actividade financeira nacional. A publicação veio reforçar a perspectiva de a banca angolana continuar como o motor da economia. A subida das reservas líquidas internacionais (RIL) para mais de 30 mil milhões de dólares (2,9 triliões de kwanzas) cobrem
oito meses de importação.