O ataque aéreo ao aeroporto de Bagdá, no Iraque, levado a cabo pelo Exército norte-americano, recentemente, que teve como alvo o major-general Qassem Soleimani, arquitecto da crescente influência militar do Irão na região do Médio Oriente e considerado um herói entre iranianos, provocou um subida abrupta no preço do petróleo no mercado internacional.
O ataque aconteceu exactamente no Iraque, o segundo maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), responsável por uma produção diária de 3,4 milhões de barris, colocando o preço nos 70,0 dólares, até ontem.
Apesar de a Arábia Saudita como os EUA já se mostraram disponíveis para libertar as reservas estratégias de modo a conter a subida dos preços, a verdade é que enquanto durar essas tensões, a tendência é os preços continuarem em sentido ascendente no
mercado internaciona.
Além dos ataques mútuos entre os EUA e o Irão, a Arábia Saudita tinha emitido algumas medidas para contenção no fornecimento de petróleo ao mercado, esta que o maior exportador mundial do crude, por ter sofrido temporariamente um corte para metade da sua produção de cerca de 5,7 milhões de barris dia, depois de duas refinarias do gigante saudita Aramco em Abqaiq e Khurais terem sido alvo de um ataque no fim do ano passado.
Os ataques tinham sido reivindicados pelos rebeldes iemenitas Huthis, apoiados politicamente pelo Irão, grande rival regional da Arábia Saudita, que é parceiro fundamental dos EUA.
Medidas de contenção
Por exemplo, o presidente do Conselho Europeu, que falou ontem ao telefone com o presidente iraniano, Hassan Rohani, apelou Teerão a evitar actos irreversíveis, na sequência do aumento de tensão com os Estados Unidos.
No que conta as tensões na região do Médio Oriente, o presidente do Conselho Europeu reiterou que a União Europeia (UE) está pronta a reforçar o seu empenho com todas as partes a fim de diminuir a conflitualidade na região e no mundo.
Por outro lado, o Presidente iraniano declarou que a UE sempre desempenhou um papel estabilizador e responsável na região e que o Irão está pronto a continuar a sua colaboração com as instituições europeias.
O belga Charles Michel declarou ainda que o Plano de Acção Conjunto Global (JCPOA) - o acordo internacional nuclear com o Irão,- foi um feito importante após 10 anos de intensas negociações, permanecendo uma ferramenta importante para a estabilidade regional.
Já para a Agência Internacional de Energia (AIE), essa subida abrupta era esperada depois dessa escalada de violência, em parte devido a diminuição feita recentemente no consumo de petróleo global, estimada este ano para 102,1 milhões de barris por dia.
Reconhecendo a actual subida, a agência informou que nos próximos meses os preços vão continuar sob forte pressão ascendente à medida que as reservas globais de petróleo vão diminuindo durante o primeiro semestre de 2020, por conta destas tensões.

Novas sanções ao Irão
Depois dos ataques às bases dos EUA no Iraque, o Presidente Donald Trump anunciou novas sanções económicas contra Teerão, mas descartou retaliações militares. A economia do país vai continuar sob pressão máxima do governo Trump, causando estragos de toda ordem no Irão, enquanto enquanto o regime iraniano não abandonar o seu comportamento desestabilizador.
As sanções são sobretudo contra as exportações de petróleo daquele país, que retiram do regime bilhões de dólares em receita que, caso contrário, a sua Guarda Revolucionária Islâmica-Força Quds despenderia para apoiar o Hezbollah, o Hamas e outros grupos terroristas.
Segundo dados avançados, o povo iraniano sofre com o aumento dos preços e um regime focado na exportação de terror, em vez de aliviar as dificuldades no âmbito nacional. O Irão regista uma inflação de 48 por cento, embora os preços de verduras, legumes e carnes tenham subido mais de 100 por cento no ano passado.

Instabilidade na América Latina

O ano passado, a América Latina entrou em ebulição, criando assim condições para uma destabilização generalizada na América do Sul. A Argentina elegeu um novo presidente, Alberto Fernández, e uma nova vice-presidente, Cristina Kirchner.
Inicialmente celebrado pela  sua agenda pró-mercado, Macri implementou medidas duras, que provocaram descontentamento da parte do seu próprio eleitorado. Contrariando as expectativas, a inflação subiu, o PIB caiu e a pobreza aumentou durante o seu governo. O resultado foi sentido nas urnas.
Além disso, o que isso representa para o futuro do Mercosul, bloco económico formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai (a Venezuela está suspensa desde 2016), continua a ser uma incognita.
Na Bolívia, novas eleições devem ocorrer este ano. A presidente Jeanine Áñez ainda não marcou a data. Ela substituiu Evo Morales, que renunciou após alegar ter sido vítima de um golpe militar.
No Chile, protestos em larga escala pediram a renúncia do presidente, Sebastián Piñera. Ele não renunciou, mas prometeu reformar a constituição, que foi redigida durante a ditadura militar de Augusto Pinochet. Isso também deve acontecer em 2020.
Por fim, na Venezuela, a crise humanitária faz ainda mais pressão sobre o governo de Nicolás Maduro. Mais de quatro milhões de venezuelanos já fugiram do país.
Para aquela parte do globo, o Banco Mundial (BM) publicou esta  quarta-feira (8) as previsões anuais de crescimento da economia mundial, que vai alcançar 2,5 por cento em 2020, uma leve melhoria em relação aos 2,4 por cento do ano anterior, descrito como o pior ano depois da crise financeira de 2008-2009.
Enquanto isso, o relatório do BM constatou que o crescimento económico da América Latina e Caribe desacelerou para 0,8 por cento em 2019 em relação a 2018, enquanto neste ano devemos esperar um crescimento de 1,8 por cento e vai continuar em desaceleração durante o ano.
Naquela região do planeta, espera-se um crescimento de dois por cento da economia brasileira, 1,2 por cento da mexicana, 3,6 por cento da colombiana e uma recessão da economia argentina, com um retrocesso de 1,3 por cento do Produto Interno Bruto.
A Guiana ganha destaque, segundo as previsões do Banco, com um impressionante crescimento de 86,7 por cento, fruto do desenvolvimento da indústria petrolífera local.

Economia brasileira

A economia brasileira vai crescer apenas dois por cento este ano, um valor ainda considerado baixo, mas que para o especialistas é um indicador mais alto em relação ao período 2014-2016, altura em que o país passou por uma recessão económica.
A verdade é que o Brasil vai este ano ter um desempenho melhor que 2019, segundo um relatório publicado no dia em Dezembro pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas.
A expectativa do instituto é que actividade económica quase dobre em 2020 em relação ao ano que termina, com um crescimento de 2,2 por cento do Produto Interno Bruto(PIB) em 2020.
Na corrida pelo desenvolvimento económico, o Presidente do Brasil Jair Bolsonaro escolheu um lado, alavancar o sector privado, imprimindo reformas para facilitar os negócios.
Esta visão de Bolsonaro é descrita como um novo marco para a expansão dos investimentos privados que promete gerar investimentos de 700 bilhões de reais até 2033 e impusionar o sector de infra-estruturas, que ficou paralisado desde 2014, com a operação Lava Jato.