O Executivo angolano está a trabalhar para que o sector do Turismo aumente as receitas bem como o número de empregos, além da melhoria da balança doe pagamentos do país, pela via da entrada de divisas resultantes desta actividade.
Segundo o Ministro de Estado para a Coordenação Económica, Manuel Nunes Júnior, que discursava, ontem, em Luanda, na abertura do primeiro Congresso Nacional de Hotelaria, numa promoção da Associação de Risorts e Hotéis de Angola (AHRA), neste processo, caberá ao Estado responsabilidade de assegurar a infra-estruturação dos pólos turísticos já identificados, a melhoria das suas acessibilidades e a facilitação de vistos, enquanto ao privado caberá a tarefa de promover a actividade hoteleira e turística.
Admitiu que o país ainda dispõe de uma oferta turística pouco diversificada e conhecida nos principais mercados emissores de turistas.
Ao reconhecer as insuficiências do sector, disse que o país ainda tem um longo caminho a percorrer para que se tire benefícios económicos e sociais do turismo, apesar do enorme potencial disponível.
Para ele, é urgente a criação de condições para que, com base nas iniciativas privadas, haja um aumento e maior diversificação da oferta hoteleira e turística em Angola, para a atracção de turistas nacionais e estrangeiros.
Com base em estatísticas internacionais, lembrou que o sector do turismo e particularmente o subsector da hotelaria emprega cerca de 10 por cento da população activa no mundo.

Planos directores
Depois da aprovação, pelo Conselho de Ministros, do Plano director do Pólo de Desenvolvimento Turístico de Cabo Ledo, a seguir a este serão os do Okavango (Cuando-Cubango) e em Calandula (Malanje).
De acordo com o ministro de Estado, são dois pólos turísticos de extrema importância, pelo seu rico potencial em recursos naturais e culturais.
Com a aprovação destes documentos estratégicos, o Executivo estará em condições para a promoção de acções para a captação de investimento privado, quer nacional, quer estrangeiro.
Disse esperar ousadia dos agentes económicos para que consigam trazer a Angola as empresas que no mundo são as mais competitivas e eficientes no domínio do turismo e hotelaria.
“ Há que trazer para Angola a melhor técnica e o melhor khow -how neste domínio” sublinhou Manuel Nunes Júnior.
Acrescentou que um passo neste domínio deverá ser a privatização com sucesso das empresas do sector que constam na lista de activos do Estado a vender a até 2022.

Dificuldades do sector
Os operadores do sector turístico e hoteleiro angolano apontaram as vias de comunicação, energia, água e formação de recursos humanos como “vias cortadas” que “impedem o desenvolvimento” do sector e “ofuscam as enormes potencialidades” do país.
Em declarações à Agência Lusa, Graciete Marina Antes, empresária hoteleira, do município do Libolo (Cuanza Sul), destacou que o estado degradante em que se encontram as vias de acesso aos municípios, onde se encontram as belezas do país, contribuem negativamente para a promoção do turismo em Angola.
“O nosso país tem várias atracções turísticas, mas também temos várias vias cortadas que são as vias de acesso para os municípios onde se encontram as melhores belezas e não na capital”, disse.
Para a empresária, as vias de acesso melhoraram muito, mas não ainda o suficiente, exemplificando que para se fazerem 40 quilómetros são necessárias “aproximadamente três horas”.
“A partir daí o turista já pensa um bocado em ir para ao Libolo”, frisou, referindo que a localidade recebe anualmente cerca de 10 mil turistas, entre nacionais e estrangeiros, sobretudo, devido ao Santuário de Fátima ali localizado.
Por sua vez, Graciete Marina Antes, há 12 anos na actividade, considerou igualmente que a malária, maior causa de mortes em Angola, constitui um dos factores que “retrai turistas”, sobretudo para a capital do país, junta-se a problemática da segurança.
“Luanda é um foco muito grande para a malária e acho que a partir daí os turistas recuam, juntando-se aos assaltos, a segurança do turista”, apontou.
O 1.º Congresso Nacional de Hotelaria é organizado pela Associação dos Hotéis e Resorts de Angola (AHRA) com o apoio do Ministério do Turismo angolano.
Os delegados ao congresso partilharam experiências positivas de outros países no domínio do turismo e hotelaria.
Mais de 100 empresas participam na 1ª edição da ExpoHotel Angola, que decorre de 26 a 29, nas instalações da Televisão Pública de Angola (TPA), distrito Urbano do Camama (Luanda), num espaço de 25 mil metros quadrados, cabendo a cada empresa participante uma área de exposição que varia de nove a 36 metros quadrados.
No congresso e a exposição conta com a presença de convidados estrangeiros ligados às associações congéneres da África do Sul, Zimbabwe, Namíbia, Zâmbia, Moçambique, Botswana, Tanzânia, Lesotho, República Democrática do Congo, República do Congo Brazzaville, Cabo Verde, Marrocos, Portugal, Espanha, Brasil e Cuba.