A União Nacional dos Trabalhadores Angolanos-Confederação Sindical (UNTA) considera haver empregos mas apenas na teoria, porque que efectivamente não existem.
Defende que esta realidade pode ser constatada a partir dos centros de emprego e auferir a demanda relativamente à oferta e procura
nos últimos dois anos, assim como da multidão que esteve presente na 1ª edição da feira de “Oportunidades de emprego, estágio e formação profissional”, realizado pelo Ministério da Juventude e Desportos, através do Instituto Angolano da Juventude.
Em entrevista ao JE, o secretário-geral da UNTA-SA, Manuel Viage, diz ter algumas reservas quanto aos 161.997 criados entre 2018 e o III trimestre de 2019, avançados pelo Presidente da República, durante o discurso
sobre o Estado da Nação.
“Neste período foram perdidos muitos empregos e as empresas continuam a confrontar problemas com custos operacionais o que têm causado despedimentos”, rematou o sindicalista, acrescentando que dos dados contabilizados pela UNTA 100 mil pessoas perderam o
emprego nos últimos anos.

Dificuldades nos sectores
“O Presidente da República deu ênfase à criação de empregos no sector do Comércio o que é uma realidade, mas devido aos problemas cambiais tem havido uma retracção neste sector. É provável que o sector da Construção tenha criado empregos devido aos projectos de recuperação de estradas”, enfatizou.
Para Manuel Viage, o sector dos Transportes está em queda em termos de criação de empregos com o desaparecimento de muitas operadoras. A Taag, por exemplo, no quadro da privatização anunciou que tem mil trabalhadores a mais
que podem vir a ser despedidos.
“Os transportes marítimos “Catamarãs” estão paralisados, assim como as constantes convulsões que se verificam nos Caminhos-de-Ferro sobretudo em Luanda”, lembrou.
Para sublinhou que existe uma comissão de controlo dos dados numéricos sobre empregos tutelado pelo Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social (MAPTSS) que não reúne com parceiros sociais desde 2017, altura em que o novo Governo entrou em funções.

Despedimentos em massa
Na visão da UNTA, é difícil acreditar que foram criados vários empregos em dois anos quando a realidade mostra outra coisa, com excepção da função pública que admitiu 20 mil professores e cerca de 10 mil na Saúde.
Reafirmou que dados contabilizados pela UNTA indicam que mais de 100 mil pessoas estão no desemprego.
O sindicalista considera que haveria mais transparência nos dados anunciados sobre empregos criados se apurássemos também quantas pessoas foram ao desemprego período entre 2018 e o III trimestre de 2019.
Sublinhou que recentemente numa reunião de apresentação do Orçamento Geral do Estado (OGE), o representante da Associação das Indústrias de Bebida de Angola (AIBA) declarou que nos últimos dois anos o sector perdeu mais de cinco
mil postos de trabalho.

Soluções
Neste contexto, considera que se for bem implementado o Plano de Acção para a Promoção da Empregabilidade (PAPE) pode permitir o surgimento de empreendedores capazes de gerar empregos.
Realçou que o Governo deve continuar a captar investimento privado para permitir que a economia cresça,
estabilize e crie produtividade.
Outra questão que a UNTA lamenta é o facto de não terem sido contactados na discussão do Programa de Privatizações de Empresas (Propriv) uma vez que estão em causa muitos postos de trabalho. “Isso mostra que o Governo não está interessado em dialogar com
os parceiros sociais”, atirou.

Quem pode  promover a empregabilidade?

As empresas que actuam no sector privado com destaque para as sturtups podem ser uma fonte de geração de empregos, segundo Pedro Beirão, Co-fundador da Appy Saúde.
O empreendedor falava, esta semana, em Luanda, durante o programa “Sociedade Aberta”, transmitido pela TPA com o tema “O papel do sector privado na promoção da empregabilidade”.
Referiu que há várias maneiras do Estado apoiar as pequenas empresas através de parcerias público-privadas. “É importante que haja um alinhamento e remarmos todos para a mesma direcção”, disse.
O economista, Cícero Cunha, realçou que os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que há 3 milhões e 900 mil desempregados o que corresponde 29 por cento da população.
Para o economista é importante haver um esforço dos privados no sentido de absorverem a força de trabalho que está à deriva e sem emprego mas com uma acção conjugada com o Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional (INEFOP).
“O Estado não deve continuar a gerar empregos através das suas empresas públicas e tem reduzir ao máximo as empresas que não geram lucros, assim como reduzir a burocrácia nos processos empresariais”, afirmou.
Já o director da empresa, Kubinga, Emerson Paim, defende que o Estado e outras instituições financeiras devem estar mais próximas do mercado informal, pois é onde existe renda e capital.
Por seu turno, o administrador da Refriango, Estévão Daniel, precisou que é fundamental que o Governo crie mecanismos para manter as empresas privadas que ainda estão a funcionar de modo a assegurar os postos de trabalho. “O apoio às cooperativas é crucial neste momento de crise”, finalizou.