Os projectos ligados aos sectores da Indústria, Agro-pecuária, Energia e Águas, bem como ao da Pesca, têm à disposição uma linha de crédito de 300 milhões de dólares do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), concedido ao Banco de Poupança e Crédito (BPC) para impulsionar estas áreas. O acto de celebração do acordo entre as duas instituições bancárias aconteceu quarta-feira, em Luanda e, na ocasião, o presidente do Conselho de Administração do BPC, Alcides Safeca, informou que a instituição vai disponibilizar até cinco milhões de dólares, com prazos de reembolso que vão de dois até oito anos, em função das especificidades do projecto de investimento. Durante a apresentação dos produtos da linha de crédito do BAD, Miguel dos Santos, da Direcção de Pequenas e Médias Empresas do BPC, fez saber que o montante serve para financiar a indústria, a agricultura, a energia e águas e o sector das pescas. A iniciativa que já disponibilizou 120 milhões de dólares, dos 300 milhõesprevistos, deve apoiar pequenas e médias empresas lideradas por mulheres, sobretudo no sector da agricultura, para dinamizarem a produção interna e reduzir a importação de produtos da cesta básica. Entre os requisitos que o BPC exige, para acesso à essa linha de crédito, consta o exercício da actividade nos sectores mencionados, a identificação dos valores em moeda externa, caso haja necessidade de importar matéria-prima, além de outras ligadas à situação fiscal regularizada, à apresentação do estudo de viabilidade económica do projecto, à avaliação do impacto ambiental e à carta de solicitação de crédito que requer uma taxa de 5 por cento sobre o valor.

Reduzir custos
Na ocasião, o presidente da Associação dos Industriais de Angola (AIA), José Severino, exortou aos seus associados a apostarem em projectos de pequena dimensão, como forma de se reduzir os custos operacionais em equipamentos.
Em declarações à imprensa, José Severino disse que os empresários precisam apostar no aluguer de equipamentos, de modo a não gastarem parte do investimento em equipamentos.
Já o economista Lopes Paulo apelou ao Estado angolano a criar uma instituição destinada a reanimar as empresas em Estado de falência.
Para o economista, da mesma forma que o Estado angolano criou a “Recredit” para socorrer os bancos que estavam na eminência de falência, deve pensar num mecanismo para ajudar as empresas a sairem da situação em que se encontram.
Lopes Paulo acredita que a linha de crédito vai privilegiar as empresas já existentes, muitas deslas impossibilitadas de receberem novos créditos, em função dos incumprimentos anteriores resultantes da conjuntura económica que se arrasta desde 2014, e outras que não dispõem dos 20 por cento do valor necessário para que o empresário entre no projecto.
“Quanto às demais empresas, a sua incapacidade se deve pelo facto de o Estado ser o principal credor, daí a necessidade de uma ‘Recredit’, para que as mesmas estruturem a dívida e reanimem a produção”, apelou. Por outro lado, adverte que o incumprimento desta medida pode comprometer os esforços desta linha de crédito, assim como a retoma de algumas empresas em estado financeiro crítico. “O país não pode apostar apenas em novos projectos sem no entanto olhar para os que já existem”, advertiu.
O administrador da empresa Palm Confecções Angola, Luís Contreiras, manifestou-se preocupado com as condições exigidas pelo banco para aceder-se ao crédito, pois, entende que boa parte das empresas angolanas está numa situação de incapacidade financeira, daí o grito de socorro, para ajudar-se as empresas em situação de incumprimento e devolver-lhes alguma “saúde financeira”.