A cruzada contra à corrupção em Angola permitiu, em cerca de dois anos, recuperar mais de mil milhões de dólares em activos e outros avaliados em 4,1 mil milhões são reclamados e em fase de averiguação nos tribunais. O Estado reivindica a devolução dos valores ilicitamente retirados dos seus cofres.
Os mais de cinco mil milhões de dólares podem ser parte de uma soma de 80 mil milhões de dólares perdidos em investimentos, entre 2002 e 2014, de acordo com um recente estudo do Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola (UCAN).
De acordo com o professor e investigador Benja Satula, o estudo do CEIC aponta uma previsão daquilo que deveria ter sido aplicado em investimentos e não foi em 12 anos.
Não menos importante é anotar-se que nas recuperações de activos e recursos também retornaram ao controlo do Banco Nacional de Angola a quantia de 500 milhões de dólares e ao Fundo Soberano um património de 2.350 milhões de dólares.

Recuperação galvaniza
Para o economista Rui de Sousa Malaquias, os activos recuperados, além de galvanizarem, moralmente, devem ser rentabilizados financeiramente e economicamente.
De acordo com o docente, os activos recuperados devem ser entregues a privados com capacidade financeira e conhecimento para os por a funcionar e criar empregos para os angolanos e de forma gradual levar o Estado a recuperar o seu capital investido.
“É essencial que não fiquem sob a esfera do Estado, sob pena de não serem rentabilizados correctamente, pois já vimos que o Estado sempre que tentou ser empresário, as coisas não funcionaram, então esperamos que se tenha consciência que os erros do passado são lições duras e que não são pra repetir”, disse.
O cenário actual indica que o país registou, até finais de Agosto deste ano, por via da AIPEX um total de 178 intenções de investimento, no valor aproximado de mil e 650 milhões de dólares, com a possibilidade de gerar 13.900 postos de trabalho directos.
Cerca de 25% destas intenções, correspondendo a 44 projectos com o valor de 789 milhões de dólares, foram efectivamente implementadas e geraram cerca de 3.950 postos de trabalho directos, na sua maioria na indústria transformadora e na agricultura.
O Presidente da República, no discurso sobre o Estado da Nação, fez saber que o Serviço de Recuperação de Activos trouxe à esfera do Estado duas fábricas de medicamentos, em Luanda e em Benguela, três fábricas têxteis de grande capacidade nessas duas cidades e no Cuanza Norte, e dois terminais portuários em Luanda e no Lobito. Foram, igualmente, recuperados a favor do Estado no âmbito de diferentes processos cíveis 52 imóveis, oito bens móveis, 15 mil milhões e 681 milhões de kwanzas, 313 milhões de dólares e 9.629.000 euros, e apreendidos à ordem de processos-crime em curso, 20 imóveis e seis viaturas.
No quadro do combate à corrupção, Benja Satula lembrou , na recente entrevista a um semanário português, que muitos titulares de cargos de direcção e chefia têm sido chamados a inquéritos, em processos de instrução preparatória com acusações, com pronúncias e com julgamentos relativos não só à corrupção propriamente dita, mas também a alguns crimes derivados do conceito amplo de corrupção