O que é mais visível, nos dias de hoje, são elas/eles a venderem recargas telefónicas, tinteiros, resmas ou até mesmo bijuteria. Mas é pura “camuflagem”. Algumas ainda resistem às restrições de acesso às divisas (sejam euro, dólares ou até mesmo rands) impostas pelo BNA. E contra os oficiais 264 kwanzas por cada 1 euro, na rua vende-se a nota a troco de 500 kwanzas. Assim 100 euros custam 50 mil kwanzas.
À medida que flutua o câmbio, elas também flutuam com as divisas, que, ainda que poucas, vendem de forma selectiva só a quem mostra realmente interesse e que no seu “raio X” instintivo aprove no teste de detecção de fiscais e agentes infiltrados.
O que é facto é que a procura por cambiais ainda persiete. Na baixa, bem defronte do “prédio velho” onde a Edições Novembro EP, faz mais de 40 anos, produz os títulos diários Jornal de Angola e dos Desportos; o semanário Exconomia & Finanças e os quinzenais Cultura e o Luanda - Jornal Metropolitano, que foram surgindo ano após ano de forma sequencial e nessa ordem.
Mas conforme disse ao JE, Tia Engrácia, elas hoje também são pequenos bancos informais, porque dedicam,-se à venda de dinheiro.
“Emprestamos dinheiro a muitos trabalhadores, que devolvem no final do mês após cair o salário. O juro que cobramos é de 50 por cento do valor. Uns pagam a tempo outros nos “aguentam” (risos), mas ainda assim é a forma de sobreviver que encontramos”, disse.
Mas como conseguem os dólares ou euro nessa época difícil?
A kinguila responde com sorrisos: - temos os nossos canais. O dinheiro não é nosso. Temos a boss e é ela a “mãe grande” ou o nosso “papoite” que nos traz as divisas para repassarmos. Os amigos dos bancos é que estão mais achados. “Acho que os gerentes também arrearam”, conclui. IL