Os quatro (4) principais bancos comerciais privados que actuam na praça financeira nacional têm nas suas tabelas de comissões e despesas, que vigoram há meses para uns e alguns dias para outros, diferentes preços por cada serviço para os titulares de contas nestes operadores.
De acordo com o levantamento que fez o JE junto das páginas de internet destes bancos, o custo pelos serviços bancários vai dos 150 kwanzas aos 1,4 milhão de kwanzas. Em alguns casos, cobra-se por determinados serviços de forma discriminatória, em função da morada do requerente, se em Luanda ou noutras províncias, como são os casos dos serviços de avaliação de imóveis.

Operações do BFA

O Banco de Fomento Angola (BFA) pôs a vigorar, desde a última terça-feira (28) em toda a sua rede, uma nova tabela de comissões e despesas para os serviços bancários a incidir sobre os clientes. Nela, pedir saldo (impressão) no balcão custa ao cliente 150 kwanzas.
No caso de o cliente pretender impressão de extracto com saldo de um período superior a um ano paga, doravante, uma comissão de 1.400 kwanzas. Se a conta for em moeda externa, paga o valor equivalente na referida moeda. Já em caso de extracto com até um ano há isenção total de quaisquer obrigações.
A tabela de comissões e despesas fixa ainda os limites e responde aos mais recentes instrutivos do Banco Nacional de Angola (BNA), que mandou rever o que deve ser cobrado aos usuários de serviços bancários no mercado nacional com preocupação nas operações em divisas.
Na nova tabela do BFA salta à vista o facto de a avaliação imobiliária, para imóveis com valor superior a 10 milhões de dólares custar 750 mil kwanzas quando em Luanda e 1,2 milhão de kwanzas se fora da capital. O preço não inclui os 0,5 por cento que o cliente deve pagar em Imposto.
Para os depósitos à ordem, cuja abertura de conta fica condicionada a um valor inicial de 20 mil kwanzas, a comissão de manutenção no trimestre é de 1.700 kwanzas. Quando inactiva (sem movimentos) o valor cobrado, trimestralmente, passa para os 3.500 kwanzas. As mesmas ficam ainda obrigadas a pagar 0,7 por cento de Imposto de Selo.
Já para fotocopiar documentos em arquivo do banco, ao cliente cobra-se 700 kwanzas por cada página solicitada. Se para enviar ao estrangeiro, deve-se pagar 2.500 kwanzas, enquanto que a emissão de declaração de capacidade financeira custa 16.500 kwanzas.
Na compra de divisas, os clientes do BFA passam a pagar cinco mil kwanzas pelo movimento da conta, em operações cambiais a prazo, e dois dólares quando na venda de notas.
Já em transferência intrabancárias (de conta à conta no mesmo banco), o cliente paga 800 kwanzas, tratando-se de uma operação pontual e 400 kwanzas se permanentes. A mesma tabela vale para casos de operações com titulares diferentes. O cheque avulso no balcão custa 1.950 kwanzas. A devolução e a compensação custam 4.500 kwanzas cada um. Na requisição, o módulo de cheque de 12 custa três mil kwanzas, quando no balcão, e 1.500 kwanzas se no BFANet. Para módulos de 21 cheques cobram-se 3.300 kwanzas no balcão e 1.800 kwanzas no BFANet.
Os serviços bancários efectuados por via de cartões multicaixas são os que não remetem custos aos usuários. Em linha, fica também visível a promoção dos serviços bancários pela internet e uma intenção clara dos bancos em reduzirem a presença física de clientes no interior dos balcões.

A estratégia do BAI

Na sua tabela em vigor desde Agosto de 2018, o Banco Angolano de Investimentos (BAI) cobra para manutenção de conta 500 kwanzas ao mês, em caso de contas com gestores. Nele, as transferências intrabancárias custam 1.000 kwanzas, se feita por via do balcão. A comissão de venda de divisas é de 400 kwanzas.
Para os clientes empresas e outros, a manutenção de conta custa-lhes 1.300 kwanzas ou 5,00 dólares, atendendo à natureza da respectiva conta. Estas taxas aplicam-se só em contas com gestores. As transferências intrabancárias feitas no balcão custam mil kwanzas no BAI. Quando a transferência deve ir para outro banco, há uma comissão de despesa de comunicação de 500 kwanzas e a aplicação de 0,40 por cento do valor em comissão de emissão.

BIC busca liderança

Por sua vez, o Banco Internacional de Crédito (BIC) cobra, desde o dia 21 deste mês que vigora a sua nova tabela, em comissões de manutenção para depósitos à ordem 1.900 kwanzas e 2.000 kwanzas para contas em situação de inactividade. Já a emissão de extracto custa 1.000 kwanzas ao cliente. A requisição de cheques em módulos de nove custam 1.500 kwanzas feita no balcão ou por via Net. Para os módulos de 24, o custo é de 2.500 kwanzas nas mesmas vias que os anteriores.
Nas transferências para o mesmo titular há isenção de custos enquanto que para diferentes cobra-se 400 kwanzas se pontual e 200 kwanzas quando permanentes.
A solicitação de fotocópia de arquivos no BIC custa por páginas 1.150 kwanzas. Se para enviar, via fax, ao estrangeiro cobra-se ao cliente 3.800 kwanzas mais 0,70 por cento de Imposto de Selo. Para a declaração de capacidade financeira cobra-se 28.500 kwanzas.
Em avaliações imobiliárias, o BIC cobra para Luanda 295 mil kwanzas para imóveis e com custo superior a 700 mil dólares. Se fora da capital, o custo fica em 454 mil kwanzas, sem incluir os 0,70 por cento de Imposto de Selo. As vistorias em Luanda ou fora dela custam 72 mil, 152 mil kwanzas, respectivamente.

Fusão deu forças ao BMA

O Banco Millennium Atlântico (BMA), outro integrante do big four (expressão em uso na banca para designar os quatro maiores bancos da praça), cobra 20 mil kwanzas para abertura de conta e pela manutenção 1.500 kwanzas no trimestre, isto para a conta global e futuro empresário.
Os levantamentos sem cheque no balcão custam ao cliente 200 kwanzas. A requisição de cheque custa 60 kwanzas por cada um, o que perfez 1.440 kwanzas para um módulo de 24 e 1.740 kwanzas para o módulo de 29. As transferências pontuais ou permanentes nas operações intrabancárias (com o mesmo banco e cliente) custam 500 kwanzas, valor igual quando aplicado em diferentes titulares. A emissão de capacidade financeira ou atestado de idoneidade custa 20 mil kwanzas.
Os bancos, que formam o “big four” dos estimados cerca de oito milhões de clientes com contas bancárias têm para si 5,5 milhões dos titulares de contas. Eles também são dos poucos já presentes em todas as capitais de províncias e lideram no apoio ao crédito à economia.

BAI e BMA emitem Visa

Os clientes com salários domiciliados nos bancos BAI e BMA têm, neste momento, acesso facilitado à emissão normal de cartões Visa de débito internacional.
Ao que soube este jornal junto de fontes dos bancos, em menos de uma semana, os interessados desde que justifiquem a viagem para o exterior, por via de bilhetes de passagem e vistos, para destinos com tal exigência, podem emitir os cartões e evitam também as longas esperas de plafonds para compra de moeda.
Os bancários dizem que, face aos últimos instrutivos do Banco Nacional de Angola (BNA) sobre as comissões nas operações com o exterior e normalizado oacesso da banca às divisas, se faz necessário aumentar o volume de transacções com cartões no exterior. A medida diminui a cierculação de notas e dá sempre um certo lucro ao banco, que cobra em cartões de débito 2,00 no carregamento, 3,00 no levantamento e 3,00 em compras ou pagamentos.

Banco capta 50 talentos

O Banco de Fomento Angola (BFA) em parceria com a Novabase lançou, recentemente, no âmbito do sua aposta no capital humano, o programa de trainees “Futuro BFA”.
De acordo com uma comunicação do banco a que o JE teve acesso, o programa vai seleccionar 50 talentos nacionais, licenciados, com mestrados ou pós-graduação nas áreas de gestão de empresas, contabilidade, finanças, matemática e economia.
Está prevista, já para Julho e Agosto deste ano, no quadro do programa, a integração dos jovens captados nos quadros do banco para um período de 12 meses (um ano).
Os interessados devem inscrever-se por via de uma página específica lançada pelo banco (futuro.bfa@bfa.ao) até hoje, 31 de Maio.

servir com excelência

Com uma carteira de clientes estimada em mais de 1,8 milhão, o BFA aposta na eficácia e qualidade do atendimento para merecer a preferência do mercado, onde já actua há 25 anos, na condição de pioneiro da banca comercial privada em Angola na era pós-economia planificada.
Em termos operacionais, o banco é dos que mais aplica recursos em Títulos do Banco Central. Daí que em 2018, dos 187 negócios realizados na Bolsa de Dívida e Valores de Angola, o BFA foi a instituição financeira que mais negócios concretizou, com um total de 136 lances avaliados.
Foi ainda, em 2018, distinguido como Banco do Ano em Angola, pela prestigiada revista The Banker, do grupo Financial Times.
O reconhecimento, segundo argumentam, deve-se à solidez, inovação e aposta no futuro.