Um pouco motivado pela crise económica, o cidadão angolano despertou os seus interesses por pequenos negócios para complementar os gastos do dia-a-dia que o salário mensal já não pode cobrir.O JE saiu à rua e constatou que com o poder de compra reduzido consideravelmente pela subida vertiginosa dos bens e serviços, procurar uma fonte extra de renda foi o caminho escolhido por alguns entrevistados.
Disseram que, com os preços no mercado a oscilarem constantemente, deixaram de comprar alguns bens desejados ou de fazer uma viagem planeada, por exemplo. Admitem que está cada vez mais patente o interesse do cidadão em arranjar uma fonte “extra” de rendimento.
A recepcionista Catarina Dala admite que o negócio “extra” é um hábito do angolano. Para ela, estamos hoje mais obrigados a este esforço, ao mesmo tempo reconhece que, anteriormente, as pessoas revelavam certa preguiça e falta de dedicação.
Conforme contou, antes tinha mais tempo e fazia sempre um negócio extra. Porém, hoje, o serviço apertou mais no horário e não resta muito tempo para exercer qualquer outra actividade.
“ Agora tenho a obrigação de entrar às 8 horas e só largo pelas 15h30. Com as dificuldades de táxi, até chegar ao Zango, fica tarde e só resta descansar para o dia seguinte”, lamentou
Catarina da Silva, 60 anos, é mãe de sete filhos. Conta que neste momento não é possível para muitos viver só do salário que se ganha mensalmente.
“Tenho uma janelinha aberta para venda de bebidas em casa e é isso que tem ajudado a satisfazer as necessidades básicas, senão seria muito complicado sobreviver ante esta crise”, afirmou.
Por sua vez, Maria Pedro, secretária de profissão, mãe de dois filhos, disse não ter muito jeito para negócios, mas reconhece a sua utilidade e que o angolano tem muita queda para pequenos negócios.

“Não tenho mesmo nehuma experiência para essas coisas, mas é importante termos sempre uma fonte de rendimento extra”, disse.
A funcionária pública Manuela Bismarque, casada recentemente, afirma que pensa em fazer algum negócio para fazer cobro às suas necessidades que se multiplicam cada vez mais. “Está mesmo cada vez mais difícil satisfazer as minhas necessidades. Estou a juntar um dinheiro e penso mesmo começar a fazer um negócio extra”.
João Jungo, trabalhador por conta de outrem, também casado e pai de 5 filhos disse que a crise diminuiu mesmo o poder de compra do cidadão. Por isso, é de opinião que as entidades empregadoras deviam fazer algum esforço maior para ajudar os empregados a equilibrarem as contas correntes.
“Acho que podemos fazer algo sim, mas é verdade também que seria bom se o salário mensal fosse suficiente para dar cobro às necessidades básicas do trabalhador”, considerou.

Maria Pedro
Secretária
Não tenho muito jeito para negócios, mas reconheço pessoas com apetência para pequenos negócios. falta-me experiência para essas coisas, mas é importante termos sempre uma fonte extra de rendimento

Manuela Bismarque
Funcionária Pública
penso fazer algum negócio para dar cobro às minhas necessidades que se multiplicam cada vez mais. estou só a juntar um dinheiro, e penso mesmo começar a fazer um negócio e ganhar uns trocos por fora

Catarina da Silva
Funcionária Pública
Penso fazer algum negócio para dar cobro às minhas necessidades que se multiplicam cada vez mais. estou só a juntar um dinheiro, e penso mesmo começar a fazer um negócio e ganhar uns trocos por fora