A Associação Angolana de Bancos (ABANC) disse não ver nem sentir algum sinal de instabilidade no sector bancário, muito pelo contrário, há uma cada vez mais crescente estabilidade.
De acordo com Amilcar Silva, que preside o organismo, a retirada da licença aos bancos Mais (BMais) e Postal (BPT), seus filiados, decorre de um normativo do regulador.
Conforme garantiu, estes procedimentos ocorrem em todas as partes do mundo e na banca em particular, porquanto a natureza da actividade financeira-bancária obedece a critérios prudenciais, sendo competência do regulador a criação e defesa do ambiente de investimento capaz de dar garantias aos depositantes de controlo rígido e protecção dos activos depositados à guarda dos bancos.
Questionado se não fazia sentido, o BNA adoptar um escalonamento dos bancos em função do seu perfil, fundos próprios e público-alvo, Amílcar Silva disse não ser o centro da questão nem fazer sentido avançar-se para estas subdivisões, até porque, conforme referiu, os bancos já estão subdivididos em função do seu objecto de negócios. Uma coisa disse Amilcar Silva: a Abanc não foi notificada nem pelo banco central nem mesmo pelos filiados implicados. Daí manter esta algum silêncio.
Quem não tem dúvidas de que a posição do BNA foi excessiva é o também bancário Jorge Leão Peres, para quem poder-se-ia activar outros mecanismos, sendo um deles a retirada temporária da licença e não definitiva como é o caso. Diz que a Lei das Instituições Financeiras concede outras alternativas que bem poderiam ser usadas pelo regulador, até para salvaguardar a confiança dos depositantes no sistema.
Para Leão Peres, o BNA devia acautelar a medida porque, no caso do Banco Postal, os montantes apresentados de 13,6 mil milhões de kwanzas de capital social e 4,2 mil milhões em fundos próprios, são legítimos para prosseguir as sua actividades.

Expectativas frustradas

As expectativas para 2019 definidas pelo administrador António Santana, do Banco Mais, eram de afirmação da instituição, através da presença no mercado com oferta de produtos e serviços diferenciadores. Tal decisão passava pela criação de valor acrescentado à vida das pessoas e na actividade das empresas. De acordo com o bancário, para atingir tais metas e objectivos, o banco procuraria ter o seu principal activo, os colaboradores, cada vez mais motivados e comprometidos com a estratégia adoptada pelos accionistas, além de consolidar a aposta nos canais alternativos de interacção e relação com o “Banca Digital”. Isso passaria pela dedicação 24/24 às necessidades dos parceiros “clientes”, o que permitiria melhorar a quota de mercado.
Por sua vez, o presidente do Conselho de Adminsitração do Banco Postal, João Freire, entendia que os mais de 250 mil em menos de dezoito meses confirmam a aposta num serviço de proximidade e inovador, claramente valorizado pelos nossos clientes. Uma rede de distribuição onde se destacam quatro (4) agências (três em Luanda e uma no Huambo), tendo como complemento uma rede, sempre em crescimento, de cerca de 170 postos bancários (quiosques).
“O futuro é uma certeza para o Banco Postal. Esta certeza começa por ser “plasmada” nas nossas acções previstas para o II semestre de 2018 e no Plano Estratégico 2019-2023”, disse citado pelo estudo Banca em Análise.
O facto é que estas intenções desde segunda-feira caíram por terra, porquanto os activos “colaboradores” destes dois bancos entraram no (des)emprego passivo, após encerramento pelo BNA.