Os clientes que se dirigirem ao hipermercado Kero do Gika, em Luanda, amanhã, sábado (30), vão deparar-se com equipas de bancos comerciais a promoverem a abertura de novas contas bancárias.
Ao que soube o JE de funcionários de alguns bancos inseridos no programa, trata-se de mais um sábado verde, com o qual os operadores financeiros pretendem elevar a actual taxa de bancarização e reduzir a informalidade, além do número de cidadãos com recursos monetários que podem representar uma mais-valia no sistema financeiro.
Contactada a área de marketing do Kero, o técnico que nos atendeu, disse desconhecer tal iniciativa e por essa razão não poderia fornecer mais informações sobre a campanha dos bancos, especificam, ente na loja do Gika.
Todavia, no interior dos shopping, onde a maioria dos hipermercados começa a deslocar os seus serviços são notórias a presença de balcões de diversas instituições. As mesmas, além de efectuarem trocas e pagamentos também são captadoras de depósitos e respondem em casos de falha nos sistemas aos pedidos de levantamento de somas em dinheiro, o que aumenta o valor delas nestes locais.
Neste momento, o programa de bancarização em Angola conta com a participação de todos os “players” do sector financeiro, integrado pelo Banco Nacional de Angola, Agência Angolana de regulação e Supervisão de Seguros e a Comissão do Mercado de Capitais. Todos eles comprometem-se em desenvolver acções tendentes à redução da exclusão bancária e financeira das populações.
Os últimos dados, divulgados pelo BNA em Novembro de 2016, apontavam para 7,8 milhões de contas abertas, ou 52 por cento do que se supunha, antes do censo ser um universo de 15 milhões de pessoas adultas. A Direcção para Educação e Inclusão Financeira do BNA declarou, na altura, que o processo de bancarização da população consta de uma estratégia iniciada em 2013, para alcançar, até 2017, aproximadamente 60 por cento da população adulta.

A realidade no mundo

No mundo, em 2018, de acordo com um relatório divulgado pelo Banco Mundial, na quinta-feira, aponta que a percentagem da população mundial que movimenta contas bancárias formais, de 53 por cento, está praticamente estagnada, ao contrário do intenso avanço tecnológico do sector financeiro em criptomoedas - dinheiro virtual - e em pagamentos por telemóvel.
Realizada a cada três anos, a pesquisa mostra também que o número de pessoas com contas formais nos bancos subiu de 61 por cento em 2014 para 67 em 2017, mas o aumento também insere contas inactivas, ou que não são movimentadas pelos seus titulares.
Neste sentido, a instituição financeira internacional destaca que a participação de contas activas nos bancos cresceu de 52 para 53 por cento. Em países de rendimentos baixos e médios, a situação é ainda pior. Na maior parte deles, menos de metade da população possui contas com movimentação.
Embora o sector tenha registado ganhos substanciais de 2014 a 2017, a proporção de adultos bancarizados activos avançou de 44,4 para 45,54 por cento nos países mais pobres.