O financiamento ao sector produtivo angolano pode contar, em breve, com uma nova linha de crédito dos Estados Unidos da América (EUA) estimada em 4,2 mil milhões de dólares. O economista Lopes Paulo, que avançou esta possibilidade, esta semana, no programa televisivo Debate Livre, da Tv Zimbo, disse ser esta uma óptima notícia para as previsões económicas deste ano, contando que a agricultura e a indústria deverão ser, em princípio, os principais beneficiários deste desembolso. Lopes Paulo entende que os 141 mil milhões de kwanzas do Programa de Apoio ao Crédito (PAC) disponibilizado por oito (8) bancos comerciais junta-se aos apoios do Banco Mundial e do francês Credit Agricole para relançar-se a agricultura que no OGE revisto ficou com 1,6 por cento da fatia global de 10,3 trilhões de kwanzas. Quanto ao programa de privatização das empresas, é de opinião que o Estado deveria avançar com contratos programas ao invés de venda de activos, porquanto a exigência de capitais em muitas das empresas públicas pode afugentar os investidores privados devido ao volume do capital necessário para a recuperação das empresas em muitos casos. O jornalista e economista Carlos Rosado de Carvalho entende que o OGE revisto deveria reflectir avanços em determinadas áreas, tal como é o caso da defesa e segurança ainda merecerem mais dinheiro em relação à saúde e à educação. Lembrou que para estes dois sectores, as convenções internacionais de que Angola é signatária recomendam uma alocação de 20 por cento para a Saúde e 15 para a Educação. No caso de Angola, eles mereceram no OGE revisto a metade do previsto nas convenções. “O compromisso assumido por Angola é de até 2022 fixar as dotações do OGE à Saúde e Educação nos marcos previstos”, disse. Sobre as receitas a serem geradas pelas privatizações das empresas, Rosado pede para que a mesma seja canalizada no pagamento do serviço da dívida. Lembra também que deve ser ponderada a estratégia de endividamento, uma vez o OGE disponibilizar 1,2 biliões de kwanzas para a Saúde e a Educação juntas e só a dívida levar do bolo orçamental 1,6 bilhões de kwanzas. O docente e economista Precioso Domingos diz não ter dúvidas que a receita para que Angola saia da recessão passe pelo crescimento económico. Na comparação disse que, o crescimento na economia é como a vitamina às pessoas. Gera apetite e precisar-se-á de alimento (produção interna) para a suportar. Preocupa-lhe o facto de o Governo ter mexido pela primeira vez na amortização e nos juros, o que reflecte uma reduzida capacidade, neste momento, de o país pagar o seu serviço de dívida. Já o especialista em políticas públicas Nani Vontade apela para que a educação seja o motor de toda a estratégia de desenvolvimento, além de ter-se as universidades voltadas à investigação e à produção. Mostrou-se incomodado com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,3 por cento e a taxa de analfabestismo de 25 por cento. “O que um só norte-americano faz, Angola precisa de três pessoas para o fazer . Isso é bastante preocupante para mim”, disse. Contudo, viu como um bom sinal o facto de nos próximos dias serem admitidos novos médicos, enfermeiros e professores.

* Debate Livre da Tv Zimbo