Os países africanos presentes no Africa Finance& Investment Forum (AFIF/2013), que decorreu entre 13 e 14 de Junho, na cidade suíça de Genebra, aproveitaram a ocasião para tentar a sua auto-promoção e desta forma atrair os financiadores e outros investidores.

Com mais de 100 instituições de África e da Europa, no fórum que elegeu o tema “Promoção de trocas comerciais para o crescimento e desenvolvimento”, organizado pelo EMRC em colaboração com o Afreximbank (Banco de Exportação e Importação Africano), a Internacional Trade Center (ITC) e a International Finance Corporation (IFC), os participantes tiveram a oportunidade de reunir-se e trocar directamente experiências, apresentar projectos e assim resolver um dos mais importantes problemas habituais em África, que é o acesso aos recursos financeiros, um dos factores de produção mais relevantes.

Nas sessões plenárias, os bancos específicos de investimento e instituições financeiras internacionais apresentaram-se disponíveis para financiar outros bancos e empresas africanas.

No caso angolano, o país fez-se representar por uma das maiores comitivas e, além disso, foi o único a ter  um stand permanente na área de exposição, organizado pela sua embaixada na Suíça, disponibilizando a todo o momento informação sobre a Lei de Bases de Investimento Privado e os diversos apoios do Executivo angolano na criação de empresas e financiamento de projectos.

Sectores em foco
Segundo o ministro conselheiro de Angola na Suíça, Lukonde Luansi, há um enorme esforço do Executivo no desenvolvimento da agricultura e da indústria, através do Angola Investe e de outros projectos, citando como exemplo a produção e a transformação de soja no país,  tendo lembrado os acordos existentes com o Brasil, que apoia numa fase inicial a execução destes projectos.

Por seu lado, Rui Gião Santos da empresa Casbi Group, representante do Centro de Desenvolvimento das Empresas em Luanda (CDE), organismo que funciona como elo de ligação com a União Europeia para o desenvolvimento do sector privado, apresentou a necessidade da criação de uma base de dados com empresas africanas de todos os países, as suas valências, aptidões e potencialidades, de forma a fomentar a criação de cadeias de valor entre os diferentes países, o que fomentaria o comércio.

Pela empresa Angola Stone, o seu responsável, Matias Neto, disse ser de grande valia a formação e a troca de experiências no âmbito dos dias que antecederam o Afif 2013, onde foram ministrados cursos de como elaborar estudos, projectos e outras ferramentas de acesso ao financiamento. A Angola Stone levou ao fórum dois projectos, sendo um de exploração do granito negro de Angola e outro de criação de um centro logístico no Sul de Angola.

No caso do primeiro projecto, “granito negro de Angola”, o objectivo é usar o terreno e licenças de que dispõe do Governo angolano para com o apoio de investidores montar uma fábrica de transformação em solo pátrio, uma vez que o produto é enviado para transformação em Portugal, Espanha e Itália, e, por vezes, recebido de novo em Angola como produto acabado, após ter sido processado nestes países. Já no segundo, da criação de um centro logístico no Sul do país, quer-se promover um maior aproveitamento da linha de Caminho-de-Ferro do Namibe (ex-Moçâmedes).

Visão africana
O Banco Africano para o Desenvolvimento (BAD), representado pelo responsável pela área de comércio, Tijani Babatunde, anunciou a luta constante do banco contra a pobreza, através do incentivo ao comércio, às empresas africanas e à promoção de linhas de crédito que visam a circulação de produtos entre países africanos, promovendo a redução das importações por parte do continente.

Nesta perspectiva, na sessão de abertura do fórum, Babacar Ndiaye, criador e presidente honorário do Banco Afreximbank, sublinhou a necessidade da criação de mais linhas de crédito e pediu mais responsabilidades ao sector financeiro pelo desenvolvimento do comércio através de novas formas de procedimento e actuação, principalmente no que diz respeito ao reforço da capacidade das micro-empresas. Referiu ainda a necessidade de a África diversificar as exportações  encorajando a  criação de  cadeias de valor dentro de cada país e ao longo de África para evitar a importação de matéria-prima vinda de fora de África – “só desta forma e aproveitando muitos financiamentos que neste momento são desperdiçados, África segue na direcção certa, continuando a crescer sustentadamente a um ritmo acelerado”, referiu o citado presidente honorário.

Já o presidente do Banco Africano de Importação e Exportação, Jean-Louis Ekra, referiu que o banco ao qual preside está disponível para financiar e promover várias oportunidades de negócios em África, fomentando o comércio interno e de África para com o exterior, tendo uma linha de investimento especial para a criação de uma indústria de base que coloque no mercado produtos que habitualmente são importados por África em larga escala.