Avaliação internacional certifica que a economia angolana está menos exposta e demonstra um nível de estabilidade.

As três principais agências internacionais de notação do risco financeiro (rating), nomeadamente Fitch, Moody’s e Standard & Poor’s, elevaram, recentemente, a posição da economia angolana. Com esta avaliação, o país passa do nível “B+” com perspectiva positiva para o “BB” com perspectiva estável na tabela da Fitch e da Standard Poor’s. Na avaliação da Moody’s, a notação transita de “B1” com perspectiva positiva para “Ba3” com perspectiva estável (o que equivale à classificação “BB-” das outras duas agências).

O reconhecimento exalta a robustez da economia e os avanços verificados, apesar do cenário internacional ainda caracterizado pela crise de dívidas soberanas de países desenvolvidos.

Deste modo, a elevação para o nível “BB-” abre como principal cenário, num futuro próximo, o acréscimo de mais um “B” à notação do país. Nesta altura, o mercado angolano estará posicionado no grupo de países com grau de investimentos.

Razões da subida

As agências internacionais apresentaram uma série de argumentos lógicos para sustentarem o melhoramento do nível de risco do país. Mantendo o perfil de independência das suas avaliações, combinam em diversos factores, o que credibiliza a avaliação e justifica o sucesso das medidas que têm sido tomadas pelas autoridades angolanas.

Agência Fitch

O comunicado do Ministério das Finanças revela que a Fitch deu destaque ao facto de o país ter ultrapassado de forma relativamente rápida o efeito da crise financeira mundial entre 2008-2009. A acção permitiu o reforço da política macroeconómica, através da combinação de medidas de ajuste fiscal e monetário com a recuperação dos preços internacionais do petróleo. Assim, mantém-se a trajectória de recuperação das reservas líquidas internacionais e de regularização dos pagamentos de parcelas substanciais dos acumulados de 2009.

A Fitch realçou que a notação do país continua suportada por um forte crescimento económico desde 2004, assegurado pelo aumento da produção de petróleo, por elevados investimentos públicos e um percentual moderado de dívida pública, interna e externa.

Moody’s

Para a decisão de elevação da notação de Angola, a agência Moody’s identificou três factores:

- A melhoria nas contas fiscais e cambiais, propiciada pela recuperação dos preços do petróleo, convertendo-se num défice fiscal de 10 por cento do PIB, em 2009, para superavit em 2010.

- O progresso na implementação das reformas preconizadas por Angola no Acordo Stand-by com o FMI, que incluem maior transparência fiscal e a constituição de um fundo para melhorar a gestão das receitas petrolíferas excedentárias.

- A regularização dos pagamentos em atraso perante fornecedores, acumulados durante a crise de 2009.

Standard & Poor’s

Por sua vez, a agência Standard & Poor’s, na mesma linha de pensamento, realçou a robusta melhoria dos resultados das contas fiscais e externas, prevendo que preços relativamente altos do petróleo e do gás, bem como o aumento na sua produção, darão suporte à economia no período 2011-2014. Reconhece, para além disso, que o país está a fortalecer a sua gestão macroeconómica e monetária, regularizando pagamentos acumulados na crise de 2009 e estabelecendo mecanismos de execução orçamental que vão prevenir a sua repetição.

A notação atribuida pela Standard & Poor’s reflecte a perspectiva de um forte crescimento económico, com um reduzido nível da dívida pública interna e externa. Advoga, de igual modo, que o PIB per capita de Angola ultrwapassa o de vários países com a mesma notação (“BB-“).

FMI contribui

Na referida nota de imprensa, o Ministério das Finanças torna público que o cumprimento do acordo Stand By assinado com o Fundo Monetário Internacional (FMI) também contibuiu para a elevação da notação do país. Aliás, a missão do fundo internacional que esteve no país para conduzir a quinta avaliação da aplicação do acordo que começou em Novembro de 2009 assegurou existirem condições para o novo desembolso estimado em 136 milhões de dólares.

No relatório produzido pelo chefe da missão do FMI, Mauro Mecagni, as políticas macroeconómicas do Executivo angolano têm estimulado o equilíbrio da balança interna de pagamentos.

O acordo Stand By Agreement vai desembolsar na totalidade uma ajuda financeira de 1,4 mil milhões de dólares.

Leia mais sobre outras notícias da actualidade na edição impressa do Jornal de Economia & Finanças desta semana, já em circulação