Indicadores do sector avançam que até 2030 o produto pesqueiro mundial vai resgistar uma subida gradual e chegar à marca de 100 milhões de toneladas/ano.

Os governos de Angola e da Coreia do Sul deverão reforçar os laços de cooperação no domínio das pescas, através da transferência tecnológica com vista ao aumento dos níveis de captura do peixe no país.

Esta preocupação foi manifestada, na semana passada, em Luanda, pelo ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, Afonso Pedro Canga, que falava durante o simpósio internacional sobre a cooperação no sector das pescas entre a República da Coreia e África. O responsável sublinhou que este processo passa pela formalização e implementação prática de protocolos de formação entre quadros dos dois países.

“Desta forma se poderá melhorar a dieta alimentar e, consequentemente, regular o preço do alimento marinho nas comunidades, assim como conservar algumas espécies”, adiantou.

Segundo o ministro Afonso Pedro Canga, o desenvolvimento do sistema pesqueiro constitui uma das apostas do Executivo para empregar mais pessoas e aumentar a renda no meio rural, uma vez que a Coreia do Sul deve ser considerada uma parceira certa para que se cumpra com este desafio.

O ministro anunciou estar em curso no país a implementação e desenvolvimento de vários projectos de pesca artesanal, uma vez constituir uma das bases de sobrevivência de milhares de populares no meio rural.

Produção do carapau

A directora nacional de Pescas e Agricultura, Maria dos Santos, que apresentou no evento o projecto sobre “Repovoamento de larvas de carapau em Angola e suas vantagens”, revelou que a agência coreana Koica disponibilizou cinco milhões de dólares para desenvolver projectos virados ao aumento da espécie do peixe carapau.

Este valor vai servir, segundo a responsável, para se implementarem projectos de criação de infra-estruturas, laboratórios, formação de quadros, assim como a transferência de tecnologia.

Em relação ao projecto de repovoamento de larvas de carapau no país que será implementado em 2012, por um período de três anos, este permitirá o aumento dos níveis de biomassa do recurso.

“A drástica redução do recurso faz com que o país seja forçado a importar o produto para satisfazer a procura do mercado interno”, explica.

O simpósio, cujo objectivo principal foi uma abordagem abrangente sobre o aproveitamento dos recursos alimentares marinhos, congregou especialistas das pescas de muitos países africanos, com realce para os provenientes do Ghana e da África do Sul.

Este encontro constitui, igualmente, o segundo evento organizado pelo fórum das pescas entre a Coreia do Sul e África (Koraff), co-organizado pelo Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas.

Por sua vez, o presidente da Coreia Maritime Institutu, Hak-so Kim, disse que o seu país está a aprofundar o estudo e concentrar muitos especialistas no sector pesqueiro para o seu desenvolvimento junto dos parceiros.

“Nos últimos 10 anos, a Coreia tem estado a utilizar a sua capacidade por via do estudo de questões globais, além de desenvolver sistemas de cooperação desde a criação do Koraff”, explica.

A fonte defendeu a implementação dos princípios adoptados no encontro do ano passado, realizado na África do Sul, para facilitar e desenvolver os parceiros na tecnologia de pescas.

Defendeu, igualmente, o reforço da cooperação dos integrantes com a República da China, já que aquele país tem utilizado uma tecnologia de pesca que permite a conservação das espécies marinhas por longo tempo.

Indústria pesqueira

Segundo Hak-So Kin, a indústria pesqueira registou um desenvolvimento tecnológico, incluindo o ambiente pesqueiro, devido ao aquecimento global. Nota importante também para a degradação e aumento da concorrência a nível mundial.

Indicadores do sector apontam que o consumo dos produtos pesqueiros tem registado um crescimento bastante elevado. Por isso, nos próximos 10 anos, estima-se que o crescimento humano possa reduzir a um por cento, enquanto o consumo, principalmente nos produtos pesqueiros, tende a crescer 2,3 por cento por cada ano que passa.

O especialista coreano explicou que, se se mantiver o crescimento do consumo do produto pesqueiro até em 2030, as estimativas alimentares deste alimento vão subir na ordem de 100 milhões de toneladas por ano em todo o mundo.

Por isso, considera que a capacidade de captura pode ser vista como uma oportunidade para os produtores pesqueiros, mas estes deverão se engajar no mercado competitivo para aquisição de mais recursos pesqueiros.

“Os nossos parceiros africanos têm grande capacidade de recursos pesqueiros e a República da Coreia está engajada para estimular o desenvolvimento de políticas pesqueiras, tecnológicas e criação de empresas que possam competir no mundo. Em África, a indústria pesqueira funciona como fonte de alimento e também um factor de desenvolvimento”, disse.

Na visão de Hak-So Kin, a África apresenta recursos marinhos que lhe permitem catapultar-se para níveis elevados na captura.

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