O Ministério das Pescas e do Mar pretende criar áreas marinhas protegidas, para garantir a manutenção de cadeias alimentares com vista a proteger a biodiversidade e a produtividade piscícola.
Segundo a titular da pasta, Victória de Barros Neto, quando em Luanda, procedia a abertura do workshop sobre “A gestão de áreas marinhas protegidas”, numa iniciativa da Direcção Nacional de Pescas e Protecção dos Recursos Pesqueiros, insere-se no âmbito do programa de cooperação técnica entre Angola e a Noruega, o projecto poderá auxiliar na conservação dos mananciais pesqueiros, através da protecção de áreas de “desova” e de crescimento dos recursos.
“A investigação científica tem importância relevante na identificação das referidas áreas e no fornecimento de linhas de orientação para que os gestores possam criar e implementar as medidas de gestão para conservação”, destacou.
Victória de Barros Neto revelou que a zona costeira angolana possui ainda áreas particularmente “sensíveis e frágeis” do ponto de vista ambiental tal como os estuários e os sistemas de mangais, importantes para o crescimento de muitas espécies de peixes comerciais.
Por isso, reforça a governante, os esforços voltados para o desenvolvimento sustentável dos oceanos e dos ambientes costeiros a nível mundial resultam na criação de Áreas Marinhas Protegidas (AMP) como um dos principais instrumentos de gestão que visam a conservação dos recursos pesqueiros, especialmente em áreas de pesca artesanal, onde a sobreposição de vários componentes da pesca, as variações climáticas, a pressão populacional entre outros factores, são evidentes.

Protecção do ecossistema

No seu pronunciamente, a ministra frisou que as AMP abrangem diferentes tipos de protecção, dependem de seus objectivos de conservação, económicos ou sociais, e engloba desde áreas pequenas distintas a proteger bem como espécies em perigo de extinção, seu habitat, ou grandes áreas com ecossistemas variados.
A titular da pasta assegurou que o sector das Pescas e do Mar em Angola joga um papel importante para o desenvolvimento do país, em particular na segurança alimentar e na geração de empregos especialmente na zona costeira.
“Os ambientes costeiros e marinhos são berçários de vida, abrigam tanta ou mais biodiversidade do que as florestas, têm papel chave no equilíbrio climático e ainda abastecem a humanidade de alimentos e uma infinidade de recursos naturais vivos e não vivos”, sublinhou.
Para a governante, estes ecossistemas estão “gravemente” ameaçados e estima-se que quase metade dos mares e oceanos que circundam ilhas e continentes já estão “altamente impactados pela actividade humana”.
A costa angolana, com um total de 1.650 quilómetros, tem condições favoráveis para o crescimento dada a abundância de recursos marinhos.
Actualmente, mais de 90 por cento do peixe capturado é vendido no mercado nacional e comercializado fresco.
Dados do sector apontam que a pesca artesanal marítima e continental constituem um importante segmento, já que envolve uma mão-de-obra de cerca de 50 mil pescadores, estando nela envolvida de forma directa e indirecta mais de 85 mil pessoas. Por outro lado, representa entre 30 a 35 por cento das capturas totais do país.
Segundo avança um documento do Ministério das Pescas e do Mar, a pesca artesanal marítima e continental tem estado a garantir a segurança alimentar, redução da fome e da pobreza, além da geração de renda e crescimento económico.
Durante três dias de workshop, os participantes abordaram vários temas ligados à panorâmica geral referente as áreas marinhas protegidas.
O encontro, juntou vários especialistas de diferentes Ministérios, da Universidade Agostinho Neto, da Universidade de Aveiro (Portugal) e do Ministério do Comércio, Indústria e Pescas do Reino da Noruega.