O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) mantém a sua política de apoio à economia nacional com grandes programas virados na construção de infra-estruturas sociais com vista a promover a integração regional, o comércio internacional e o empresariado.

A informação foi prestada pelo representante do BAD no nosso país, Septime Martin, na apresentação da estratégia do banco para os próximos dez anos, realizada em Luanda, que serviu igualmente para transmitir aos seus colaboradores as conclusões saídas da reunião anual do grupo de 2013, realizada em Marrocos, em Maio último.

Septime Martin disse que o BAD tem verbas disponíveis para financiar projectos em África, em Angola em particular, mais precisamente na área de infra-estruturas sociais com o objectivo de ajudar o processo de desenvolvimento.

“Neste momento, estamos a realizar uma grande campanha para mobilizar mais doadores para a angariação e a manutenção do fundo, mas para isso temos que repensar o nosso modelo de financiamento”, disse.

Para o responsável, uma das questões que limita ou impede o franco crescimento das economias de África é a governação, pois, no continente existem apenas quatro países que apresentam transparência na sua gestão.

“E a questão de boa governação tem sido mal interpretada por muitos líderes africanos, pois julgam que o BAD tem interferido nos assuntos políticos internos desses países, mas não é essa a nossa ideia que é apenas ajudar os Estados a crescerem com boas práticas de gestão”.   

Estratégia
A estratégia para 2013-2022 constitui resultado de um processo alargado de debates a nível do banco e inclui os parceiros externos que estiveram envolvidos em cerca de 20 sessões de consulta a nível dos países membros.

Segundo o documento do banco, essa estratégia tem como visão principal a transformação de África num continente estável, integrado, próspero, competitivo, diversificado e com economias em franco crescimento. Por outro lado, ela visa apoiar os países africanos de modo a alcançar uma participação mais efectiva no comércio internacional e nos investimentos nos mercados globais.
Joel Muzima, economista sénior do BAD que procedia à apresentação do programa, disse que a estratégia assenta em cinco prioridades operacionais, nomeadamente, no desenvolvimento de infra-estruturas, na integração regional, no desenvolvimento do sector privado, na governação e responsabilidade, aptidões e tecnologia.

“Ela articula-se com o novo plano nacional de desenvolvimento 2013-2017 de Angola na promoção de um crescimento económico e sustentável”, assegurou Daniel Muzima.  

Conclusões da reunião
A reunião anual do BAD , que decorreu em Marrocos de 27 a 31 de Maio último sob o lema “transformação estrutural de África” deliberou temas como: a aprovação do relatório de contas e actividades do BAD em 2012 pelo Conselho de Governadores do BAD e a aprovação do retorno do BAD à sua sede estatutária em Abidjam.

A adopção de estratégias do grupo para os próximos dez anos, a proposta do “África 50 fund” para o financiamento de infra-estruturas, a adesão da Líbia ao grupo dos países doadores do Fundo Africano de Desenvolvimento, bem como as deliberações das reuniões anuais de 2014, 2015 e 2016 que terão lugar, respectivamente, no Rwanda, Costa do Marfim e Zâmbia foram, dentre outros assuntos, apresentados no certame.

Em 2012, o banco financiou 199 operações com um valor total de 6,2 mil milhões de dólares.

As infra-estruturas representam cerca de 48,9 por cento, seguidas da área multissectorial com 14 e da social com 14,6.
O total dos créditos aprovados reduziu em 26 por cento entre 2011 e 2012, em parte, devido ao impacto da Primavera árabe (Tunísia, Marrocos e Egipto).

Estiveram presentes na cerimónia representantes do Governo de Angola, do BAD, parceiros de cooperação e académicos, tendo reflectido sobre as políticas e estratégias para o desenvolvimento do continente e de Angola em particular.