Uma das metas da instituição financeira africana é a continuação na concessão de apoios às pequenas e médias empresas para fortalecer o sector privado.

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) acolheu de 6 a 10 de Junho, em Lisboa, capital portuguesa, a sua 46ª Assembleia Anual de Governadores, da qual abordou-se “a agenda para o crescimento inclusivo em África”, numa altura em que o continente enfrenta vários problemas económicos.

Os participantes consideram indispensável a criação de um ambiente favorável que promova uma agenda direccionada para o crescimento económico inclusivo, sobretudo a redução das disparidades económicas e sociais e de criação de novos postos de trabalho, assim como proporcionar novas oportunidades às pequenas e médias empresas africanas. Nesta aludida reunião, Angola participou com uma delegação chefiada pelo vice-ministro do Planeamento, Gualberto Lima Campos, que representou o país como governador de Angola junto da organização, em representação da ministra, Ana Dias Lourenço.

Projectos de Angola

Lima Campos anunciou que o BAD concedeu um montante de 120 milhões de dólares para desenvolvimento de vários projectos em Angola. Pese embora esteja a se beneficiar as camadas mais vulneráveis, o governante considera “modesto” o montante concedido a Angola, estando em curso novas negociações que visam ao incremento do financiamento no sector das pescas, com taxas de juro bastante atractivas.

Investimentos privados

No âmbito da 46ª Assembleia Anual do BAD, realizou-se um fórum denominado “PME BAD EMRC”, que decorreu de 6 e 7 de Junho, no Centro de Congressos de Lisboa, tendo reunido vários especialistas, com destaque para o presidente da Comissão de Reestruturação da Agência Nacional para o Investimento Privado (ANIP), Aguinaldo Jaime.

O responsável, que se debruçou sobre “Promoção de Investimentos das Pequenas e Média Empresas Locais”, referiu que Angola figura, a par da África do Sul, do Egipto, Sudão e Nigéria, entre os cinco países africanos com maior nível de atracção de investimentos privados.

Aguinaldo Jaime disse que Angola está aberta e interessada em acolher mais e mais investimentos privados e, através da ANIP, favorecer quem quer constituir parceria empresarial no país, providenciar consultorias e estudos de viabilidade económica.

Aguinaldo Jaime afirmou durante a plateia que o Executivo angolano está a criar mais postos de trabalho (empregos directos e indirectos), como forma de reduzir o índice de desemprego no país, estimado actualmente entre 23 a 25 por cento da população economicamente activa, e para combater a fome e a pobreza.

BPC

O Banco de Poupança e Crédito (BPC) participou igualmente da reunião como membro da Associação das Instituições Africanas de Financiamento ao Desenvolvimento, criada em 1975, sob auspícios do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD). A administradora do banco, Fátima Silveira, disse que, apesar de participar como observadora, o encontro foi bastante proveito, na medida em que permitiu a troca de impressões com as instituições homólogas africanas. A Associação das Instituições Africanas de Financiamento ao Desenvolvimento é uma das filiadas do BAD, cuja missão é promover a cooperação entre as várias instituições financeiras africanas, mormente na área da formação. A associação é, também, uma facilitadora ao acesso dos recursos financeiros do BAD. O BPC é o único membro de Angola que se filiou à referida associação.

Mais incentivos

Durante o fórum foi anunciado que o BAD vai continuar a conceder apoios às PME para fortalecer o sector privado. Para o efeito, a instituição criará parcerias com outros financiadores, governos, instituições financeiras e organizações representativas de empresas locais. No sector financeiro em África, precisa-se de se criar produtos como factoring, leasing e soluções de financiamento mezzanine. A instituição africana diz que pode-se desempenhar um papel catalisador e ajudar a criar um efeito de demonstração para apoiar uma série de modelos de negócios em África, através de financiamento e prestação de apoio técnico, conjuntamente com as parcerias certas que ajudarão a introduzir mais instrumentos financeiros.

Quanto ao financiamento bancário, o BAD garante fornecer um maior número de linhas de crédito a bancos locais e, ao mesmo tempo, ajudar no reforço das capacidades dos bancos para providenciar empréstimos ao sector das PME. As notações de crédito, gestão de relacionamento com as PME e sistemas de gestão de clientes representam alguma da Assistência Técnica que os bancos necessitam. O apoio ao desenvolvimento de negócios através da prestação de consultadoria é também fundamental para o sector das PME.

Fundo de Garantia

O BAD criou, recentemente, um Fundo de Garantia Africano (FAG), em colaboração com a Dinamarca. Esta iniciativa inovadora africana permitirá aos bancos locais e outras instituições financeiras obterem informações sobre PME e garantias. Igualmente ajudará na partilha do risco em relação ao financiamento às PME. Para o efeito, deverá ser acompanhada de Assistência Técnica (AT) que apoiará os bancos a criarem as estruturas, mecanismos e produtos necessários para o mercado das PME. O sistema de Garantias Móveis ajudará às instituições financeiras disporem de liquidez a longo prazo, as quais podem posteriormente ser utilizadas para fornecer empréstimos ao sector das PME.

EMRC International

A EMRC, co-promotora do fórum, foi fundada em Bruxelas em 1992. É uma organização internacional sem fins lucrativos cuja missão visa promover o desenvolvimento económico sustentável em África, através do crescimento de parcerias de negócios.

Leia mais sobre outras notícias na edição imprensa do seu jornal desta semana, já em circulação