A balança de pagamentos de Angola continua a registar melhorias significativas nas suas principais contas, apesar da incerteza que se verifica no mercado petrolífero internacional.
Segundo o relatório do Banco Nacional de Angola (BNA), em 2016, a conta corrente registou uma melhoria significativa comparativamente a 2015.
O documento enfatiza que, as exportações de bens e serviços reduziram numa magnitude inferior ao das importações de bens e serviços, ao passo que o recebimento de rendimentos primários aumentaram e os pagamentos de rendimento tanto primário como secundário reduziram comparativamente ao período homólogo.
Assim, com a redução das exportações de bens em apenas 16,9 por cento e a forte queda das importações em 37 por cento em 2016, a conta corrente registou um saldo deficitário na ordem de 3.071 mil milhões de dólares, uma melhoria de 70,1 comparativamente ao ano anterior, cujo défice foi de 10,2 mil milhões, influenciando positivamente o rácio da conta corrente sobre o produto interno bruto (PIB), ao passar de 8,9 para 3 por cento.
Devido à queda das receitas de exportação, o saldo superavitário da conta de bens não foi suficiente para compensar os persistentes défices registados nas contas de serviço, rendimentos primário e secundário.
O menor nível de receitas de exportação concorreu para a realização de despesas de importação inferiores e melhorias nos défices das contas de serviço, rendimentos primário e secundário, comparativamente ao ano anterior.
O comércio internacional de mercadorias entre Angola e o resto do mundo mostrou-se favorável devido a redução das despesas de importação em magnitude superior às receitas de exportação.
Em virtude do comportamento das exportações e das importações, o saldo da conta de bens registou um excedente de 14,5 mil milhões de dólares contra 12,4 em 2015, o que representa um crescimento de 16,5 por cento.

Exportações

O petróleo bruto continua a dominar a estrutura das exportações do país. Por essa razão, a redução das exportações deveu-se à queda do preço médio do petróleo bruto.
O preço médio das ramas angolanas passou de 50 dólares/ barril em 2015 para 41,8 em 2016, ao passo que o volume de exportações de petróleo passou de 628,3 milhões de barris/ano para 611,2, respectivamente.
As receitas de exportação de petróleo bruto cifraram-se em 25,5 mil milhões de dólares no ano de 2016 contra 31,3 mil milhões no ano anterior. Por outro lado, as receitas resultantes da exportação de gás aumentaram, com realce para a retoma da exportação de gás natural liquefeito (LNG) pela Angola LNG, ao passo que os refinados e diamantes reduziram em relação ao ano de 2015.
Relativamente as outras exportações registaram uma melhoria na ordem de 10,2 por cento, com o aumento das receitas provenientes do sector da indústria transformadora e extractiva, com realce para o cimento e a madeira.

Importações

A oferta externa de bens com vista a satisfação das necessidades internas de consumo e investimento atingiu 13,04 mil milhões de dólares em 2016, o que representou um decréscimo na ordem de 37 por cento comparativamente a 2015.